Os Lenços dos Namorados – tradição no Minho

 

Porque estamos perto de celebrar o Dia dos Namorados – 14 de Fevereiro de 2018 – vamos apresentar um texto que nos fala sobre os “lenços dos namorados”.

Os “lenços dos namorados” existem por todo o país, com maior incidência no Minho, Alentejo e Açores, sendo no Minho que surge a mais importante recuperação desta arte, como componente fundamental da cultura popular desta região. Os Lenços de Namorados apresentam-se como a mais genuína forma poética e artística utilizada pelas moças do Minho, em idade de casar.

Pensa-se que a origem dos “lenços de namorados”, também conhecidos como “lenços de pedidos”, esteja nos lenços senhoris do século XVII e XVIII, e que foram adaptados pelas mulheres do povo com o fim de conquistar o seu namorado.

Antes de tudo, estes lenços faziam parte integrante do traje feminino e tinham uma função fundamentalmente decorativa. Eram lenços geralmente de linho ou algodão, bordados segundo o gosto da bordadeira.

Mas não é enquanto parte integrante do traje feminino, mas sim de outra função não menos importante, que lhe vem o nome: a conquista do namorado.

A moça quando estava próximo da idade de casar fazia o seu lenço bordado a partir de um pano de linho fino que por ventura possuía ou dum lenço de algodão que adquirira na feira.

O lenço era bordado então, nas longas noites de serão, nos momentos livres do dia ou aquando do pastoreio do gado, pela rapariga apaixonada que ia transpondo para o lenço os sentimentos que lhe iam na alma.

A rapariga usá-lo-ia ao Domingo na trincha da saia ou no bolso do avental; mais tarde oferecê-lo-ia somente ao rapaz que amava como compromisso de amor, este passaria a usá-lo ao pescoço, com o nó para a frente, no bolso do casaco do fato domingueiro, no chapéu ou no cajado com o qual normalmente andava.

Caso a rapariga não fosse correspondida o lenço voltaria às suas mãos. Se o namorado trocasse de parceira, fazia chegar à sua antiga pretendida o lenço, fazendo-o acompanhar de todos os objectos que dela possuía, como cartas e fotografias.

Rica em símbolos e motivos, os mais utilizados são flores, silvas, cântaros, cruzes, brasões, passarinhos, pombas, estrelas de Salomão, cestas, corações, chaves, peças agrícolas, borboletas, peixes, cães, letras, quadras, datas, coroas, ramos e casais de namorados cobertos ou não com um chapéu-de-chuva.

Outras vezes estes lenços eram motivo de simples brincadeiras ou troca de palavras. Nas festas os rapazes tiravam os lenços das raparigas simulando uma ligação amorosa.

Quando o rapaz já tinha namorada o facto de simular uma ligação com outra ao roubar-lhe o lenço era muitas vezes motivo de desavença entre a sua namorada e aquela a quem o lenço tinha sido roubado.

Desde então, estes lenços têm reflectido inúmeros sentimentos de raparigas casadoiras, exprimidos através destes símbolos de fidelidade ou devoção religiosa, onde os erros ortográficos são já uma característica incontornável.

 

Algumas quadras

Bai lenço da minha mão

Bai currer a freguesia

Bai dar em formações

Da minha sabeduria

 

E tanceto eu amarte

Como o lenço branco ser

Só deixarei de te amar

Cuando o lenço a cor perder

 

Coração por coração

Amor num troques o meu

Olha que o meu coração

Sempre foi lial ó teu

 

Meu Manel bai pró Brasil

Eu tamen bou no Bapor

Gardada no coração

Daquele qué meu amor

 

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