Astronomia – uma síntese cronológica

Os astrónomos exploram os céus

Os fenómenos celestes sempre intrigaram os homens. Desde o começo da humanidade, viu-se neles a manifestação de poderes que estavam acima da sua compreensão. O Sol era um deus e os eclipses do Sol manifestavam a sua vontade. Desde os tempos mais remotos, o estudo do firmamento esteve ligado a práticas religiosas.

Mas, pouco a pouco, o homem aprendeu a conhecer a ordem geral dos fenómenos celestes. Primeiro, o camponês compreendeu a relação que havia entre o curso das estações e a sucessão dos fenómenos celestes. A seguir, o explorador e o marinheiro descobriram que podiam orientar-se pela localização das estrelas. Destas verificações empíricas nasceu a ciência da Astronomia. O homem pôde determinar melhor os ritmos dos seus trabalhos agrícolas (por exemplo, fixar a data mais propícia para as sementeiras) e mediar a passagem do tempo (calendários).

Já os antigos observaram, desde cedo, certas divisões do tempo: a sucessão do dia e da noite, a repetição das fases da Lua de 29 em 29 dias, a duração do ano solar (cerca de 365 dias). Há vários milénios, as civilizações mesopotâmica, egípcia, chinesa e maia tinham já conhecimentos astronómicos bastante rigorosos, talvez porque a claridade das noites nessas regiões favorecia a observação dos astros. Os Egípcios idealizaram um calendário baseado num ano de 12 meses de 30 dias cada um, mais cinco dias intercalares.

 

Síntese cronológica da história da Astronomia (até 1967)

Séc. VI a. C. – Previsão de um eclipse, por Tales de Mileto.

Séc. III a. C.Aristarco estuda tamanhos e medidas do Sol, da Lua e da Terra.

Séc. II a. C.Hiparco de Niceia estabeleceu a primeira classificação das estrelas, com base no seu brilho.

Ano 230 a. C.Eratóstenes mede a circunferência terrestre.

Ano 150 a. C.Ptolomeu sintetizou todos os conhecimentos anteriores e os seus próprios numa teoria geral, segundo a qual os planetas, o Sol e a Lua giravam à volta da Tera (sistema geocêntrico), que permanecia imóvel no centro do sistema, todo ele envolto pelas esferas das estrelas fixas.

Idade Média – Os astrónomos árabes fizeram progredir os conhecimentos do firmamento, aumentando a classificação de Hiparco, graças aos trabalhos de Al-Battani. Algumas estrelas conservaram nomes que lhes foram dados por este sábio: Aldebarã, Rigel, Deneb, Algol, …

Ano 1543Nicolau Copérnico negou o geocentrismo de Ptolomeu; afirmou que o Sol é o centro do universo, enquanto a Terra e os demais planetas giram ao seu redor (sistema heliocêntrico).

Final do séc. XVITycho Brahe, sem telescópio, estudou minuciosamente o planeta Marte.

Ano 1609Galileu Galilei inventa o telescópio, com o qual descobrirá quatro satélites de Júpiter, em 1610.

Galileu defendeu o heliocentrismo de Copérnico. Mas este grande cientista chocou com a enorme hostilidade da Igreja Católica, e as suas teorias foram condenadas pela inquisição.

Anos 1609-1619Johannes Kepler, discípulo de Tycho Brahe, prossegiu os seus trabalhos e estabeleceu uma série de leis sobre o movimento dos planetas.

Ano 1671Isaac Newton emprega, pela primeira vez, um telescópio reflector.

Anos 1667-1675 – Fundação dos grandes observatórios de Paris e Greenwich.

Ano 1687Isaac Newton publica a teoria da gravitação universal, que lhe permitiu compreender, principalmente, porque giram os planetas à volta do Sol.

Ano 1705Edmond Halley calcula a órbita dos cometas que tem o seu nome, e o momento do seu regresso.

Ano 1718 – Halley descobre que as estrelas têm movimento próprio.

Ano 1781William Herschel descobre Úrano.

Ano 1802William Hyde Wollaston descobre as linhas escuras do espectro solar.

Anos 1834-1838John Herschel cataloga 68.948 estrelas, 2.306 nebulosas e 3347 estrelas duplas.

Ano 1845 – Primeiras fotografias da Lua e do Sol.

Ano 1846 – Localização de Neptuno por Johann Gottfried Galle.

O cálculo das órbitas dos planetas aperfeiçoou-se tanto que em 1846 Urbain Le Verrier e John Couch Adams deduziram a existência de um novo planeta, Neptuno, que foi localizado por Galle.

Anos 1905-1914 – Diagrama de Hertzsprung-Russell, relativo à relação entre a luminosidade e temperatura na superfície das estrelas.

Ano 1916Albert Einstein enuncia a Teoria da Relatividade Geral.

Ano 1929Edwin Powell Hubble formula a lei do afastamento das galáxias: «expansão do universo».

Ano 1930Clyde Tombaugh descobre Plutão.

Ano 1939Hans Albrecht Bethe descobre que a energia das estrelas procede da fusão nuclear.

Bethe e Weizsäcker explicam que o mecanismo que proporciona a energia de radiação das estrelas é a fusão nuclear, que lhes dá a possibilidade de brilharem durante vários milhares de anos.

Ano 1951 – Construção do primeiro radiotelescópio nos Estados Unidos da América.

Ano 1952Jan Hendrik Oort demonstra que a nossa galáxia tem uma estrutura em espiral.

Ano 1960 – Descobre-se o quasar.

«Um quasar (abreviação de quasi-stellar radio source (“fonte de rádio quase estelar”) ou quasi-stellar object (“objeto quase estelar”) é um objeto astronómico distante e poderosamente energético com um núcleo galáctico ativo, de tamanho maior do que o de uma estrela, porém menor do que o mínimo para ser considerado uma galáxia.»

Ano 1967 – Descobre-se o primeiro pulsar.

«Pulsares são estrelas de neutrões muito pequenas e muito densas. Os pulsares podem apresentar um campo gravitacional até 1 bilhão de vezes maior que o campo gravitacional terrestre. Eles, provavelmente, são os restos de estrelas que entraram em colapso, fenómeno também conhecido como supernova. Foram observados, pela primeira, vez pela astrónoma Jocelyn Bell Burnell

 

Breve dicionário astronómico

Astronomia – ciência que estuda a estrutura e evolução do universo.

Ano-luz – distância percorrida pela luz num ano: 9 460 747 576 000 km.

Espectro – resultado da decomposição da luz por meio de um prisma.

Espectroscopia – estudo das propriedades da matéria estelar a partir do seu espectro.

Estrela – enorme massa de gás a grande temperatura que brilha com luz própria.

Fotometria – conjunto de técnicas que permitem medir a quantidade de luz procedente de uma fonte luminosa (porm exemplo, um astro).

Galáxia – agrupamento de milhões de estrelas.

Gravitação universal – atracção que manifestam entre si todos os corpos pelo facto de terem massa. A força com que dois corpos se atraem é directamente proporcional ao produto das suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da sua distância.

Movimento diurno – rotação aparente das estrelas em vinte e quatro horas ao redor de um eixo que passa pelos pólos celestes. Este movimento aparente, de levante para poente, deve-se à rotação da Terra sobre si mesma em sentido contrário.

Nebulosa – nuvem de matéria interestelar (átomos isolados e pequenas partículas sólidas).

Órbita – trajectória seguida por um corpo celeste ao redor de outro.

Planeta – Qualquer dos nove grandes astros com órbita à volta do Sol.

Radioastronomia – ciência que estuda as emissões de rádio procedentes do espaço exterior.

 

Fonte: Alfa Estudante – Enciclopédia Juvenil – vol I