Cronologia essencial sobre o Cristianismo

O Cristianismo é uma religião com cerca de 2,1 biliões de fiéis, centrada na vida, nos ensinamentos e nas atitudes e comportamentos de Jesus de Nazaré, tais como são apresentados no Novo Testamento. A fé cristã acredita essencialmente em Jesus como o Cristo, Filho de Deus, Salvador e Senhor. Os cristãos acreditam que Jesus Cristo é o Filho de Deus que se tornou homem e o Salvador da humanidade, morrendo pelos pecados do mundo, o Messias profetizado na Bíblia Hebraica.

Cerca de 4.a.C. – Nascimento de Jesus Cristo, em Belém;

Cerca de 30 – Paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, após três anos de vida pública;

Após o início da sua vida pública, e conforme o que é narrado nos 4 Evangelhos (segundo S. Mateus, S. Marcos, S. Lucas e S. João), Jesus escolheu 12 Apóstolos: “Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu”. Posteriormente, Judas foi substituído por Matias. Jesus escolheu Pedro para chefe da Igreja.

Cerca de 34 – Conversão de São Paulo, a caminho de Damasco, o “Apóstolo dos Gentios”, e principal anunciador de Jesus Cristo junto dos não judeus;

«Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo-sacerdote e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, caso achasse alguns que fossem do Caminho, tanto homens como mulheres, os levasse presos a Jerusalém. Caminhando ele, ao aproximar-se de Damasco, subitamente resplandeceu em redor dele uma luz do céu; e caindo em terra, ouviu uma voz dizer-lhe: Saulo, Saulo, por que me persegues? Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? Respondeu o Senhor: Eu sou Jesus a quem tu persegues; mas levanta-te e entra na cidade, e dir-te-ão o que te é necessário fazer. Os homens que viajavam com ele, pararam, emudecidos, ouvindo sim a voz, mas sem ver a ninguém. Levantou-se Saulo da terra e, abrindo os olhos, nada viu; e guiando-o pela mão, conduziram-no a Damasco.» (Atos 9,1-8)

Cerca de 50Concílio de Jerusalém: os convertidos ao cristianismo vindos do paganismo ficam isentos de algumas práticas da lei mosaica, como a circuncisão;

Cerca de 67 – Martírio de S. Pedro primeiro Papa) e de S. Paulo, em Roma, durante a perseguição de Nero, a primeira das dez grandes perseguições que a Igreja primitiva sofreu;

S. Pedro morreu crucificado, de cabeça para baixo, pois considerou que não merecia morrer da mesma maneira que Jesus Cristo. S. Paulo, porque era cidadão romano, foi decapitado.

Conta a tradição que, durante a perseguição de Nero aos Cristãos de Roma, estes convenceram S. Pedro a fugir, para não ser capturado. Quando tentava escapar, S. Pedro encontra, na Via Ápia, Jesus que carregava uma cruz. Então, perguntou-lhe: “Quo vadis Domine?” (“Para onde vais, Senhor?”), ao que Jesus lhe terá respondido: “Já que tu foges e abandonas o meu povo, vou para Roma para ser crucificado”. Pedro arrepende-se e regressa a Roma, para continuar com o seu ministério, acabando por dar a sua vida por Cristo.

Séculos I – III – Difusão do Cristianismo pelo império romano e regiões a oriente;

305 – Final da última e da mais dura e cruel das perseguições, a de Diocleciano;

313 – Graças ao Édito de Milão, promulgado por Constantino, o Cristianismo é autorizado no império romano. O imperador protege a Igreja, mas também intervém nos assuntos religiosos;

325 – Concílio de Niceia II: primeiro a reunir a Cristandade. Condena o Arianismo como heresia e exila Ário. Proclama a igualdade de natureza entre o Pai e o Filho. Compõe o Credo Niceno;

392 – O imperador Teodósio proíbe o paganismo. O Cristianismo passa a ser a religião oficial do Estado;

381 – Concílio de Constantinopla I: afirma a natureza divina do Espírito Santo no Credo niceno-constantinopolitano, que se recita na missa. Estabelece que o bispo de Constantinopla receberá as honras logo após o bispo de Roma;

Século IV – Anacoretas e começo da vida monacal;

430 – Morte de Santo Agostinho, um dos grandes “Padres da Igreja”;

431 – Concílio de Éfeso: condena o Nestorianismo como heresia. Afirma a unidade pessoal de Cristo e a maternidade divina de Maria;

451 – Concílio de Calcedónia: condenação do monofisismo. Afirma a unidade das duas naturezas, completas e perfeitas em Jesus Cristo, humana e divina. É escrita a carta dogmática “Tomo a Flaviano” pelo Papa Leão I;

Século V – Invasão do império romano pelo bárbaros, que acabaram por se converter;

526 – São Bento funda Montecassino, protótipo dos mosteiros ocidentais;

553 – Concílio de Constantinopla II: condena os ensinamentos de Orígenes e outros. Condena os documentos nestorianos designados Os Três Capítulos;

589 – Conversão ao Cristianismo de Recaredo, rei da Espanha visigótica;

590-604 – Pontificado de São Gregório Magno, que organizou e afiançou os Estados Pontifícios e enviou Santo Agostinho de Inglaterra para evangelizar os anglo-saxões;

681 – Concílio de Constantinopla III: dogmatiza as duas naturezas do Cristo. Condena o monotelismo;

732 – Os cristãos detêm o avanço do Islão, em Poitiers;

787 – Concílio de Niceia II: regula a questão da veneração de imagens (ícones). Condena os iconoclastas;

800 – Carlos Magno restabelece no seu trono o papa Leão III, e este coroa-o imperador;

867 – Fócio, patriarca de Constantinopla, excomunga o papa de Roma (Quem era?);

870 – Concílio de Constantinopla IV: condenação e deposição de Fócio, patriarca de Constantinopla. Encerra temporariamente o primeiro Cisma Ocidental;

910 – Fundação do mosteiro beneditino de Cluny, que inicia a reforma monástica;

962 – Restauração do império por Otão I, coroado pelo papa João XII;

1054 – Miguel Cerulário, patriarca de Constantinopla, é excomungado pela Igreja de Roma. É o Cisma do Oriente: separação da Igreja oriental e ocidental;

1073-1085 – Pontificado de Gregório VII, reformador da Igreja: unificação litúrgica, condenação da investidura laica, da simonia, etc.. Confrontação com o imperador pelo domínio da Cristandade, problema a que se sobrepõe o das investiduras;

1095 – No concílio de Clermont d’Auvergne, o Papa Urbano II apela à primeira de oito cruzadas, conhecidas, em árabe, como Al-Hurab al-Salibiyya ou «As Guerras da Cruz». Estas expedições militares foram empreendidas pela Europa cristã até ao século XIII, no intuito de «socorrer» os cristãos do Oriente, reconquistar aos trucos e muçulmanos o Santo Sepulcro e, mais tarde, defender os Estados fundados pelos cruzados na Síria e na Palestina;

1098 – Fundação da Ordem de Cister, a que pertence o Mosteiro de Alcobaça, e que daria um grande impulso à agricultura europeia;

1123 – Concílio de Latrão I: encerra a questão das investiduras. Independência da Igreja perante o poder temporal.

1147 – É lançada a Segunda Cruzada, pregada por S. Bernardo e dirigida por Luís VII de França e pelo imperador Conrado III que, em vão, cercam Damasco;

1122 – A Concordata de Worms soluciona a “luta das investiduras”;

1139 – Concílio de Latrão II: torna obrigatório o celibato para o clero na Igreja Ocidental. Fim do cisma do Antipapa Anacleto;

1179 – Concílio de Latrão III: normas para a eleição do Papa (maioria de 2/3) e da nomeação de bispos (idade mínima de 30 anos). Excomungam-se os barões que, na França, apoiavam os Cátaros;

1189 – Início da Terceira Cruzada, a qual tem como objectivo a libertação de Jerusalém, reconquistada por Saladino. Conduzida por Frederico, Barba Roxa, Filipe Augusto e Ricardo, Coração de Leão, esta expedição apenas consegue conquistar Chipre e São João de Acre;

Século XIII – aparição das ordens mendicantes: dominicanos, franciscanos, carmelitas e agostinianos. Apogeu da Filosofia Escolástica;

1202–1204 – A Quarta Cruzada, pregada pelo Papa Inocêncio III, é dirigida por Balduíno IX da Flandres e Bonifácio II de Montferrato.

1215 – Concílio de Latrão IV: determina que todo o cristão, chegado ao uso da razão, é obrigado a receber a Confissão e a Eucaristia na Páscoa. Condenação dos Albigenses, Maniqueístas e Valdenses. Definição de transubstanciação.

1245 – Concílio de Lião I: deposição do Frederico II.

1248 – Início da Sétima Cruzada, dirigida pelo rei Luís IX (São Luís) de França, que «jura solenemente» aniquilar o Egipto para libertar a Terra Santa.

1270 – Oitava Cruzada, a última, serve sobretudo interesses económicos ou ambições políticas. Organizada por São Luís e Carlos I de Anjou, rei da Sicília, encaminha-se para Tunes, onde o soberano de França morre;

1274 – Concílio de Lião II: tentativa de reconciliação com a Igreja Ortodoxa. Regulamentação do conclave para a eleição papal. Cruzada para libertar Jerusalém. Institui o conceito de Purgatório.

1309-1377 – Os Papas residem em Avignon (França);

1312 – Concílio de Vienne: supressão dos Templários. Discute-se a questão dos bordéis de Roma e a nomeação de um arcebispo em Pequim, na China.

1378-1415Cisma do Ocidente: chega a haver três papas ao mesmo tempo;

1431-1432 – Concílio de Basileia-Ferrara-Florença: sanciona o cânon católico (relação oficial dos livros da Bíblia), tenta nova união com as Igrejas orientais ortodoxas. Reconhecimento no romano pontífice de poderes sobre a Igreja Universal. Ratifica a figura do Purgatório.

1471-1521 – Corrupção do papado: nepotismo, simonias, tráfico de bulas, etc.;

1517 – Levantamento de Lutero contra Roma. Início da Reforma Protestante;

1517 – Concílio de Latrão V: condenação do concílio cismático de Pisa (1409-1411) e do conciliarismo. Reforma da Igreja.

1522 – Zuínglio inicia os seus ataques contra o catolicismo;

1534 – João Calvino (teólogo cristão francês) rompe com a Igreja Católica. Vítima das perseguições aos huguenotes, na França, fugiu para Genebra em 1536, onde faleceu em 1564. O Parlamento inglês reconhece Henrique VIII como chefe da Igreja Anglicana;

1535 – São Tomás Moro é condenado à morte por se negar a reconhecer Henrique VIII de Inglaterra como cabeça da Igreja da Inglaterra. Ele é considerado pela Igreja Católica como modelo de fidelidade à Igreja e à própria consciência, e representa a luta da liberdade individual contra o poder arbitrário.

1540 – Fundação da Companhia de Jesus, por um grupo de estudantes da Universidade de Paris, liderados pelo basco Íñigo López de Loyola, conhecido posteriormente como Inácio de Loyola. Inicia-se a Contra-Reforma;

1545-1563 – Concílio de Trento: reforma geral da Igreja, sobretudo por causa do protestantismo. Confirmação da doutrina acerca dos sete sacramentos e dos dogmas eucarísticos. Decreta a versão da Vulgata como autêntica.

Século XVI – Difusão de cristianismo graças às descobertas geográficas;

Século XVIII – O Iluminismo favorece uma atitude racional perante a religião;

1789 – Começam as medidas antirreligiosas da Revolução Francesa;

1869-1870 – Concílio Vaticano I: reforça a ortodoxia estabelecida no Concílio de Trento. Condena o Racionalismo, o Naturalismo e o Modernismo. Dogmas sobre o Primado do Papa e da infalibilidade papal na definição expressa de doutrinas de fé e de costumes.

Século XIX – Difusão do materialismo no Ocidente e do Cristianismo nas colónias;

1962-1965Concílio Vaticano II: abertura ao mundo moderno. Reforma da Liturgia. Constituição e pastoral da Igreja, Revelação divina, liberdade religiosa, novo ecumenismo (visto que o modo tradicional de ecumenismo é bem diferente, como mostra a Encíclica Mortalium Animos, de Pio XI), Apostolado dos leigos. Este Concílio gera muitas polémicas, inclusive por não ser um Concílio dogmático. Os ditos tradicionalistas dizem que o Concílio Vaticano II rompe de modo herético com a tradição bimilenária da Igreja: a Missa Tridentina e o Canto Gregoriano perdem importância; o modo como todos os sete sacramentos são celebrados sofreu também alterações.