História dos calendários – os primeiros calendários

Todos os calendários, idealizados para fixar a cronologia dos factos, se baseiam se baseiam em três divisões fundamentais: o ano, o dia e o mês (de origem lunar). Um bom calendário tem de basear-se, acima de tudo, na duração exacta do ano solar, que se determina observando a posição das estrelas no firmamento, actualmente conhecida com grande rigor.

Os Sumérios estabeleceram, há 5.000 anos o primeiro calendário conhecido. Baseava-se no mês lunar ou lunação, que dizer, no tempo que decorre entre o começo de duas luas novas consecutivas, que é um pouco mais de 29 dias (exactamente: 29 dias, 12 horas e 44 minutos). Portanto, o ano – formado por 12 meses que se compunham de 29 ou 30 dias, alternadamente – era demasiado curto: só tinha 354 dias. Depressa se reconheceu que este calendário não estava de acordo com a passagem das estações. Por exemplo, ao fim de 8 anos, quando no calendário era Março, estava ainda a começar a estação invernal. Para que o calendário continuasse válido, de vez em quando tinha de ser “posto em dia” acrescentando-lhe um décimo terceiro mês.

Os Egípcios basearam o seu calendário no percurso do Sol e não nas mudanças da Lua. O seu ano estava dividido em 12 meses de 30 dias (total; 360 dias), a que se acrescentavam 5 dias consagrados às cerimónias em honra da reaparição de Sírio. Mas, ao fim de 730 anos, havia um desfasamento de 6 meses.

No ano 46 a.C., Júlio César estabeleceu um calendário que tomou o seu nome: o calendário juliano. Neste, os meses eram de 30 ou 31 dias, excepto o de Fevereiro, que só tinha 28. E para corrigir o atraso do calendário em relação às estações, de quatro em quatro anos o mês de Fevereiro tinha mais um dia. Esse ano chamava-se bissexto. Deste deriva o nosso calendário.

Na realidade, o ano do calendário juliano era 11 minutos e 14 segundos mais longo do que o ano natural. Este pequeno desajuste levou a que em 1582 a diferença fosse já de 10 dias. Por isso, o Papa Gregório XIII mandou fazer uma reforma das datas: os dias de 5 a 14 de Outubro de 1582 não existiram. E para evitar que este problema voltasse a surgir no futuro decidiu que se tinha de suprimir 3 dias de 400 em 400 anos (suprimindo como tais 3 anos bissextos). Pelo calendário resultante desta reforma, o calendário gregoriano, é que ainda nos regemos. De facto, o nosso ano ainda é um pouco mais longo do que o natural e, por isso, lá para o ano 5000 haverá que tirar mais um dia.

Pouco a pouco, o calendário gregoriano foi sendo adoptado pela maioria dos países. No entanto, a Inglaterra não o adoptou até 1752 e a Rússia até 1918. Em França deixaram de reger-se por ele em 1793, data em que entrou em vigor o calendário republicano. Mas voltou a ser adoptado em 1806.

Os Muçulmanos utilizam outro calendário que se baseia nas mudanças da Lua e não tem relação com a sucessão das estações. A sua numeração dos anos é muito diferente da nossa: não consideram como ano 0 o de nascimento de Cristo, mas o da hégira de Maomé, que ocorreu no dia 16 de Julho de 622 da nossa era.

O calendário judaico começa a 7 de Outubro do ano 3760 a.C., para os Judeus a data da criação do mundo. O nosso ano de 2016 corresponde ao ano 5776 (3760 + 2016 = 5776).

Fonte: Alfa Estudante – Enciclopédia Juvenil (vol.I)