Feira Medieval de Constantim 2016

Cartaz da Feira Medieval de Constantim - Vila Real - Julho de 2016

Feira Medieval de Constantim 2016

30 de Julho de 2016

Rua da Igreja até à Fonte de S. Frutuoso

Mercado Medieval | Animação de rua | Jogos Populares

Programa

10h00 – Santificação do terreiro; seguido de folias e bailias à guisa popular;

15h00 – Recepção do representante do rei e desfile do clero, nobreza, burgueses e vilãos;

16h00 – Folguedos pelo arraial

21h30 – Acrobatas, malabaristas, cuspidores de fogo e outros pantomineiros; Cortejo pelas ruas do burgo; encerramento.

Vídeos da Feira Medieval de Constantim: 1º vídeo | 2º vídeo | 3º vídeo (Desfile) | 4º vídeo

Sobre Constantim e a sua Feira

«O lugar a que chamamos Constantim existe há mais de mil anos. (…)

Inicialmente existiu como colonia agrícola romana (Villa Constantini), depois vila medieval com pelourinho e carta de foral [atribuída no ano de 1096], concedida pelo conde D. Henrique a a infanta D. Teresa. (…)

Actualmente, Constantim é um dos muitos lugares do concelho de Vila Real, uma freguesia constituída apenas por um lugar. Situa-se num planalto xistoso, embora grande parte da sua área, a norte, o xisto ceda lugar ao granito. (…)

Constantim aparece documentada por fontes escritas somente a partir do século XI. De qualquer forma, ela constituiu um exemplo incipiente da organização administrativa e fiscal do poder local, um concelho de tipo burgo quase durante dois séculos; tempo exíguo talvez para os seus consentidos e fugazes pergaminhos, mas tempo lato de um considerável imaginário, variavelmente esparso pela que foi a antiga região de Panoyas.(…)

Um dos actos que o Conde D. Henrique e D. Teresa fizeram, (…), foi controlar os centros de mercância de Guimarães e Constantim, para deles adquirir a base de receitas suficiente para a gestão das actividades de administração. Com o estatuto de concelho, cujo foral regulava os direitos e deveres colectivos, os homens de Constantim tinham a seu favor um conjunto de leis que lhes davam segurança e, por outro lado, impulsionavam os negócios. Foi assim constituída cabeça de um vasto distrito. Tal facto foi reconhecido pelo rei Dom Afonso Henriques que certificou esse mesmo estatuto aos homens de bem e de bons costumes de Constantim de Panóias.

Desde o século XI aos finais do século XIII são abundantes os documentos que se referem ao burgo de Constantim como capital administrativa e jurídica do distendido território de Panóias, cujos povos passam a regular-se pelo seu padrão de medidas, pesos e moeda corrente.

De 1096 a 1289, cento e noventa e três anos de administração de um território constituído por ricos-homens, ordens, cavaleiros, burgueses, vilãos e povo anónimo, tinha acima de tudo o tenens, com cargo amovível, e dispunha de um juiz eleito pelo povo. (…)

Na Carta de Foral ressalta a actividade da mercância de animais, fardos de burel, linho e couro, a matéria prima do artífice, como, da mesma forma, se mencionam os açougues e uma ou outra loja no rés-do-chão, fazendo parte da malha urbana. Nesse diploma não se faz referência à feira, mas a existência desta logo se deduz do código de posturas relativas às transacções, bem como às sanções de fregueses e forasteiros. Sem dúvida que podemos inferir o seu alcance económico para a vila e para a região, a ter em conta as expressões dos documentos: Feira de Constantim, Constantim da Feira ou simplesmente Feira, mas também não deixa de ser verdade que a feira passava por significar o topónimo da própria vila, porque a mesma se realizava em terrenos que pertenciam à Igreja de Santa Maria de Constantim, logo, Santa Maria da Feira.

Na feira, contígua à igreja, vendia-se e comprava-se produtos dos artesãos, gado e derivados. Havia milhos, linhos, castanhas, frutos secos, frutas verdes, vinho, aguardente, hidromel, vinagre. (…)

Corria pela feira o pão meado, terçado e quartado, vendia-se o milho malhete, o painço, a cevada e a aveia, podia-se adquirir o vinho cozido e o mole. (…)

As mulheres do campo vendiam os produtos do quotidiano nos mercados da vila: os legumes, os ovos, a lenha, a carne, o pão, os cabritos, os leitões, a castanha, a manteiga, o linho – o que restava depois de pago o foro. Os oficiais das leis cobravam e vendiam depois. Os almocreves transportavam e comerciavam, levando “alma” e “virtualha” para tudo quanto era sítio.”

Fonte: Texto sobre Constantim e a sua Feira retirado da obra “Constantim de Panóias – Identificação de uma Vila”, de Joaquim de Barros Ferreira.

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