O essencial sobre os tempos litúrgicos na Igreja Católica

 

Partindo do Tríduo Pascal, como da sua fonte de luz, o tempo novo da ressurreição enche todo o ano litúrgico da sua claridade. Progressivamente, dum lado e doutro desta fonte, o ano é transfigurado pela liturgia. Ele é realmente o ano da graça do Senhor (48). A economia da salvação realiza-se no quadro do tempo, mas a partir do seu cumprimento na Páscoa de Jesus e da efusão do Espírito Santo, o fim da história é antecipado, pregustado, e o Reino de Deus entra no nosso tempo.

É por isso que a Páscoa não é simplesmente uma festa entre outras: é a «festa das festas», a «solenidade das solenidades», tal como a Eucaristia é o sacramento dos sacramentos (o grande sacramento). Santo Atanásio chama-lhe «o grande domingo» (49), tal como a Semana Santa é chamada no Oriente «a semana maior». O mistério da ressurreição, em que Cristo aniquilou a morte, penetra no nosso velho tempo com a sua poderosa energia, até que tudo Lhe seja submetido.

No Concílio de Niceia (em 325), todas as Igrejas acordaram em que a Páscoa cristã fosse celebrada no domingo a seguir à lua cheia (14 de Nisan), depois do equinócio da Primavera. Devido a diferentes métodos usados para calcular o dia 14 de Nisan, a data da Páscoa nem sempre coincide nas Igrejas do Ocidente e do Oriente. Por isso, estas Igrejas procuram hoje um acordo, para chegarem de novo a celebrar numa data comum o dia da ressurreição do Senhor.

O ano litúrgico é o desenrolar dos diferentes aspectos do único mistério pascal. Isto vale particularmente para o ciclo das festas em torno do mistério da Encarnação (Anunciação, Natal, Epifania), que comemoram o princípio da nossa salvação e nos comunicam as primícias do mistério da Páscoa.(Catecismo da Igreja Católica, nº1168 a nº1171)

 

 Tempo do Advento | Tempo do Natal | Tempo Comum antes da Quaresma | Tempo da Quaresma | 

 Quarta-feira de Cinzas | Semana Santa | Domingo de Ramos na Paixão do Senhor | 

 Quinta-feira da Semana Santa | Tríduo Pascal | Quinta-feira da Semana Santa à tarde |

 Sexta-feira da Paixão do Senhor | Sábado Santo | Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor

Tempo Pascal | Tempo Comum após o Tempo Pascal

 

Cada novo Ano Litúrgico tem início com as Vésperas do Domingo I do Advento

 

Tempo do Advento

O Tempo do Advento tem dupla característica: é tempo de preparação para a solenidade do Natal, em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus aos homens; simultaneamente, é tempo em que, comemorando este primeira vinda, o nosso espírito se dirige para a expectativa da segunda vinda de Cristo no fim dos tempos. Por estes dois motivos, o Advento apresenta-se-nos como um tempo de piedosa e alegre expectativa (CR 39: EDREL 877).

Algumas observações para o Tempo do Advento

1.- O órgão e os outros instrumentos musicais devem usar-se, e o altar ornamenta-se de flores, com aquela moderação que convém ao carácter próprio deste tempo, de modo que não se antecipe a plena alegria do Natal do Senhor (Cerimonial dos Bispos, 236).

2.- Na celebração do Matrimónio, o pároco deve advertir os esposos para que tenham em conta a índole peculiar deste tempo litúrgico (Celebração do Matrimónio, 32: EDREL 1149).

Para a Missa até ao dia 16 de Dezembro

Não são permitidas as Missas para várias necessidades ou para várias circunstâncias, as Missas votivas e as Missas quotidianas de defuntos, a não ser que uma verdadeira necessidade ou utilidade pastoral o exijam (IGMR 376. 381: EDREL 616. 620). São porém permitidas as Missas das memórias facultativas ocorrentes ou dos Santos mencionados nestes dias no Martirológio (IGMR 355 b: EDREL 599 b).

Para o Ofício Divino toma-se o volume respetivo da Liturgia das Horas.

Para a Missa, tomam-se os Leccionários: dominical (Ano C – 2018/19); ferial (Advento – IV).

 

Tempo do Natal

Depois da celebração anual do mistério pascal, nada na Igreja é mais venerável do que a celebração do Natal do Senhor e das suas primeiras manifestações: é o que se faz no Tempo do Natal (CR 32: EDREL 870).

Para a Missa tomam-se os Leccionários: Dominical (Natal – Ano C – 2018/2019); ferial (Natal – IV).

 

Tempo Comum antes da Quaresma

O Tempo Comum são trinta e três ou trinta e quatro semanas no ciclo do ano, destinadas não a celebrar um aspecto particular no mistério de Cristo, mas o próprio mistério de Cristo na sua globalidade, especialmente aos domingos (AC 43: EDREL 881).

Para o Ofício Divino toma-se o volume respetivo da Liturgia das Horas.

Para a Missa, tomam-se os Leccionários: dominical (Ano B – 2018); ferial (Anos Pares – VI – 2018).

As Missas dos dias de semana deste Tempo não têm Glória. Prefácios comuns, à escolha, ou outros.

O Missal apresenta 34 formulários de Missas intituladas Missas dominicais e quotidianas, que podem utilizar-se, com grande liberdade de escolha, nos dias feriais deste Tempo que não tenham Missa própria de algum Santo.

Nas Missas votivas pode usar-se a cor do próprio da Missa, do dia, ou do Tempo.

 

Tempo da Quaresma

O Tempo da Quaresma destina-se a preparar a celebração da Páscoa: a liturgia quaresmal prepara para a celebração do mistério pascal tanto os catecúmenos, através dos diversos graus da iniciação cristã, como os fiéis, por meio da recordação do Baptismo e das práticas de penitência (CR 27: EDREL 865).

Para o Ofício Divino toma-se o volume respetivo da Liturgia das Horas.

Para a Missa, tomam-se os Leccionários: dominical (Ano B – 2018); ferial (Quaresma – IV – 2018 ).

Algumas observações para o Tempo da Quaresma

1.- Na Liturgia das Horas e na Liturgia da Eucaristia omite-se sempre o Aleluia.

2.- Nas solenidades e festas e em algumas celebrações especiais, diz-se Te Deum e Glória a Deus.

3.- As memórias obrigatórias que coincidem com as férias da Quaresma só podem ser celebradas como memórias facultativas (CR 14: EDREL 852).

4.- Não é permitido, neste Tempo, ornamentar os altares com flores, e o toque dos instrumentos musicais só é permitido para sustentar o canto. Exceptuam-se, contudo, o domingo Laetare (IV da Quaresma), as solenidades e as festas (Cerimonial dos Bispos, 252).

5.- Na celebração do Matrimónio, o pároco deve advertir os esposos para que tenham em conta a índole particular deste Tempo litúrgico (Celebração do Matrimónio, 32: EDREL 4251).

Quarta-feira de Cinzas

Lembrar aos fiéis que, em união com a Paixão do Senhor e em espírito de penitência mais visível, nas sextas-feiras da Quaresma se deve escolher uma alimentação simples e pobre, que poderá concretizar-se na abstenção da carne (Normas da CEP – 28/01/1985).

Lembrar-lhes, também, a finalidade das Renúncias Quaresmais deste ano, proposta pelo Bispo da Diocese.

1.- Na Missa, depois do Evangelho e da homilia, benzem-se e impõem-se as cinzas, feitas de ramos de oliveira ou de outras árvores, benzidos no ano anterior. Omite-se o acto penitencial.

2.- A bênção e imposição das cinzas também se pode fazer sem a Missa, dentro duma liturgia da palavra.