A fotografia no século XIX – cronologia essencial

A meio da década de 1820, enquanto no domínio pictórico se defrontam os apoiantes da tradição clássica e os partidários da nova moda romântica, uma invenção, a fotografia, vem alterar definitivamente os modos de reprodução figurada dos objectos.

 

A fotografia no século XIX

Ano 1802 – O inglês Thomas Wedgwood consegue fixar imagens no papel revestido de nitrato de prata, sem conseguir mantê-las pois elas escurecem pouco depois de serem expostas à luz.

A solução para o problema surge com os trabalhos dum litógrafo francês, Joseph Nicéphore Niepce (nasceu em Chalon-sur-Saône, em 1965), que consegue o primeiro negativo da história em 1816, com a ajuda de pepel sensível ao cloreto de prata. Mas não consegue tirar uma prova positiva. Só em 1826, após dez anos de experimentações, tira a primeira fotografia: a comovente vista da sua casa de família.

Ele obtém esta chapa histórica revestindo uma placa de estanho com betume-da-judeia, que embranquece e endurece sob a influência da luz. A duração da exposição excepcionalmente longa da fotografia (oito horas) explica que o sol pareça brilhar dos dois lados do pátio da casa. Em 1829, Niepce associa-se ao cenógrafo Louis-Jacques Mandé Daguerre para aperfeiçoar e comercializar o novo processo. Apos a morte de Niepce, em 1833, Daguerre continua sozinho as investigações e descobre o processo de obtenção de uma imagem latente sobre uma placa de prata sensível aos vapores de mercúrio.

Ano 1835W. H. Fox Talbot obtém os primeiros negativos em papel, a partir dos quais pode tirar um número ilimitado de provas positivas.

Anos 1837-1839 – Trabalhos de Daguerre e vulgarização da daguerreotipia.

Daguerre obtém o primeiro «daguerreótipo», no qual uma imagem muito precisa é fixada de forma durável numa placa, após lavagem desta em salmoura quente. A importância da daguerreotipia é reconhecida por Arago, sendo a técnica vulgarizada graças à publicação dum panfleto, logo traduzido em oito línguas e que tem trinta edições sucessivas.

A partir daqui, a fotografia sai do domínio experimental e torna-se, pouco a pouco, um dado permanente da vida quotidiana.

Ano 1840 – Invenção da primeira objectiva de grande abertura por J. M. Petzval. Permite tempos de exposição reduzidos e a realização de retratos.

Ano 1847 – Invenção do processo de fotografia sobre vidro por Abel Niepce de Saint-Victor.

Ano 1815 – Processo de fotografia em vidro sensibilizado por colódio, de Frederick S. Archer: faz clichés de grande pormenor com tempos de exposição bastante curtos. Primeiro aparelho de fotos paisagísticas flexível de Richard Willat.

Ano 1853 – Objectiva de J. B. Dancer que permite fotografar com tempos de exposição da ordem de 1/10 de segundo e assim obter «instantâneos».

Ano 1871 – Processo de sensibilização das chapas de vidro por gelatino-brometo de Richard Leach Maddox; é o primeiro processo moderno.

Ano 1887 – Primeira película de celulóide inventada por Hannibal Goodwin.

Ano 1888 – Primeira máquina fotográfica popular, a Kodak, montada por George Eastman e comercializada com película de celulóide adaptada à máquina.

Anos 1893-1895 – Primeiro processo de fotografia a cores, elaborado por Frederic Eugene Ives.

Fonte: «Memória do Mundo – das origens ao ano 2000»