Colóquio em Oeiras sobre “Memórias do Povo”

No próximo dia 8 de Outubro, pelas 15 horas, na respetiva sede, sita na Rua Carlos Paião, nº 23, em Vila Fria (Oeiras), o Grupo Cultural de Vila Fria vai realizar o Colóquio “Memórias do Povo”, subordinado ao tema “Trajes de Antanho“.

Serão oradores convidados:

Dr. Carlos CardosoRancho Folclórico Os Rancheiros de Vila Fria
Sr. Carlos SantanaRancho Folclórico da Golegã
Dr. José BritoGrupo de Folclore das Terras da Nóbrega
Dr. Ricardo GomesRancho Folclórico de Geraldes
Sr. Virgílio ReisGrupo de Folclore As Lavadeiras da Ribeira da Lage

A propósito desta iniciativa, transcrevemos o início de um texto de Francisco Sousa sobre o Trajo Saloio.

As formas de trajar sempre tiveram uma importância vital na identificação social, cultural e profissional dos povos.

Antes de se chegar à “standartização” dos nossos dias, em que quase toda a gente veste o mesmo tipo de roupa, existia a possibilidade de se conhecerem inúmeras características de uma pessoa pelo trajo que esta envergava. Hoje em dia, embora essa possibilidade ainda se verifique em algumas situações, é muito mais difícil de se conseguir.

Nas classes mais endinheiradas havia grandes preocupações quanto à sumptuosidade e riqueza das roupas.

As várias modas que foram surgindo ao longo dos tempos, com maior ou menor ostentação e riqueza, mais ou menos vistosas, espelhavam, sobretudo nas classes altas, a própria evolução social e cultural. E sublinhavam também a maior (ou menor) abastança dos próprios países. Por outro lado, há que levar em linha de conta a protecção do corpo contra as alterações climatéricas e ambientais. Terá sido mesmo essa a primeira preocupação do Homem quando começou a cobrir o seu corpo.

As várias alterações estéticas que os homens impuseram nas suas formas de trajar, essas sim, variavam já consoante a sua própria cultura, o que influenciava os gostos e os costumes.

Ressalta pois que da preocupação puramente protectora, o vestuário foi assumindo carácter de diferenciação social e económica e, obrigatoriamente, cultural.

Em Portugal não se pode afirmar que tenha havido grandes diferenças em relação aos restantes países da Europa. Contudo há (e houve) aspectos identificadores de cada país e dentro deste de cada região. Outra vez a cultura e o clima de mãos dadas na definição de modas, costumes e hábitos de trajar.

Na zona da capital portuguesa, os “campónios” têm uma denominação própria, são os saloios.

E podemos afirmar que foi possível, durante muitos anos, distinguir um saloio (rural) de um citadino, através da roupa que envergava.

Não é, decerto, o único traço distintivo destas gentes, mas é, obviamente, aquele que primeiro se nota. Sem se poder distinguir um trajo propriamente saloio, é, no entanto, possível afirmar um conjunto de características que definem a roupa que o saloio mais comummente enverga, que a chamada domingueira – ou de “ir ver a Deus” -, quer a outra que usa diariamente na sua labuta camponesa.(…)