Carne Maronesa, um sabor com tradição

 

Criados no Reino Maravilhoso, entre montes e vales profundos, os bovinos de Raça Maronesa coabitam em explorações sustentáveis e amigas do ambiente, na sua maioria de tipo familiar, onde os métodos ancestrais ainda perduram.

O gado alimenta-se do que a natureza lhe oferece: forragens, pastagens e culturas autóctones. É deste permanente contacto com a natureza que resulta uma carne saudável, suculenta, de coloração avermelhada-escura, de aroma simples e delicado.

Grelhada à posta ou assada no espeto, sempre com o mínimo de temperos, pois o seu carácter não carece de acrescentos, a carne destes animais é um verdadeiro deleite. É também apreciada em estufados e no tradicional cozido à portuguesa e usada como recheio dos típicos covilhetes de Vila Real.

A excelência da Carne Maronesa – DOP é resultado de um genótipo que a natureza selecionou ao longo de milénios e da perfeita associação entre a tradição e o saber-fazer das gentes transmontanas com os mais exigentes padrões comunitários de qualidade higio-sanitária e de segurança alimentar.

Submetido a rigorosos processos de controlo de qualidade, depois de devidamente identificado, certificado e rotulado, o produto final apresenta-se num “Mercado Especial” em meias carcaças ou desmanchado em porções específicas embaladas em vácuo. No mercado, o consumidor poderá encontrar carne de vitela, novilho ou vaca, três opções distintas com uma particularidade em comum: a qualidade certificada.

As condições de criação e abate são estritamente controladas por entidades competentes para que a carne chegue ao consumidor nas melhores condições e sem perder os seus singulares atributos originais, o seu valor nutricional e a subtileza do seu paladar.

Ao Agrupamento de Produtores de Carne Maronesa cabe o controlo do mercado e a gestão da marca Carne Maronesa – DOP [Denominação de Origem Protegida], intervindo na fileira desde a recolha até ao abate dos animais. A certificação e controlo de todo o processo de criação até ao abate, embalamento e rotulagem da carne são garantidos pela Tradição e Qualidade (Associação Interprofissional para os Produtos Ago-alimentares de Trás-os-Montes).

Foi a Serra, a do Marão, altiva e robusta, que à raça lhe deu o nome. Mas a Maronesa habita fundamentalmente o maciço montanhoso do Alvão e a extensa plataforma planáltica da Serra da Padrela.

Actualmente, a zona de produção desta raça estende-se pelos concelhos transmontanos e durienses de Alijó, Mondim de Basto, Murça, Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar e Vila Real, e, ainda, parte dos concelhos de Boticas, Chaves, Montalegre, Valpaços, Amarante, Cabeceiras e Celorico de Basto.

Denominação de Origem Protegida – DOP

A carne bovina maronesa com denominação de origem protegida, designada comercialmente por CARNE MARONESA DOP, é um produto específico com características sensoriais, nutritivas e higio-sanitárias de elevada qualidade.

Esta qualidade assenta:

– num genótipo raro: a Raça Maronesa;

– numa região ímpar: “O Reino Maravilhoso” de Miguel Torga;

– num modo de produção natural amigo do ambiente e dos animais;

– num controlo rigoroso;

O Genótipo: a Raça Bovina Maronesa

O genótipo que dá origem a esta carne é corporizado na raça Maronesa, uma população bovina que evoluiu do boi selvagem, o Uro ou Aurochs ibérico que, há milhares de anos, povoou a Península Ibérica.

O nome oficial da raça corresponde à toponímia do Marão, a região do solar de criação de nome mais sonante a nível nacional.

Os seus caracteres gerais realçam a sua perfeita adaptação ao meio, tipificando-a como uma raça psiquicamente viva, de branquicefalia notória, constituição robusta e digestiva.

Os machos são de cor preta com listão dorsal avermelhado e as fêmeas pretas ou castanhas, com graus de tonalidade variável em função das regiões corporais.

A gestão do Livro Genealógico, os programas de preservação e o melhoramento da raça estão a cargo da Associação de Criadores do Maronês (ACM), entidade criada em 30 de Setembro de 1988 e que representa, hoje, praticamente a totalidade dos dois mil criadores existentes.

A região de produção

A região demarcada da produção da CARNE MARONESA – DOP faz parte do “Reino Maravilhoso” de Miguel Torga, mais precisamente as duas regiões naturais definidas pelas serras do Alvão e do Marão e pelo maciço montanhoso e pela extensa plataforma planáltica da serra da Padrela [Trás-os-Montes].

Em termos de divisão administrativa, a zona de produção estende-se pelos concelhos de Alijó, Mondim de Basto, Murça, Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar e Vila Real e, ainda, parte dos concelhos de Amarante, Boticas, Cabeceiras e Celorico de Basto, Chaves, Montalegre e Valpaços.

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O modo de produção

O modo de produção da CARNE MARONESA – DOP assenta num sistema de exploração AMIGO DO AMBIENTE e desenvolve-se num quadro de práticas que têm como princípio fundamental o respeito pelo BEM-ESTAR ANIMAL. Assim, o regime de manejo é misto de estabulação e pastoreio, com predomínio deste, ainda que com durações temporais diferenciadas em função das condições climáticas.

A estabulação faz-se em cortes ou lojas tradicionais, com camas de palha e mato, num acrescento permanente que visa manter os animais comodamente instalados e produzir estrume para a fertilização dos solos agrícolas.

A dieta dos animais adultos é constituída por produtos cultivados, ervas e arbustos naturais dos terrenos baldios ou prados privados. As crias, do nascimento até aos dois/três meses de idade, alimentam-se exclusivamente de leite materno. Após este período e até ao desmame, para além do leite da mãe tem à disposição feno, farinha de milho e erva tenra numa mistura apropriada ao cumprimento equilibrado do desenvolvimento do animal.

O mercado especial

A comercialização desta carne faz-se num “Mercado Especial”, regulamentado por despacho 14/94, DR II série de 26/01/94, Reg. (CE) nº1263 de 02/07, e controlado pelo Agrupamento de Produtores de Carne Maronesa – DOP, numa secção da Cooperativa Agrícola de Vila Real. Este agrupamento, constituído pelos produtores credenciados, tem por missão a gestão da marca “CARNE MARONESA”, o que passa pela intervenção na fileira desde a recolha e abate dos animais, desmancha e embalagem em vácuo das carcaças e comercialização directa aos consumidores ou estabelecimentos credenciados para o efeito (talhos, restaurantes, etc.).

O produto apresenta-se em meias carcaças ou desmanchada em porções específicas embaladas em vácuo, devidamente identificadas, isto é, com rótulo do agrupamento de produtores e selo de certificação e segundo três grandes tipos:

Vitela: carne proveniente de animais abatidos entre os 5 e os 9 meses de idade, com peso de carcaça entre os 75 e os 130 kg;

Novilho: carne proveniente de animais abatidos entre os 9 e os 24 meses de idade, com um peso de carcaça mínimo de 130 kg;

Vaca: carne de animais abatidos entre os 2 e os 4 anos de idade com peso de carcaça entre os 200 e os 300 kg.

O controlo de qualidade

Toda a fileira, desde o criador até ao consumidor, é certificada pela Tradição e Qualidade (Associação Interprofissional para os Produtos Agro-alimentares de Trás-os-Montes).

Esta entidade exerce o controlo logo no início do processo, começando por avalizar a acreditação do criador quando do seu pedido de adesão ao agrupamento de produtores, passando pelo controlo de produção, recolha, transporte e abate dos animais, desmancha das carcaças, embalagem e rotulagem das várias porções da carne.

Fonte: Folhetos promocionais Agrupamento de Produtores e Associação de Criadores do Maronês