Março, o terceiro mês do ano

 

Março deriva do latim Martius. Foi consagrado por Rómulo a Marte (de quem aquele se intitulava filho), deus da guerra, pois entendia-se que era uma boa época para começar as guerras. Antes de cada expedição o general entrava no Templo de Marte, e diante dos escudos e das lanças, pronunciava esta invocação: “Vigia por nós, ó Marte!

No primeiro calendário romano era o primeiro mês do ano e tinha já 31 dias. Numa Pompílio, segundo rei de Roma e sucessor de Rómulo, ao acrescentar os meses de Janeiro e Fevereiro, deixou Março em terceiro lugar e retirou-lhe a honra de capitanear o ano.

Para os astrólogos Março é igualmente o primeiro mês do ano, já que o Sol entra no signo de Carneiro, que é o primeiro do Zodíaco, zona da esfera celeste na qual, aparentemente, se movem o Sol e os planetas.

Março, muito apesar da origem do seu nome, era em especial consagrado a Minerva, deusa da sabedoria; e nas calendas deste mês o paganismo celebrava, na antiga Roma, diversas festas e solenidades de carácter religioso. Neste mês as sacerdotisas e as vestais reacendiam o fogo sagrado no altar de Vesta, era feita a renovação dos louros secos depositados no Capitólio para coroar quem, pela pátria, porventura alcançasse algum triunfo e os novos magistrados escolhiam Março para início das suas funções.

Ainda assim, os antigos romanos reputavam este mês de mau agouro para a celebração de casamentos.

No Museu do Vaticano conserva-se uma estátua etrusca de Marte, bronze do século IV antes de Cristo.

Nos Lusíadas, Marte aparece como aliado de Vénus, a favor dos Portugueses.

 

Atena – Minerva

Filha de Zeus e de Métis, uma das suas esposas. Conta a história que Zeus devorou Métis, estando grávida de Atena, para evitar que se cumprisse a profecia de Gea e Urano: Zeus seria destronado pelo próximo filho, fruto da sua união. Quando chegou o momento do parto, Zeus ordenou a Hefesto, deus do fogo, que lhe abrisse a cabeça com um machado. Da sua cabeça nasceu Atena, completamente armada, o que representava a sua natureza guerreira e estratega.

É representada como uma bonita jovem, vestida com armadura a lança, herdeira da inteligência da sua mãe. Encarna a sabedoria e a justiça, é amante das artes e da cultura protetora dos Estados e da política. É conhecida como a deusa virgem, pois nunca se casou ou teve amantes. Na Grécia, o seu símbolo é a oliveira e, em Roma, o mocho.

Zeus – Júpiter

Zeus é filho de Réia e do Titã Cronos, irmão de Poseidon e de Hades. Destronou o seu pai para se tornar o deus mais poderoso do universo. Não só governava os semi-deuses, as ninfas, os seres mitológicos e os homens, mas também dominava o céu e os fenómeno atmosféricos. Na verdade, os raios e as tempestades eram considerados mensagens para os mortais.

Por ser o máximo representante do Olimpo, era o responsável por administrar justiça e resolver os problemas entre deuses e humanos. Apesar da sua esposa oficial ser Hera, disfrutava da companhia de várias esposas, com quem teve vários filhos e, inclusive, gostava de seduzir as mulheres mortais. Para tal, adotava a forma de um animal (por exemplo, a de um touro quando sequestra Europa). Aos filhos nascidos daquelas aventuras concedia-lhes o título de heróis.

A imagem de Zeus é representada com um raio na mão, a arma favorita com a qual fulmina os seus inimigos, ou com um ceptro.

Hera – Juno

Filha de Cronos e de Réia, é a irmã e a esposa legítima de Zeus, rainha do Olimpo, senhora do céu e da terra. Representa o casamento, a figura da esposa fiel e abnegada. Era uma jovem muito bela que sofria muito com as infidelidades do seu marido, o que acentuou o seu carácter vingativo e ciumento.

Perseguiu todas as mulheres que disseram ter um filho com Zeus, e maldisse os seus descendentes, que foram condenados a sofrer inúmeros infortúnios (como os famosos doze trabalhos de Hércules).

Frequentemente aparece representada por símbolos como o pavão real, a maçã (que se identifica com a fertilidade), a romã e o cuco, animal no qual se transformou para vingar uma das infidelidades de Zeus.

 

Da natureza e efeitos do Signo do CARNEIRO

(21 de Março a 20 de Abril)

Este signo é figurado por um carneiro: é de natureza de fogo, quente e seco, pelo qual imprime calor e secura temperadamente. É diurno, móbil e masculino. Entra o Sol neste signo a 21 de Março: neste dias se constitue e tem princípio o primeiro equinócio, que é serem os dias iguais com as noites: desde que o Sol entra no dito signo até que sai, cresce o dia hora e meia.

O varão que nascer debaixo da influência deste signo será engenhoso, prudente e de nobre ânimo, ainda que muito falador; com facilidade se apaixonará, porém com brevidade lhe passará. Denota que andará falando só consigo; e que não será muito rico, nem muito pobre e guardará fidelidade a seus amigos e terá com que viver. Denota-lhe um sinal notável no corpo e dano por algum animal de quatro pés e golpe de ferro e que padecerá alguns infortúnios e trabalhos. Finalmente mostra que terá uma perigosa enfermidade antes dos vinte e dois anos, da qual, se se livrar, denota que viverá, conforme sua natureza, setenta e cinco anos.

Se for fêmea, será iracunda e muito esperta em suas acções; denota este signo, que se casar enviuvará e que terá uma enfermidade perigosa na cabeça, ou nos joelhos, desde os sete anos até aos dezassete; e promete, conforme sua natureza, quarenta e seis anos de vida. E que assim o varão, como a fêmea, virão a grande pobreza, mas depois recuperarão tudo com sua própria indústria e trabalho.
(in “Lunário Perpétuo” – edição de 1901)

 

Superstições e crendices no mês de Março

Para os nascidos neste mês as flores da sorte são os narcisos amarelos. Não se deve levar uma destas flores isoladas para casa, mas em ramo, sob pena da ocorrência de um infortúnio. Quem encontrar o primeiro narciso amarelo na Primavera terá no resto do ano abundância de dinheiro.

As pedras preciosas que proporcionam felicidade quando oferecidas às pessoas no dia do seu aniversário em Março são as hematites, símbolo de coragem. A palavra hematite provém do grego e significa sanguíneo, ou seja, que tem a cor do sangue.

Os agricultores acreditam que se neste mês se ouvirem os primeiros trovões do ano, haverá muito vento e abundância de erva, de milho e de trigo.

 

Crença popular – Casado quando os ventos de Março uivam e rugem, teu lar ficará numa costa distante.

 

Provérbios:

– Março marceja (chuva miudinha), pela manhã chove a à tarde calmeja;
– Em Março, igual o trigo com o mato e a noite com o dia;
– Março, nem quando molhe o rabo ao gato; em Abril, quantas (águas) puderem vir;
– Março de ano bissexto, muita fome e muito mortaço;
– Março pardo, antes enxuto que molhado;

 

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