O calendário inca e a civilização

Não há muita documentação precisa sobre o calendário inca, já que essa cultura passou por uma grande destruição por parte dos conquistadores espanhóis. O conhecimento preciso das constelações levou a impressionantes semelhanças com as figuras usadas pelos criadores do Zodíaco para representá-las, e com os signos zodiacais

O Observatório de Cuzco era o responsável pela base do calendário inca: possuía oito torres voltadas para o nascente e outras oito apontando para o poente, com alturas desiguais (duas pequenas intercaladas entre duas bastante altas). A sua sombra projectada no terraço ao redor permitia aos observadores imperiais definir a exacta situação dos solstícios, enquanto as colunas zodiacais (curiosamente semelhantes ao zodíaco caldeu) permitiam definir os equinócios.

Essa exactidão do ciclo de 260 anos sagrados em relação ao exacto movimento do Sol, possuía uma diferença de apenas 0,01136 de dia, ou seja, um pouco mais de um centésimo de dia.

A civilização Inca

Os Incas formaram um império de uns 4.000 km de comprimento ao longo dos Andes, em territórios que hoje são o Equador, o Peru, o oeste da Bolívia e o norte do Chile.

Até 1200, Manco Cápac, que dirigira a migração dos Incas para o norte a partir do lado Titicaca, funda a cidade santa de Cusco. Durante muito tempo, os Incas foram uma tribo muito pequena em luta com os vizinhos.

Em 1438 sobe ao trono Pachacuti Inca Yupanqui, fundador do império, que lhe deu a sua estrutura política. A fulgurante expansão prosseguirá durante o reinado do seu sucessor Topa Inca (1471-1493). Alcança a sua maior extensão com Huayna Cápac (1493-1525), que divide o império entre os seus filhos.

Em 1533, aproveitando a guerra civil entre Atahualpa e o seu irmão Huáscar, Francisco Pizarro executa Atahualpa e apodera-se do império Inca.

O inca, filho do Sol, é o chefe supremo, infalível, todo-poderoso, sagrado. Um enorme número de funcionários serve de apoio ao poder do inca e constitui a nata da sociedade. Entre a gente do povo, os pequenos funcionários e os artesãos constituem a classe média. Na sua maioria eram agricultores e também havia escravos. A sociedade inca estava perfeitamente organizada, estruturada. Efectuava-se um controlo rigoroso da população (deportações, controlo da migração) e da produção.

A religião oficial do Estado baseava-se no culto do Sol, mas subsistiam antigos cultos locais. O inca, descendente do Sol, era venerado pelo povo.

Não tendo um sistema de escrita, efectuavam o controlo de tudo através do quipus, uma espécie de ajuda-memória à base de cordas atadas. Destacaram-se como engenheiros (rede de estradas, pontes, leiras), arquitectos (pedras cuidadosamente lavradas, apesar de não conhecerem o ferro), como ceramistas, ourives e como fabricantes de tecidos.

Fonte: Enciclopédia Alfa Estudante – Volume II