Provérbios num calendário rústico

Este artigo sobre o “calendário rústico” é constituído por um conjunto de provérbios relacionados com as actividades agrícolas ao longo do ano, recolhidos em diversas localidades de norte a sul de Portugal e que fazem parte Livro V da obra de José Leite de Vasconcelos, intitulada “Etnografia Portuguesa”.

Os provérbios (adágios, rifões, ditados populares ou anexins), com origem no latim proverbium, são frases ou expressões de carácter popular, normalmente curtas, das quais não se conhece o autor, baseiam-se no senso comum de uma determinada realidade sócio-cultural e que, por terem sido repetidos ao longo dos anos, integram as características culturais dos respectivos habitantes.

Os provérbios são, assim, elementos de sabedoria popular que transmitem conhecimentos comuns sobre a vida do dia-a-dia, às vezes contraditórios, pois a “verdade” a que dizem respeito não pode ser separada da comunidade sócio-cultural que lhe deu origem.

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» Janeiro, cada suco (sulco) seu ribeiro (Chaves).

» Em Janeiro, põe-te no outeiro: se virdes verdejar, põe-te a chorar; e, se vires terrear, põe-te a cantar.

» Se queres ser bom alheiro, planta os alhos em Janeiro.

» Em dia de S. Matias (24 de Fevereiro) começam as enxertias

» Quem poda em Março, vindima no regaço (Tolosa).

» Do grão te sei contar que em Abril não há-de estar nascido nem por semear.

» Maio, desapondai-o (Pastoria, concelho de Chaves).

» Quem semeia depois de Maio, semeia para o gaio (Pastoria, concelho de chaves).