95º aniversário do CNE vai ser em Vila Real

 

A celebração do 95º aniversário do Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português vai realizar-se, nos próximos dias 26 e 27 de maio, em Vila Real, com um programa de atividades muito interessante. A propósito, tomamos a liberdade de transcrever o texto abaixo, retirado do site do Agrupamento 1316 – Figueira de Lorvão.

Fundada em 1912. A AEP é uma associação que não se identifica com nenhuma religião em particular (embora promova a crença em Deus, condição essencial para se ser Escuteiro).

A segunda associação é o CNE (Corpo Nacional de Escutas). O CNE é um Movimento Católico estando portanto ligado à Igreja Católica.

Também existe a AGP (Associação das Guias de Portugal). As Guias foram também criadas por Baden-Powell, e são a vertente feminina do Escutismo. O Guidismo surgiu pouco depois do aparecimento do Escutismo pois quando o Escutismo foi criado destinava-se apenas a rapazes.

O Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português, nasceu em Braga a 27 de Maio de 1923. Foram seus fundadores o Arcebispo D. Manuel Vieira de Matos e Dr. Avelino Gonçalves, que em Roma mantiveram os primeiros contactos com o Movimento, quando ali assistiram em 1922, a um desfile de 20.000 Escuteiros, por ocasião do Congresso Eucarístico Internacional que esse ano se realizou na Cidade Eterna.

Depois de bem documentados regressaram a Braga e rodearam-se de um grupo de 11 bracarenses que, a 24 de Maio de 1923, faziam a sua primeira reunião, no prédio nº 20 da Praça do Município, para estudarem a possibilidade e oportunidade da criação de um grupo de Scouts Católicos em Portugal: assim nasceu o Corpo de Scouts Católicos Portugueses, cujos estatutos foram aprovados a 27 de Maio desse mesmo ano pelo governador civil de Braga, e confirmados em 26 de Novembro pela portaria nº 3824 do Ministério do Interior e Direcção Geral de Segurança, começando a partir desse dia a existir oficialmente, com legalidade e personalidades jurídica.

A 26 de Maio de 1924 é publicado o Decreto-Lei nº 9729, que confirma a aprovação dos estatutos e alarga a todo o território português o âmbito da Associação.

Em Janeiro de 1925, reuniu em Braga pela primeira vez a Junta Nacional com: D. Manuel Vieira de Matos, Director Geral; D. José Maria de Queirós e Lencastre, Comissário Nacional; Dr. Avelino Gonçalves, Inspector Mor; Capitão Graciliano Reis S. Marques, 1º Vogal e Álvaro Benjamim Coutinho, 2º Vogal.

O Movimento estende-se de Norte a Sul de Portugal e, como meio de informação entre todas as Unidades apareceu em Fevereiro de 1925 o 1º número do jornal “Flor de Lis” que mais tarde, em Janeiro de 1945, se apresentava em forma de revista.

Ainda em 1925, a 28 de Fevereiro, o Diário de Governo ratifica a aprovação dos Estatutos do CNS. A 15 de Março foi aprovada a nova redacção do Regulamento Geral e ainda nesse ano, alguns responsáveis do Movimento deslocaram-se a Roma e foram recebidos pelo Papa Pio XI, que lhes dirigiu palavras de muito apreço e encorajamento pelo progresso e expansão do Movimento em Portugal.

O ano de 1926 foi de intensa actividade e projecção para o CNE. Durante o mesmo foram criadas e aprovadas as Juntas Regionais de Portalegre, Açores, Coimbra, Lisboa e Núcleo do Porto, que vieram juntar-se à de Leiria, criada no ano anterior. Prova inequívoca do interesse que o Escutismo Católico estava a despertar na população portuguesa foi também o 1º Acampamento Nacional que, em Agosto desse ano, se realizou em Aljubarrota, e durante o qual foi entronizada na capela de São Jorge a imagem do Beato Nuno, transportada para ali num impressionante cortejo de mais de 10 000 pessoas. Este acampamento serviu como rastilho para galvanizar os entusiasmos da juventude portuguesa de tal modo que, no ano seguinte, foram constituídas as Juntas Regionais da Guarda, Viseu e Madeira e os Núcleos da Régua, Coimbra e Aveiro.

Os progressos do Movimento eram tais que, no Conselho Nacional reunido em Braga em Maio de 1927, o Arcebispo fundador afirmava que “O Escutismo é a maior obra católica no meu país” e a testemunhá-lo realizava-se logo em Dezembro desse ano o 1º Congresso de Assistentes do Movimento; em Março de 1928, após alguns meses de negociações foi aprovado o estatuto das várias Associações Escutas de Portugal com vista à sua Federação; em Agosto realizou-se em Cacia o 2º Acampamento Nacional… ainda nesse ano o Movimento chega a Moçambique (Cidade da Beira).

A 5 de Março de 1929 Baden Powell visita Portugal e assiste em Lisboa a um desfile de 700 Escutas que o aplaudem com entusiasmo; em Abril desse ano realiza-se em Coimbra o 1º Congresso Nacional de Dirigentes e a 2 de Maio o CNS é admitido no Bureau Mundial do Escutismo; em 16 de Junho foi inaugurada a sede da Junta Central, na Rua da Boavista em Braga, estando presentes o Arcebispo fundador e as autoridades civis e militares da cidade; em Agosto, 26 elementos tomam parte no 3º Jamboree Internacional de Arrow Park, merecendo o seu testemunho um ofício do próprio Baden Powell, dirigido ao Presidente da República de Portugal dizendo: “… distinguiram-se no campo pela sua inteligência, disciplina e eficiência e sobretudo pela sua amabilidade, encantador espírito de amizade para com os seus irmãos Escuteiros e para com quem estivessem em contacto.”

Em Agosto de 1930 realizou-se na praia da Granja o 3º Acampamento Nacional; a 9 de Julho do ano seguinte no regresso da sua viagem à África do Sul, Baden Powell visitou os escuteiros da Madeira; a 29 de Junho de 1932 foi publicado o Decreto que regularizava a Organização Escutista em Portugal; em Braga – berço do CNE – teve lugar o 4º Acampamento Nacional onde se levantaram 93 tendas e acamparam 464 Escutas. A 28 de Setembro de 1932, tombou o gigante: às primeiras horas desse dia D. Manuel Vieira de Matos rendeu a sua alma ao Criador e partiu em direcção ao Acampamento Eterno.

Contava 71 anos de idade e o CNE sentiu por dentro a partida do seu fundador! No ano seguinte é a vez do Dr. Avelino Gonçalves deixar também o Movimento que ajudou a nascer e carinhosamente fez crescer, para se dedicar a outro múnos do seu Ministério. Sucede-lhe no CNS o Cónego Martins Gonçalves.

No ano de 1934 foi publicado o 1º Regulamento que permitiu a entrada de senhoras para o CNS como Dirigentes de Alcateia e a 12 de Abril do mesmo ano, Baden Powell chega a Lisboa acompanhado da esposa e 700 Dirigentes ingleses. Devido ao seu precário estado de saúde não pôde sair do barco, mas um garboso desfile com cerca de 2 mil Escutas foi ao cais saudar o Chefe Mundial que nos visitava pela segunda vez. Em Novembro foi publicado o novo Regulamento onde aparece oficialmente a nova designação de ESCUTAS em substituição de “Scouts”, desaparecendo definitivamente o CNS para aparecer O Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português.

Em 1935, reunido no Porto, o Conselho Nacional substituiu o termo de “Director” por Assistente e “Inspector” por Secretário (Nacional). 1936 é um ano difícil para o CNE, talvez o mais crítico de toda a sua existência! A Organização Escutista de Portugal é extinta pela Portaria nº 8488, publicada no Diário da República de 13 de Agosto de 1936, e o CNE volta a regular-se pelo Decreto Nº 10589 de 14 de Fevereiro de 1925. A situação é crítica porque a oficialização dos movimentos juvenis por parte da Igreja e do Estado deixaram o Escutismo como que ao abandono, mas a coragem, dedicação e espírito escuta de um bom punhado de Dirigentes afastaram o perigo e evitaram o naufrágio, e assim, em Agosto desse ano, já se realizava em Leiria o 6ª Acampamento Nacional. Em Agosto de 1939 teve lugar na Madeira o 2º Congresso Nacional de Dirigentes. No ano das comemorações centenárias (1940), o CNE quis assinalar a sua presença neste jubileu da nacionalidade. O Conselho Nacional da Figueira da Foz delibera levantar o seu cruzeiro da independência na Cidade Berço, Guimarães, solenemente inaugurado a 8 de Dezembro, dia da Imaculada.

Em 1941, como os Escutas de todo o mundo, o CNE sente profundamente a morte de Baden Powell que faleceu no Quénia a 8 de Janeiro desse ano, com 83 anos de idade e uma extensa e brilhante folha de serviços prestados à humanidade.