Os factos mais importantes das Cruzadas

 

Os cristãos do Ocidente visitavam a Terra Santa desde há muito tempo. Os Árabes, que tinham conquistado Jerusalém em 638, toleravam essas peregrinações. Mas em 1078. Quando os turcos seljúcidas se apoderam da cidade, perseguiram os monges que aí existiam e proibiram a entrada de europeus. Em 1081, estes audazes muçulmanos tomaram Niceia, mesmo às portas de Constantinopla, ameaçando seriamente este baluarte oriental da cristandade.

A Igreja Bizantina dirigiu um apelo desesperado à Igreja de Roma, e o papa Urbano II respondeu favoravelmente: no Concílio de Clermont (1095) defendeu a guerra santa. «Os bispos foram entregues aos verdugos e ultrajadas as virgens do Senho; os Lugares Santos foram despojados dos seus ornamentos… Banhai-vos no sangue dos infiéis… Convertei-vos em soldados do Deus vivo

Já anteriormente começara uma espécie de cruzada contra o islamismo: há vários séculos que os cristãos tinham iniciado a reconquista de Espanha, expulsando os Muçulmanos para o sul. E em 1085 tinham reconquistado Toledo.

Com uma grande cruz de tela cozida sobre o peito, inúmeros senhores abandonaram o país franco, a Provença, a Normandia, a Lorena, a Flandres ou a Itália para conquistarem a Terra Santa.

Para melhor defender os Lugares Santos, entretanto reconquistados, foram criadas as ordens monástico-militares dos Hospitalários, dos Templários e, mais tarde, a dos Cavaleiros Teutónicos. Os navegantes procedentes da Itália garantiam o abastecimento de mercadorias e o transporte de homens.

 

Cronologia essencial sobre as Cruzadas…

Ano de 1050 – Fundação da ordem de caridade dos Hospitalários, transformada, depois, em ordem monástico-militar.

Ano de 1078 – Os turcos seljúcidas conquistam Jerusalém aos árabes.

Ano de 1085 – Os cristãos conquistam Toledo aos Muçulmanos.

Ano de 1095 – No Concílio de Clermont, o papa Urbano II prega a Cruzada.

Ano de 1096 – Depois do fracasso da «cruzada popular» (integrada por gente simples reunida à volta do seu chefe, Pedro, o Eremita) começa a Primeira Cruzada, a «cruzada dos cavaleiros».

Poucos meses antes da Primeira Cruzada, já outros peregrinos tinham tentado a conquista da Terra Santa: gente do povo que abandonou as suas terras, fascinada pelos sermões de um pregador exaltado, chamado Pedro, o Eremita – foi a «cruzada popular». Mas esses «pobres de Deus», esgotados pelas privações, dizimados pelas doenças ou executados pelos habitantes das povoações por onde passavam, não conseguiram chegar à Palestina.

Melhor organizados, agrupados em quatro exércitos, os barões da Primeira Cruzada (1096 a 1099) chegaram até Constantinopla e venceram os Turcos na Ásia Menor. Conduzidos por hábeis cavaleiros (Godofredo de Bulhão, Raimundo de Saint Gilles, Roberto da Flandres e Bohemundo de Tarento), aproveitaram as divisões dos seus inimigos para terminarem vitoriosamente os cercos de Antioquia e Jerusalém. Estas duas cidades, assim como Trípolis e Edessa, foram protegidas com muralhas e permaneceram quase durante dois séculos como baluartes do cristianismo no Oriente.

Devido ao facto de a sua finalidade ter sido essencialmente religiosa e também a circunstância de se ter realizado com grande êxito o seu objectivo, a Primeira Cruzada pode considerar-se como a mais importante.

Ano de 1098 – Conquista de Edessa, onde se formará um condado cristão, e de Antioquia, que se tornará num principado franco.

Ano de 1099 – Cerco vitorioso de Jerusalém, que terminou num banho de sangue. Nascimento do reino de Jerusalém, governado, primeiro, por Godofredo de Bulhão e, depois, pelo seu irmão Balduíno.

Ano de 1109 – Fundação do condado de Tripolís pelos Francos.

Ano de 1118 – Fundação da ordem religiosa-militar dos Templários.

Ano de 1144 – Queda de Edessa em poder dos Muçulmanos, que passam a sua guarnição pelas armas.

Anos de 1147-1149 – A Segunda Cruzada, conduzida pelo imperador Conrado III e pelo rei Luís de França, fracassa frente a Damasco.

As expedições seguintes alistaram soldados seduzidos não tanto pelo ideal cristão, mas pelo afã de aventuras e ainda pela perspectiva de saques. Pregada por S. Bernardo de Claraval e dirigida separadamente pelo imperador Conrado III e pelo rei Luís VII, a Segunda Cruzada (1147-1149) fracassou, apesar dos meios empregados.

Ano de 1187 – O sultão Saladino vence os Francos em Hattin e apodera-se de Jerusalém.

Quando Saladino, hábil chefe muçulmano, se proclama dono de um vasto império no Oriente e reconquista Jerusalém (1187), a emoção é grande na Europa. Exortados pelo papa, os prelados prometem não montar mais a cavalo enquanto a cidade estiver nas mãos dos infiéis, e é a pé que se dirigem a todas as partes para incitarem à guerra santa.

Anos de 1189-1192 – Terceira Cruzada, dirigida por Frederico Barba Ruiva, Filipe Augusto e Ricardo Coração de Leão. Os Lugares Santos não são reconquistados, mas os cristãos tomam Chipre e uma estreita faixa costeira.

 A Terceira Cruzada (1189-1192) reuniu os soberanos mais importantes do continente, e foi a melhor organizada de todas. Mas o imperador Frederico I Barba Ruiva morreu afogado num rio da Ásia Menor; Filipe Augusto, rei de França, regressou prematuramente às suas terras, e, apesar de Ricardo Coração de Leão, rei de Inglaterra, obter alguns êxitos contra Saladino e conquistar Chipre, não conseguiu apoderar-se de Jerusalém.

Os Estados francos do Oriente eram cercados mais intensamente: o principado de Antioquia, o condado de Trípolis e o reino de Jerusalém, cuja nova capital era São João de Acre, tinham ficado reduzidos a uma estreita faixa costeira. Sobreviviam à custa de uma constante ajuda do Ocidente, interessado sobretudo no comércio com o Oriente.

Ricardo Coração de Leão, depois de negociar com Saladino, obteve para os cristãos autorização de visitar Jerusalém, mas apenas em grupos reduzidos.

Ano de 1189 – Fundação da ordem religioso-militar dos Cavaleiros Teutónicos.

Anos de 1202-1204 – A Quarta Cruzada perde todo o carácter religioso: termina com o assalto a Constantinopla e com a criação de um efémero Império Latino do Oriente.

A riqueza e o requinte de Bizâncio atraiam os ambiciosos. E a Quarta Cruzada (1202-1204), cujo objectivo inicial – o ataque ao Egipto – foi logo abandonado, terminou com a pilhagem a Constantinopla, uma cidade cristã. Esta expedição não obedecia já a considerações religiosas, mas sim a pretensões políticas e económicas.

Formou-se o Império Latino de Constantinopla, que se expandiu pelo lado da Grécia e da Ásia Menor. Durou apenas até 1261. Roma estava orgulhosa de ter conseguido deter a expansão da igreja bizantina. Saqueadores insaciáveis, os cruzados chegaram a enriquecer tanto como os comerciantes.

Ano de 1212 – As «cruzadas das crianças», jovens franceses e alemães, terminam desastrosamente.

Iniciaram-se, então, as desconcertantes «cruzadas das crianças», uma em França e outra na Alemanha. Esta não conseguiu passar da Itália. E os rapazes e raparigas da primeira esperavam que as águas do Mediterrâneo, tal como as do Mar Vermelho com Moisés, se abrissem para eles… mas a maioria foi feita prisioneira pelos mercadores de escravos.

Esta «cruzada» é a base mais provável para a origem da lenda que, mais tarde, deu origem ao Flautista de Hamelim, conto folclórico alemão da Idade Média acerca de uma vila que esteve infestada de ratazanas até um misterioso flautista os atrair com a sua música até um rio. Quando a gente da vila se recusou a pagar o trabalho do flautista, este usou a sua estranha música para atrair e desviar as crianças. (Dicionário Ilustrado do Conhecimento Essencial, pág.87.)

Anos de 1217-1221 – A Quinta Cruzada é dirigida contra o Egipto, e também falha.

O Papa Inocêncio III, já instigador da Quarta Cruzada, pregou também a Quinta Cruzada, iniciada em 1217; esta dirigiu-se para o Egipto, grande centro do poder muçulmano. «As chaves de Jerusalém estão no Cairo», dizia-se então. Se esta expedição fracassou, a Sexta Cruzada, completamente pacífica, teve êxito.

Anos de 1228-1229 – O imperador Frederico II é o chefe da Sexta Cruzada, expedição pacífica que consegue a recuperação temporária dos Lugares Santos.

O seu chefe, Frederico II, imperador germânico e rei da Sicília, obteve o livre acesso dos peregrinos aos Lugares Santos. Apesar de excomungado, este excelente diplomata recebeu em 1229, sem ter sequer começado uma batalha, Jerusalém, Belém e Nazaré. No entanto, quinze anos mais tarde, as cidades santas, recuperadas pelo Turcos, perderam-se definitivamente.

Ano de 1244 – Os cristãos perdem definitivamente Jerusalém, que cai em poder dos Turcos.

Anos de 1248-1254 – S. Luís, rei de França, dirige, sem êxito, uma Sétima Cruzada para o Egipto.

As últimas campanhas no Mediterrâneo Oriental foram dirigidas pelo rei de França, Luís, IX, o futuro S. Luís. Em 1248, tomou o comando da Sétima Cruzada, e conseguiu uma vitória perto do Nilo, antes de ser preso pelas forças muçulmanas. Depois de pagar um grande resgate, o rei viveu alguns anos na Palestina, onde restabeleceu a disciplina entre os cavaleiros, sendo admirado por todos pela sua conduta impregnada de santidade. Regressou ao seu país, mas embarcaria pela segunda vez para o Oriente. Contudo, mal o navio chegou a Tunes, S. Luís e muitos homens morreram vitimados pela peste.

Ano de 1270 – À cabeça da Oitava Cruzada, a última, S. Luís morre em Tunes, vitimado pela peste.

O fracasso desta Oitava Cruzada (1270), a última, enterrou para sempre as esperanças de conquista. Durante decénios, os cristãos foram vítimas das suas próprias divisões: Normandos, Venezianos e Bizantinos tinham quase sempre objectivos diferentes, cada qual prosseguia os seus próprios interesses.

Ano de 1291 – Caem S. João de Acre, Tiro, Sídon e Beirute, últimos baluartes cristãos do Oriente.

Depois de se terem desfeito dos Mongóis, os Mamelucos do Egipto venceram facilmente a resistência dos últimos francos: uma atrás da outra, caíram Cesareia, Jafa, Antioquia e Trípolis, onde toda a população cristã foi assassinada, em 1291 foram tomadas São João de Acre, Tiro, Sídon e Beirute.

Fonte do texto: Enciclopédia Juvenil – Alfa Estudante – vol. 2, pá. 28 e ss.
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