Deuses eternos – os 12 habitantes do Olimpo

 

Cada cultura tem os seus próprios mitos, seres fantásticos com qualidades sobre-humanas, que realizam atos heróicos e protagonizam as mais variadas lendas. A sua origem responde ao anseio humano de procurar respostas sobre a origem do mundo e as leis da natureza.

A mitologia tem a sua origem na Grécia, embora, posteriormente, tenha sido assimilada pela cultura romana e adaptada pelos seus próprios costumes (por exemplo, traduzindo-se o nome dos deuses para Latim). As histórias deste seres fantásticos permitem-nos conhecer a forma de vida das civilizações antigas bem como das suas tradições culturais.

Os deuses vivem no monte Olimpo. Desse lugar, fazem as suas leis, as suas vinganças e a sua justiça, e as suas rixam acabam por influenciar diretamente os mortais. Cada deus possui qualidades associadas à natureza e às características humanas. Por exemplo, Zeus é o deus do trono na Grécia; Gea representa a terra e Eolo o vento. Assim, a sua importância não é a mesmas nas diferentes civilizações. Plutão não tem a mesma repercussão do que a sua versão grega, Hades, ainda que tratando-se do mesmo deus e tendo as mesmas qualidades.

A história da origem do mundo através dos deuses, dos semi-deuses e outros seres divinos está escrita na Teogonia de Hesíodo. Os seus parágrafos falam de lutas de poder, traições, casamentos e filhos, que tornam estes seres tão fascinantes.

No final do séc. XX aparecem movimentos que reivindicam a recuperação do culto politeísta e das tradições culturais da antiga Grécia. Em 1997, é criado o Conselho Superior Nacional dos Helenos, que atualmente conta com representações oficiais no Canadá, nos EUA e, ainda, no Brasil. Organizam celebrações em honra dos doze deuses do Olimpo, como é o caso do encontro mensal no Monte Olimpo.

 

Os 12 habitantes do Olimpo

Quando Zeus destrona os Titãs, fica instaurada uma nova etapa protagonizada por este grupo de deuses do Olimpo. Todos têm uma natureza afável, mas também um lado escuro, tirano e cruel.

 

Zeus – Júpiter

Zeus é filho de Réia e do Titã Cronos, irmão de Poseidon e de Hades. Destronou o seu pai para se tornar o deus mais poderoso do universo. Não só governava os semi-deuses, as ninfas, os seres mitológicos e os homens, mas também dominava o céu e os fenómeno atmosféricos. Na verdade, os raios e as tempestades eram considerados mensagens para os mortais.

Por ser o máximo representante do Olimpo, era o responsável por administrar justiça e resolver os problemas entre deuses e humanos. Apesar da sua esposa oficial ser Hera, disfrutava da companhia de várias esposas, com quem teve vários filhos e, inclusive, gostava de seduzir as mulheres mortais. Para tal, adotava a forma de um animal (por exemplo, a de um touro quando sequestra Europa). Aos filhos nascidos daquelas aventuras concedia-lhes o título de heróis.

A imagem de Zeus é representada com um raio na mão, a arma favorita com a qual fulmina os seus inimigos, ou com um ceptro.

 

Hera – Juno

Filhas de Cronos e de Réia, é a irmã e a esposa legítima de Zeus, rainha do Olimpo, senhora do céu e da terra. Representa o casamento, a figura da esposa fiel e abnegada. Era uma jovem muito bela que sofria muito com as infidelidades do seu marido, o que acentuou o seu carácter vingativo e ciumento.

Perseguiu todas as mulheres que disseram ter um filho com Zeus, e maldisse os ses descendentes, que foram condenados a sofrer inúmeros infortúnios (como os famosos doze trabalhos de Hércules).

Frequentemente aparece representada por símbolos como o pavão real, a maçã (que se identifica com a fertilidade), a romã e o cuco, animal no qual se transformou para vingar uma das infidelidades de Zeus.

 

Atena – Minerva

Filha de Zeus e de Métis, uma das suas esposas. Conta a história que Zeus devorou Métis, estando grávida de Atena, para evitar que se cumprisse a profecia de Gea e Urano: Zeus seria destronado pelo próximo filho, fruto da sua união. Quando chegou o momento do parto, Zeus ordenou a Hefesto, deus do fogo, que lhe abrisse a cabeça com um machado. Da sua cabeça nasceu Atena, completamente armada, o que representava a sua natureza guerreira e estratega.

É representada como uma bonita jovem, vestida com armadura a lança, herdeira da inteligência da sua mãe. Encarna a sabedoria e a justiça, é amante das artes e da cultura protetora dos Estados e da política. É conhecida como a deusa virgem, pois nunca se casou ou teve amantes. Na Grécia, o seu símbolo é a oliveira e, em Roma, o mocho.

 

Deméter – Ceres

Filha de Cronos e Réia, irmã de Zeus, Hades e Poseidon, e mãe de Proserpina. É a Deusa Mãe, que representa o princípio feminino, a fertilidade da terra, a natureza em todo o seu esplendor. É conhecida como a portadora das estações.

Deusa da agricultura, ensinou aos homens as técnicas de cultivo. Estes, em agradecimento, celebram todos os anos festas em sua honra e oferecem-lhe os primeiros frutos da colheita. A Grande Mãe também é protetora da infância e do casamento. Aconselha aos homens as leis da convivência e da organização social. A sua imagem é sóbria, aparece coroada com espigas e com uma tocha e uma espiga em suas mãos.

Quando a sua filha foi sequestrada, a dor foi tanta que se esqueceu de outorgar as bênçãos da Terra. Nessa altura, Zeus interveio obrigando Hades a permitir subir Perséfone das profundezas durante seis meses por ano. É por esse motivo que os campos florescem durante a Primavera e o Verão.

 

Hades – Plutão

Filho de Cronos e de Réia, irmão de Poseídon e de Zeus. É o representante do submundo, o mundo dos mortos, das riquezas e dos tesouros escondidos nas profundezas da terra.

Apaixonou-se por Perséfone, sua sobrinha, conhecida em Roma como Proserpina, filha de Zeus e de Deméter. Hades sequestra-a enquanto apanha flores, com a finalidade de torná-la sua esposa e deusa do Inferno. Ambos pagam um preço alto pelo seu amor: o sequestro de Perséfone desencadeia muita dor e desespero, e Hades é condenado a viver no submundo. Por esse motivo, não é considerado um dos doze do Olimpo. É cruel e desumano. Não permite que nenhuma alma que entre no seu reino possa regressar; disso se encarrega Cerbero, o seu cão de três cabeças, guardião da porta do Inferno.

Por vezes aparece a segurar o corno da abundância, que representa a riqueza terrena. Outro símbolo é o capacete, prenda dos Ciclopes, que possui a qualidade de tornar invisível quem o usa.

 

Apolo – Apolo

Filho de Zeus e Leto, irmão gémeo de Artémis. Representa a juventude e a beleza. O seu corpo é perfeito e atlético mas, apesar das suas qualidades físicas, não teve sorte com as mulheres. O seu grande amor é Dafne, uma bela ninfa que habita no bosque, filha de Gea.

Deus da Medicina, criador da música e da poesia, desde muito jovem mostra o seu valor. Matou Piton, uma criatura que habitava na mítica região de Delfos, e passou a controlar o Oráculo.

A sua verdadeira inclinação eram as artes. Em algumas imagens está representado com um arco, símbolo da luz. Na Roma antiga é associado a Hélio, deus do Sol.