Conferência sobre a Cultura Popular Tradicional

No próximo dia 25 de Novembro, com início às 15 horas, no Centro Cultural John dos Passos, vai realizar-se uma conferência subordinada ao tema “Salvaguardando a Cultura Popular“, promovida pelo Grupo de Folclore de Ponta do Sol, e que é particularmente destinada aos elementos dos Grupos de Folclore e a todos os interessados na Cultura Popular

Nesta conferência vão participar duas investigadoras que se têm dedicado à recolha e salvaguarda da Cultura Tradicional e da Identidade da respetiva região, e durante a qual vão abordar as obras publicadas:

 “Alma do Povo a que pertenço” (Arouca, 2017) – Profª Marina de Oliveira Perestrelo

Ponta do Sol – Memória do Povo” (2017) – Maria Odília Pereira de Sousa

Estes dois livros abordam diversos assuntos da Literatura oral e Tradicional, nomeadamente: Contos, Rezas e Benzeduras, Lengalengas, Adivinhas, Provérbios e outros.

Pretende-se que esta conferência seja verdadeiramente um momento de informação, partilha e discussão.

 

Sobre o Grupo de Folclore de Ponta do Sol

«Com povoadores de origens tão diversas a nível de categorias sociais e localidades, logo a Ponta do Sol se torna ponto de confluência de culturas que vão sendo assimiladas e enriquecidas, constituindo uma herança etnográfica a preservar, onde estão subjacentes o trabalho, o divertimento, a religiosidade e sofrimento deste povo.

Foi para salvaguardar este património cultural em risco de se perder que surgiu em 2 de Agosto de 1981 o Grupo Folclórico da Casa do Povo da Ponta do Sol, hoje designado Grupo de Folclore de Ponta do Sol, com o objectivo de recolher, preservar e divulgar os usos, costumes e tradições da Região Autónoma da Madeira, em particular o concelho da Ponta do Sol.

Foi feito um exaustivo trabalho de recolha, através de contactos directos com a população mais idosa detentora de memórias culturais significativas; danças, canções, objectos relacionados com as actividades agrícolas e domésticas do passado, bem como, roupas e artesanato que o grupo tem procurado adquirir sempre que possível. (…)

O Grupo de Folclore de Ponta do Sol tem inscrito o seu nome na Federação de Folclore Português através do nosso grupo que é membro efectivo daquela organização desde 1990, sendo o primeiro grupo madeirense federado.

Trajes

No nosso grupo estão representados vários trajes, usados nos finais do século XIX e início do século XX pelas gentes do nosso concelho. Desde a vida rural à pesca, do Domingo até aos noivos, da mulher rica às pequenas saloias do Espírito Santo, de tudo isto temos já uma representação, com tecidos que vão do rude tear à mais fina cambraia.

Destaca-se neste grupo o traje de baeta, de cor azul, preto e castanho, geralmente usado pela mulher casada: saia e capa em baeta debruadas, blusa de chita e lenço branco de cambraia atado debaixo do queixo.

No homem destaca-se o traje de seriguilha, um aspecto serrano (pastor e agricultor) das zonas mais altas e frias: calça e colete em seriguilha, camisa em linho, barrete de orelhas de lã de ovelha e bota chã em pele. (…)

Danças, Jogos e Cantares

No cantar e no bailar destacam-se as danças que lembram os escravos que habitaram estas terras – o baile da Ponta do Sol – e, muito ao sabor das romarias e do agrado do nosso povo, o baile dos Canhas. Merecem também referência o «Baile do Vira-Vira Está Queimado», alusivo à confecção da tradicional espetada, e o «Baile da Mourisca», lembrando o «peneirar» da farinha que faz o pão. Tudo isto acompanhado dos instrumentos tradicionais madeirenses, nomeadamente o braguinha, rajão, viola de arame, violino, harmónica, brinquinho, sininhos e o bombo.

Merecem também atenção as várias cantigas do trigo, que no tempo das ceifas entoavam nas encostas e vales da Ponta do Sol, por vezes verdadeiros «Despiques» de um lombo a outro entre grupos de ceifeiras.

O grupo tem também dedicado especial atenção aos jogos tradicionais (Rica-Rica, Olha Triste Viuvinha, Condessa, entre outros), desde a recolha das cantigas e gestos que davam cor a essas brincadeiras, até à recolha e conservação de peças de artesanato que lhes estão subjacentes. (…)»