Chupeta – o prazer dos bebés! | Saúde e bem estar

 

Nos últimos anos começou a ser posta em causa a vantagem de utilização da chupeta nos bebés. Importa perceber quais as vantagens e desvantagens associadas ao uso.

Desvantagens:

– É um mamilo artificial. Como a forma é parecida com um mamilo, há quem defenda que a chupeta pode interferir com a amamentação, pelo que só se deve introduzir depois desta estar bem estabelecida.

– Aumenta o risco de otite. Ao criar vácuo com a sucção, a pressão nos ouvidos pode ficar alterada, o que aumenta a probabilidade de surgir uma otite.

– Causa deformidade nos dentes. O espaço que a chupeta ocupa na boca vai impedir a correcta oclusão dos dentes, o que faz com que fiquem desalinhados e, eventualmente, menos funcionais.

Vantagens:

– Tem um efeito calmante. A sucção não nutritiva é uma necessidade de todos os bebés e uma fonte de prazer para eles.

– Diminui a probabilidade de chuchar nos dedos. Se a chupeta pode provocar problemas dentários, o hábito de chuchar nos dedos é ainda pior, pelas deformações dentárias que provoca e dificuldade em retirar o hábito.

Chupeta sim, na dose certa

– Parece ser um factor protector para a Síndrome da Morte Súbita. Apesar de não se saber bem qual o motivo, o uso de chupeta parece diminuir a probabilidade de morte súbita

Pesando os aspectos positivos e negativos, penso que o uso da chupeta pode ser vantajoso. Segundo as recomendações das principais sociedades científicas, só deve ser introduzida depois da amamentação estar bem estabelecida, após as três semanas de vida.

O desmame deve ser iniciado por volta dos 18 meses de idade durante o dia, deixando o nocturno para depois dos dois anos. As estratégias para o conseguir são diversas, mas o ideal é envolverem alguma negociação. Podem incluir oferecer a chupeta a algum familiar bebé, a um animal ou ao Pai Natal, por exemplo.

Se for uma decisão forçada, a probabilidade de correr mal e surgir mais resistência por parte da criança é maior, pelo que não me parece a melhor estratégia.

Texto de Hugo Rodrigues, Pediatra (Revista Saúda) | Imagem de destaque

 

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“História” das chupetas

“As chupetas possuem uma longa história. Escavações na Itália, Chipre e Grécia sugerem que as chupetas têm pelo menos 3000 anos de idade. Entretanto, elas apareceram pela primeira vez na literatura médica, na Alemanha, em 1473 quando foram descritas por Bartholomäus Metlinger, e aproximadamente na mesma época um quadro da Madonna e Criança pintado por Albrecht Dürer mostra uma chupeta de pano.

Normalmente essas chupetas primitivas eram feitas de linho trançado, na qual substâncias como mel, leite adocicado, conhaque, láudano e até mesmo sementes de papoula poderiam ser colocadas. O uso de láudano adocicado (ópio misturado com álcool) tornou-se um grande escândalo na metade do século XIX. Essas chupetas de pano eram amarradas ao berço ou ao cobertor ao invés de na roupa do bebê, como é mais comum atualmente.

Nos anos de 1800, os comentários médicos sobre as chupetas de pano eram em geral altamente críticos. Christoph Jakob Mellin afirmou que a chupeta de pano produzia uma boca grande e lábios grossos. Ele também contestou sobre os panos serem umedecidos nas bocas das mães e enfermeiras o que poderia transmitir doenças venéreas.

A primeira patente sobre teta de borracha flangeada que se parece com uma chupeta moderna foi obtida em 1845. Ao final desse século, a borracha havia substituído totalmente os materiais mais tradicionais. Um catálogo inglês em 1882 mostrou que algumas delas possuía anéis e proteção anexados. Até 1900 a proteção e anel tornaram-se acessórios padrão como era a teta ou bico de borracha. Várias patentes foram concedidas nessa época e essas invenções são claramente reconhecidas como versões imaturas de seus equivalentes de hoje.” Continuar a ler