A propósito do Dia 1 de Maio – três dias num só!

 

Dia 1 de Maio, Dia do Trabalhador, Dia da Solidariedade e Dia de S. José Operário

A exploração do homem pelo homem é uma constante na História da Humanidade. E se com o decorrer dos tempos se verificou uma maior aproximação social entre quem dá trabalho e quem trabalha— estão longe os tempos do proletariado e mesmo o operariado tem outra expressão – a verdade é que os direitos do trabalhador têm que ser ainda conquistados palmo a palmo, face a outros interesses tanto mais contraditórios quanto maior for o monopólio empresarial.

Mas é preciso compreender o 1º de Maio na sua essência, para o que necessário se torna entrar na sua História, e explicar às mais novas gerações a sua caminhada – da revolução industrial à globalização.

Mas façamos um pouco de história.

Estamos em 1886, na agricultura trabalha-se de sol a sol e os trabalhadores reivindicam melhores, mais humanas condições de trabalho – é a luta pelas oito horas. E é precisamente no dia 1 de Maio desse ano, que em Chicago, uma grande manifestação termina em tragédia. Era o tempo em que o operário era considerado como carne para canhão, em que importava dar-lhe uma lição que por muito tempo fosse recordada. É todo um tempo de história marcado pela repressão e pelo sofrimento, em que desnecessário se tornava esconder tais sentimentos, que hoje também há ainda quem pense assim. Simplesmente…

Também neste campo das relações de trabalho, o associativismo teve e vem tendo uma acção decisiva, e pena é, por vezes até com alguma razão, estas acções sejam encaradas como de cariz partidária, o que é pena. É que, goste-se ou não se gosto, o trabalho é a força motriz do desenvolvimento, e quem o faz tem que ser encarado com o devido respeito e a devida responsabilidade. Deveria, aliás, compreender-se, que empresário e trabalhador se complementam, o empresário deveria entender que só um trabalhador motivado, sem problemas económicos pode produzir devidamente, assim como o trabalhador não pode esquecer que só produzindo o seu posto de trabalho poderá estará garantido.

Por tudo isto, o 1º de Maio será sempre uma data a comemorar, e pena é que não o seja apenas para recordar tempos de luta, mas que haja ainda necessidade de continuar a reivindicar.

Seja-nos entretanto permitido, aqui recordar o papel que a Igreja teve então nalgumas destas lutas. É o caso, por exemplo do Papa Leão XIII, que na Encíclica “Rerum Novarum” de 15 de Maio de 1891,refere o “terrível conflito” que se estava a gerar “entre o mundo do capital e o do trabalho”, atirando o trabalhador para uma situação de “miséria imerecida”. Era então a luta do operariado, que a exemplo dos trabalhadores da agricultura trabalhava de sol a sol.

Já nessa época, alguns Reformadores Sociais propunham um dia dividido em três partes de oito horas – uma para o sono, outra para o estudo e para o lazer, e uma terceira para o trabalho, durante cinco dias da semana (de segunda a sexta-feira). E é precisamente esse o objectivo dos milhares de trabalhadores que em Chicago, e conforme já referimos, saem para a rua e sofrem brutal repressão.

Entretanto, com avanços e com recuos a luta tem continuado, necessariamente, afirme-se, porque mesmo com leis mais ou menos satisfatórias estas só por si não têm sido suficientes, sendo preciso lembrar constantemente, que o grande objectivo, conforme refere o Papa João Paulo II na Carta Encíclica “Laborem Exercens” é “tornar a vida mais humana”.

Recorde-se também, que com o decorrer dos tempos o movimento operário se tornou extensivo a todos os trabalhadores, no que tem sido importante o papel desempenhado pelo associativismo e pelo sindicalismo. E trabalhador não é apenas quem maneja a enxada ou o martelo, que a caneta (por exemplo) também é um instrumento de trabalho.

Dia de festa, pois se comemora uma data histórica, se celebram alguns direitos adquiridos e outros se reivindicam, o 1º de Maio é bem, por tudo o que foi dito, o DIA DO TRABALHADOR – mas também o DIA DA SOLIDARIEDADE (para os Movimentos Operários da Acção Católica), e o DIA DE S.JOSÉ OPERÁRIO (por determinação do Papa Pio XII, em 1955).

 

Fonte do texto: Boletim em Linha – nº61 (Maio de 2018) do Grupo de Promoção Sócio-Cultural de Montargil