Festa dos Rapazes ou Festa de Santo Estevão

 

A Festa de Santo Estêvão, também denominada Festa dos Rapazes, insere-se no contexto das festas nordestinas realizadas no ciclo dos 12 dias, do Natal aos Reis. Neste período – que engloba o solstício do Inverno – são várias as aldeias que experimentam o tempo festivo destacando-se Grijó de Parada, Parada, Serapicos, Agrochão, Babe, Rio d’Onor e Ousilhão.

A festa realiza-se todos os anos, nos dias 25 e 26 de Dezembro e nela toma parte toda a comunidade – homens, mulheres e crianças, em que os verdadeiros protagonistas são os mascarados. Realiza-se, um pouco, por toda a região da Terra Fria, sendo que a sua origem é remota, provavelmente num tempo muito anterior à cristianização da Península Ibérica.

A organização é promovida pelos rapazes ou moços da aldeia, de preferência solteiros. Insere-se no âmbito das festas do 1.º ciclo – as festas de Inverno – por estarem relacionadas com as épocas do ano, com as estações e com os fenómenos meteorológicos que lhe estão associados.

Na Festa dos Rapazes, mal a manhã desperta, os rapazes maiores de 16 anos e solteiros juntam-se a um gaiteiro contratado para os acompanhar e percorrem a povoação, mascarados com coloridos fatos de lã e máscaras, ao mesmo tempo que fazem soar badalos, chocalhos e sinos que trazem junto ao corpo, provocando uma enorme algazarra. As máscaras eram feitas em madeira, mas com a falta de mão-de-obra que as soubesse traçar, começaram a ser feitas noutros materiais. A estas figuras, encarnando demónios, são permitidas todas as liberdades e assim celebram a passagem de mais um Inverno por terras portuguesas.

A festa na localidade de Ousilhão é religiosa, envolvendo cerimónias de carácter cristão – missa cantada e procissão em torno da capela em honra de Santo Estêvão (protomártir dos alvores do cristianismo), e cerimónias que, aparentemente, nada têm de cristão, nomeadamente a eleição de indivíduos que exercem temporariamente certos cargos dignitários: “rei”, “vassais”, e, por vezes, “bispo”.

A atenção dispensada a este período tem levado ao estabelecimento de relações destas festas, como refere o Abade de Baçal, com «as festas saturnais celebradas pelos romanos durante 5 ou 7 dias, começadas a 17 de Dezembro, em honra de Saturno, com grandes brincadeiras e mostras de alegria». Diz ainda o mesmo autor que às saturnais se agregaram as das juvenais, uma festa que era celebrada pela gente moça no dia 24 de Dezembro com canto bródio e patuscada. Refere também que estas costumeiras atingiram o apogeu na Idade Média na Festa dos Loucos, que era celebrada por clérigos de ordens menores, diáconos e sacerdotes durante 12 dias, desde o dia de Natal até ao dia de Reis. Também lhe chamavam Festa das Calendas, por serem celebradas principalmente no dia 1 de Janeiro, e ainda Festa dos Subdiáconos.

Festa dos Rapazes ou Festa de Santo Estêvão

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