“P” de Primavera, Páscoa e Porto

 

Na Semana Santa, o tempo de reencontro e de renovação dos laços de amor familiar deve ser celebrado com o mais emblemático vinhos de Portugal – o vinho do Porto.

A estação mais fria e cinzenta termina e dá lugar às cores fecundas da natureza, aos dias longos, a uma vida mais apaixonada. A paixão divina de Cristo pela humanidade tinha de ocorrer na primavera. Nas celebrações da Semana Santa, o tempo de reencontro e de renovação dos laços de amor familiar deve ser comemorado com o mais emblemático dos vinhos de Portugal – o vinho do Porto.

Na verdade, não existe um vinho do Porto, mas dois estilos que correspondem a modos de criação totalmente diferentes. Com as uvas tintas do Alto Douro vinhateiro podemos apreciar a sua enorme concentração corante, a estrutura quase sólida e os aromas jovens de frutos do bosque, de flor de laranjeira e violeta, se engarrafarmos os vinhos logo após a vindima ou nos primeiros anos de vida. O estilo ruby ou frutado, sobretudo nas categorias Late Bottled Vintage e Vintage, propõe que seja o consumidor a envelhecer as suas garrafas na cave ou já consumir os vinhos muito escuros, frutados e mastigáveis acompanhando sobremesas mais rijas, como chocolate ou queijos mais secos.

Com as mesmas uvas tintas do Alto Douro Vinhateiro podemos procurar o envelhecimento elegante, a cremosidade de um corpo que emana aromas de madeira, frutos secos, pastelaria, mel, passas e especiaria entre notas de iodo, se engarrafarmos os vinhos após um longo descanso oxidativo em pipas de madeira, nas caves do Douro ou nas de Vila Nova de Gaia. Estes vinhos tawny ou alourados que chegam à sua casa já prontos para serem abertos e assim se manterem numa bonita garrafa, sobretudo nas categorias Colheita, 10, 20, 30 ou 40 Anos, são apóstolos da doçaria conventual ou de queijos de pasta amanteigada e de entorna.

Tenha uma Páscoa feliz.

Aníbal Coutinho – Crítico de Vinhos e Enólogo (Continente Magazine) | Imagem de icdklubben por Pixabay