José Botelho de Carvalho Araújo, herói vila-realense!

 

Estão a decorrer, em Vila Real, até ao próximo mês de Novembro, um conjunto de iniciativas integradas no programa comemorativo do centenário da morte do Comandante Carvalho Araújo, o qual inclui exposições, música, teatro, fotografia, arte urbana, entre outras atividades, que pretendem envolver toda a comunidade vila-realense, particularmente as gerações mais novas.

Depois da inauguração, no dia 18 de Maio, da exposição “José Botelho de Carvalho Araújo, nos 100 anos da sua morte”, que estará patente ao público, no Arquivo Municipal de Vila Real, até ao próximo mês de Novembro, realizou-se, no dia 19 de Maio, a sessão solene com a qual foi dado início oficial às comemorações. Nesse mesmo dia, foi feita uma Guarda de Honra, pela Marinha Portuguesa, e colocadas flores junto à estátua do herói existente na Avenida com o seu nome, e feito o lançamento de vinho da edição comemorativa da vida do Comandante Carvalho Araújo, herói Vila-realense da Primeira Guerra Mundial.

 

 

Síntese biográfica

José Botelho de Carvalho de Araújo nasceu a 18 de Maio de 1881 na freguesia de São Nicolau, no Porto. Era filho de José de Carvalho Araújo e de D. Margarida Ferreira Botelho de Araújo, residentes em Vila Real, que, na altura do nascimento do seu filho, se encontravam no Porto de visita a familiares.

Dois meses depois a família regressou a Vila Real, onde José fez a instrução primária e os estudos liceais.

Entre 1897 e 1898 efetuou os preparatórios na Academia Politécnica do Porto para frequentar a Marinha, ingressando como Aspirante nesta instituição, a 12 de Outubro de 1895.

Casou a 13 de Janeiro de 1906 com D. Ester Ferreira de Abreu, sua parente afastada, numa celebração realizada às cinco da manhã pelo padre Filipe Correia de Mesquita Borges, na igreja paroquial de São Dinis.

Na Marinha cumpriu uma carreira brilhante. Em 1903 ascendeu ao posto de Guarda Marinha, em 1905 ao de Tenente, em 1915 ao de 1º Tenente e, a título póstumo, foi nomeado Capitão Tenente.

Nesta instituição prestou serviço em diversas embarcações: na fragata “D. Afonso”, na corveta “Duque da Terceira”, nos cruzadores “Vasco da Gama”, “Adamastor” e “São Rafael”, nas canhoteiras “Zambeze”, “Liberal”, “Diu” e “Lúrio”, no rebocador “Bérrio” e no transporte “Salvador Correia”.

De todos os lugares onde fazia missões enviava postais à família, tradição que cultivava desde os tempos do noivado com D. Ester. Estando em África em 1903, recebeu, a bordo do Adamastor, o primeiro postal ilustrado com motivos de Vila Real.

Defensor dos ideais republicanos, foi deputado pelo círculo de Vila Real.

No regresso à capital, depois de governar o Distrito moçambicano de Inhambane, foi destacado para comandar o caça-minas “Augusto de Castilho”, responsável pelo patrulhamento das carreiras efetuadas pelos paquetes nos arquipélagos dos Açores e da Madeira. E foi no cumprimento desta missão que morreu, na madrugada de 14 de Outubro de 1918, ao defender heroicamente o vapor “São Miguel”, que viajava entre o Funchal e Ponta Delgada, do submarino alemão “U-139”, comandado por Lothar von Arnauld de la Periére. Numa luta desigual, descrita em tons épicos pela imprensa da época, a embarcação portuguesa atacou o submarino alemão para salvar 1500 pessoas, aguentando durante cerca duas horas com apenas duas peças de artilharia de proa, que investiram contra o inimigo de 1500 toneladas, equipado com lança torpedos e canhões de tiro rápido. Ainda assim, a investida ordenada por Araújo, de que resultou a sua morte, danificou o submarino e salvou o vapor “S. Miguel”.

O seu postal de 11 de Outubro de 1918, dia em que nasceu o sétimo filho de Carvalho Araújo e D. Ester, terá chegado a casa depois da morte deste herói da Grande Guerra, mas antes, ainda, da confirmação da funesta notícia.

Fonte da síntese biográfica