Desfolhada à moda antiga em Boelhe

“Serões da Aldeia” – recriação do Rancho de Boelhe faz reviver a desfolhada do milho

O Parque Urbano Padre Serra, na freguesia de Boelhe recebeu, no passado dia 22 de agosto, a recriação duma “Desfolhada à Moda Antiga”, um momento de convívio e recriação, que revive o tempo em que os membros da comunidade se juntavam em torno da desfolhada do milho. A iniciativa inseriu-se no projecto cultural “Serões da Aldeia” dinamizado pela Associação de Danças e Cantares da Villa Bonelli – associação cultural, sem fins lucrativos.

A reconstituição deste momento, que faz parte da memória colectiva, contou com a participação dos elementos do Rancho Folclórico de Boelhe, vestidos a rigor com trajos típicos da época, que se juntaram à população para a desfolha do milho e para um convívio composto por vários petiscos e cantorias de modas tradicionais.

Nos finais do Verão, o dia da desfolhada juntava nas eiras grupos de homens e mulheres que retiravam as folhas e deixavam apenas as maçarocas de toda a colheita. A tradição obrigava a dar um beijinho a todos os participantes na roda“, lembra Ana Pereira, uma das responsáveis por esta organização, convidando aos cantares próprios daquela atividade característica e enraizada nas comunidades rurais.

As tradições

Os usos e costumes ou as tradições são parte importante na identidade e da cultura de um povo. Ao longo dos tempos, certas tradições mantiveram-se inalteráveis, outras sofreram influências e algumas simplesmente só existem na memória do povo.

Das Memórias do Tâmega

Trabalhar cantando é a melhor suavização da pena a que foi condenado o homem.

Certas atividades eram verdadeiras festas, autênticas manifestações culturais, podendo ser considerados autênticos “Serões da Aldeia”.

Estes serões, autenticas manifestações de cultura, ao longo dos anos foram regredindo e praticamente não se realizam.

Hoje, apenas algumas Associações Culturais realizam estes eventos de forma a recordar e manter viva esta tradição.

As Desfolhadas

Quando o milho atingia o seu estado de maturação era cortado e transportado para as eiras e estava pronto a ser desfolhado.

As desfolhadas eram feitas geralmente à noite. Os lavradores contactavam um certo número de pessoas, geralmente os vizinhos, de acordo com a quantidade de milho que havia para esfolhar. Usualmente as pessoas faziam o serviço sem qualquer remuneração pecuniária, por favor, aceitando apenas comida e bebida.

Durante a desfolhada as pessoas cantavam canções tradicionais, havendo despiques entre vários grupos.

Um dos melhores divertimentos era o aparecimento da espiga rainha, espiga de milho vermelho, dando direito ao felizardo que a encontrar, de abraçar todos os circunstantes.

No final da desfolhada, serviam-se aos presentes diversas iguarias e vinho. Depois cantava-se e dançava-se ao som de concertinas, violas e harmónicos. Os homens escolhiam o seu par e todos entravam na dança.

Os moços solteiros aproveitavam estes serões para fazerem a corte à rapariga que mais lhes agradava.

Sobre Boelhe…

«Boelhe tem uma área de cerca de doze quilómetros e localiza-se no limite do concelho. o direito de apresentação da antiga abadia pertenceu aos monges regrantes de Santo Agostinho do Mosteiro de Vila Boa de Quires.

A freguesia é dominada pela Igreja de S. Gens, relíquia arquitectónica dos primeiros tempos da nacionalidade. Trata-se, sem dúvida, “apesar da sua obscuridade rural, de um dos mais característicos marcos – verdadeiros marcos de posse – com que os cristianizadores daquela época heróica assinalaram a sua marcha vitoriosa nos longos caminhos da terra hereditária reconquistada ao invasor sarraceno” – pode ler-se no “Boletim da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais” de 1950.» Para saber mais, clique aqui.