Janeiro, o primeiro mês do ano

 

Janeiro deriva do latim Jannarium, e era consagrado a Janus ou Jano, deus romano de duas cabeças, que protegia as entradas e as saídas, e que foi dotado por Saturno com a graça de conhecer, no passado e no presente, tudo o que quisesse.

Este deus que presidia ao tempo, à paz e à guerra, era representado por uma cara com duas faces: uma virada para o passado e outra para o futuro. Por vezes, era representado por uma cabeça com quatro caras – as estações do ano. Era ainda representado com uma chave na mão direita e um bastão na esquerda.

Quando havia guerra, abriam-se as portas dum templo edificado em sua honra, em Roma, e só se fechavam quando os soldados regressavam. Este mantinha-se sempre fechado em tempo de paz.

Como a porta é o princípio da casa, Jano era venerado como o deus de tudo o que se inicia: da primeira hora do dia, do primeiro dia do mês, do primeiro mês do ano, etc. Era em honra desta divindade que os romanos costumavam visitar-se no primeiro dia do ano e trocarem presentes.

No primeiro calendário romano, atribuído a Rómulo, fundador de Roma, o ano tinha apenas 304 dias, divididos por 10 meses. Começava em Martius (Março) e acabava em Decembris (Dezembro). Depois, Numa Pompílio acrescentou mais dois meses, Janeiro e Fevereiro, passando para um ano de 354 dias. Janeiro era, portanto, o 11º mês desse calendário.

No ano 153 antes de Cristo o início do ano, que até então começava a 15 de Março, passou para 1 de Janeiro, em homenagem a Jano, que protegeu os romanos durante a guerra com os Celtiberos.

Em 566, no Concílio de Tours, e em 744, no Concílio de Roma, foi determinado que fossem expulsos das Igrejas os cristãos que festejassem o 1º de Janeiro com festas pagãs.

Durante este mês são costumes populares, entre outros: “Cantar os Reis” e “Cantar as Janeiras“.

 

Da natureza e efeitos do Signo do AQUÁRIO

(21 de Janeiro a 18 de Fevereiro)

Este signo é figurado por um homem recostado a um vaso de água, denotando as muitas águas e chuvas que caem. Este signo é de natureza quente e húmida, imprime calor e secura destemperada, e muito danosa, porque corrompe o ar, e assim faz dano a todas as coisas viventes e plantas.

O homem que nascer debaixo da influência deste signo, será de mediana estatura, cortez, secreto, de boas entranhas e venturoso no que empreender; denota que receberá algum golpe de ferro e perigo de água; e que terá inclinação a ir a terras estranhas, onde lhe irá melhor que na sua pátria. Denota, que se voltar, virá rico e próspero; e deve-se guardar muito de tomar paixão, porque lhe começará em demasia. Incerto quodam anno erit in dúbio vita sua. Denota-lhe também uma grave enfermidade, antes dos trinta anos, da qual, se se livrar, promete, conforme sua natureza e compleição, sessenta e oito anos de vida.

Se for fêmea denota que será muito reportada, e amiga do seu parecer, e que corre perigo de que perca tudo o que com sua indústria e trabalho tiver alcançado; e também mostra ter perigo de água, e que da mediana idade em diante passará melhor; ainda que antes dos trinta e oito anos lhe denota duas enfermidades: a primeira aos 24 anos, e a segunda aos trinta e cinco; e promete, conforme sua natureza e temperamento, oitenta e dois anos de idade.

(in “Lunário Perpétuo” – edição de 1901)

 

Superstições e crendices no mês de Janeiro

Para os nascidos neste mês as flores da sorte são os cravos e as campânulas brancas. No entanto, estas últimas não se devem levar para casa onde haja alguém enfermo, já que estas flores são tidas como presságio de morte.

As pedras preciosas que proporcionam felicidade quando oferecidas às pessoas cujo aniversário ocorra em Janeiro são as granadas, símbolo de constância. São pedras de doze faces, habitualmente de cor arroxeada.

Os agricultores acreditam que se neste mês se ouvirem os primeiros trovões haverá fertilidade de frutos, esterilidade nos campos, abundância de águas, ventos doentios e mortes de gado onde se ouvirem esses trovões.

Crença popular – Casado na geada e orvalho de Janeiro viúvo ficarás na Primavera da vida.

Provérbios:

– Em Janeiro, sobe ao outeiro: se vires verdejar, põe-te a chorar; se vires terrear (terra sem vegetação) põe-te a cantar.
– Em Janeiro, pasta a lebre no lameiro e o coelho à beira do regueiro.
– Em Janeiro, o boi e o leitão engordarão.
– Em Janeiro, um porco ao Sol, outro no fumeiro.
– Em Janeiro, sete capelos e um sombreiro.