Rota do Contrabando | 8 rotas: das artes ao vinho

 

O distrito de Portalegre [Alentejo], pela zona geográfica que ocupa, junto à raia espanhola, foi uma das áreas mais utilizadas para fazer contrabando. A pé, de bicicleta ou até de burro, durante décadas os contrabandistas andavam por trilhos para escaparem à apertada vigilância da Guarda Fiscal e da Guardia Civil.

Para lá, os portugueses, levavam café ou açúcar e traziam tabaco, bebidas alcoólicas, tecidos ou produtos de higiene pessoal. Trocavam-se produtos que escasseavam de cada um dos lados da fronteira para fazer face a dificuldades económicas. Este lucro fácil, foi, durante muito tempo, uma economia paralela, e ilegal, alimentada por portugueses e espanhóis.

O objectivo desta rota não é, de todo, fazer a apologia do contrabando, mas sim verificar como ele também foi um meio para a aproximação de povos e ligação entre várias populações que, protegidas pela escuridão da noite, arriscavam a vida para arranjar mais algum dinheiro.

Em pouco mais de 100 km de terrenos, que vão de Elvas a Nisa, é possível andar pelos percursos dos contrabandistas, que estão devidamente assinalados, e aproveitar para visitar as localidades e conhecer a gastronomia de cada uma das zonas, assim como o património histórico, arquitectónico e paisagístico.

É usual realizarem-se passeios e caminhadas entre Elvas – Badajoz, Campo Maior – Badajoz, Arronches – La Godozera, S. Julião – Albuquerque ou Nisa – Cedillo.

Fique a conhecer, também, a Rota do Fresco.

Fonte: folheto promocional

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A aventura do contrabandista

“O contrabandista é raiano. Vive nas aldeias que se localizam junto da fronteira e conhece como ninguém os caminhos que o levam até ao seu sustento. As distâncias percorridas são enormes, mas o contrabandista não se deixa vencer pelos caminhos nem pelo peso da carga. Nas noites em que sai demonstra bem a sua capacidade física e o seu cariz heróico, astuto e aventureiro. Manuel Leal Freire que conhece bem a vida do contrabandista refere que “Dura, bem dura, era já a função.

Levar às costas, em desajeitada acomodação, quarenta quilos de cornos, que foi das mercadorias mais passadas, da segunda linha portuguesa à homóloga espanhola (de cinco a seis léguas no mínimo), por trancos e barrancos, em noite caliginosa e muitas vezes de tempestade, passando a vau regatos, ribeiras e rios, fugindo de todos os caminhos transitados ou transitáveis, atravessando fincas de gado bravo, e sempre com o ouvido atento aos berros do guia, núncio da presença dos fiscais, tinha muito de penoso.

De qualquer modo os pobres da raia não tinham opção.

Dos quinze aos cinquenta anos, os indivíduos varões, não afectados de doença ou incapacidade natural, estavam à disposição dos contratadores… E mulheres havia que também participavam.” Continuar a ler