Rota dos Escritores do séc. XX | Turismo cultural

 

Partir à descoberta da geografia de alguns dos mais significativos escritores e poetas portugueses é o desafio desta rota. Uma outra forma de conhecer o País, em percursos e caminhos alternativos.

Este itinerário, que inclui casas e regiões ligadas à vida de ficcionistas e poetas, tem em conta não só os lugares de toda a literatura como aquelas paisagens e recantos que inspiraram as obras. Usar a literatura como ponto de partida para elaborar um mapa de património cultural da Região Centro foi a ideia principal do projecto A Rota dos Escritores do século XX, uma iniciativa da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) que contou com o apoio de dez câmaras municipais.

Afonso Lopes Vieira, Aquilino Ribeiro, Carlos de Oliveira, Eugénio de Andrade, Fernando Namora, Miguel Torga e Vergílio Ferreira foram os escritores seleccionados.

A CCDRC publicou um livro ilustrado, sobre a vida e obra de cada um dos autores, com um roteiro turístico da zona. Nele figuraram informações sobre a história, património, natureza e gastronomia, assim como diferentes sugestões de percursos, para fazer a pé ou de carro.

A curiosidade natural, sentida por muitos leitores, em relação à pessoa que se esconde por detrás de um livro continua a ser razão suficiente para se fazer ao caminho. S.S.O

Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro
Rua Bernardim Ribeiro, 80, Coimbra, T. 239 400 100

Poderá também gostar de ler sobre a Rota do Vinho do Porto ou sobre a Rota das Aldeias do Xisto.

 

Sobre os escritores…

Afonso Lopes Vieira

Afonso Lopes Vieira nasceu em Leiria a 26 de Janeiro de 1878 e faleceu em Lisboa a 25 de Janeiro de 1946. Era filho de Afonso Xavier Lopes Vieira e de Mariana Xavier Lopes Vieira, sobrinho-neto do poeta, prosador e jornalista António Xavier Rodrigues Cordeiro.

Na aldeia de Cortes – Leiria, na livraria em casa do seu tio-avô, privou com os clássicos aí existentes. Aliás a sua vida foi vivida entre o seu solar em Lisboa e a casa de Verão de São Pedro e completada com algumas viagens por Espanha, França, Itália, Bélgica, norte de África e Brasil.

Ainda que, nas palavras do poeta, fosse ” o mesmo aluno medíocre que já for ano curso dos liceus” formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra em 1900. Declinou o cargo de subdelegado régio e tentou a carreira de advogado sob a alçada do pai até 1906, ano em que aceitou o cargo de redactor na Câmara dos Deputados que exerceu até 1916. Continuar a ler na fonte

Aquilino Ribeiro

Nascido a 13 de setembro de 1885 no concelho de Sernancelhe, freguesia de Carregal de Tabosa (uma lápide assinala a casa onde se julga que nasceu), filho de Mariana do Rosário Gomes e do padre Joaquim Francisco Ribeiro, tem uma infância, ao que se sabe, de miúdo um pouco mais que travesso, a tal ponto que ainda hoje é possível encontrar na zona quem tenha ouvido contar histórias picarescas de um menino destinado pela família à vida de sacerdócio.

A sua ida para o Colégio da Senhora da Lapa, em 1895, seria o início de um percurso que o leva seguidamente para Lamego, mais tarde para Viseu (ano de 1902), onde vai estudar Filosofia, e, pouco tempo depois, para o Seminário de Beja, frequentado, ao que consta, pelos ordenandos mais recalcitrantes.

Em 1904 é expulso do seminário, depois de ter dado uma réplica cortante a uma acusação do Padre Manuel Ançã, um dos dois irmãos que ao tempo dirigiam a instituição. Continuar a ler na fonte

Carlos de Oliveira

Carlos Alberto Serra de Oliveira nasceu 10 de agosto de 1921, em Belém, estado do Pará, Brasil. Filho de imigrantes portugueses naquele país, veio aos dois anos para Portugal. A família fixa-se no concelho de Cantanhede, na região da Gândara, mais precisamente na vila de Febres, onde o pai exerceu medicina.

Em 1933 Carlos de Oliveira muda-se para Coimbra, com o fim de prosseguir os estudos liceais e universitários, ingressando na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde se licencia em Ciências Histórico-Filosóficas, em 1947, com a tese Contribuição para uma estética neo-realista.

É neste período que o cronista, crítico e tradutor, despertou para a escrita no seio da geração dos neo-realistas. Já em 1937, publicou em conjunto com Fernando Namora e Artur Varela, um livro de novelas, com o título Cabeças de Barro, com chancela da Moura Marques & filho. Continuar a ler na fonte

Eugénio de Andrade

José Fontinhas (nome verdadeiro de Eugénio de Andrade) nasceu a 19 de Janeiro de 1923 em Póvoa de Atalaia, uma pequena aldeia da Beira Baixa situada entre o Fundão e Castelo Branco, filho de uma família de camponeses, “gente que trabalhava a pedra e a terra”. A sua infância é passada com a mãe, que é a figura dominante de toda a sua vida e da sua poesia. O pai, filho de camponeses abastados, pouco esteve presente, dado que o casamento, efectuado mais tarde, durou muito pouco.

Entra para a escola da aldeia natal aos 6 anos. Um ano depois, muda-se com a mãe para Castelo Branco. Em 1932, muda-se novamente, agora para Lisboa, cidade onde se fixara seu pai, e onde permanece por um período de 11 anos. Conclui, entretanto, a instrução primária. Prossegue os estudos e, em 1935, afirma-se em si o interesse pela leitura. Passa horas a ler em bibliotecas públicas e começa a escrever poemas.

Em 1938 escreve uma carta e envia três ou quatro poemas a António Botto, que manifesta interesse em conhecê-lo. Em 1939 publica o seu primeiro poema, “Narciso” e, pouco tempo depois, passa a assinar com outro nome: nasce o poeta Eugénio de Andrade. Continuar a ler na fonte

Fernando Namora

Fernando Gonçalves Namora nasceu em Condeixa-a-Nova em 15 de Abril de 1919 e faleceu em Lisboa, 31 de Janeiro de 1989. Pertenceu à geração de 40, grupo que reuniu personalidades marcantes como Carlos de Oliveira, Mário Dionísio, Joaquim Namorado ou João José Cochofel.

O seu volume de estreia foi Relevos (1937), livro de poesia, porventura sob a influência de Afonso Duarte e do grupo da Presença. Mas já publicara em conjunto com Carlos de Oliveira e Artur Varela, um pequeno livro de contos Cabeças de Barro.

Ainda estudante e com outros companheiros de geração funda a revista Altitude e envolve-se activamente no projecto do Novo Cancioneiro (1941), colecção poética de 10 volumes que se inicia com o seu livro-poema Terra, assinalando o advento do neo-realismo, tendo esta iniciativa colectiva, nascida nas tertúlias de Coimbra, de João José Cochofel, demarcado esse ponto de viragem na literatura portuguesa. Continuar a ler na fonte

Miguel Torga

Miguel Torga (pseudónimo de Adolfo Correia Rocha) nasceu em S. Martinho de Anta (12.08.907) e morreu em Coimbra (17.01.995). É autor de uma obra extensa e diversificada, compreendendo poesia, diário, ficção (contos e romances), teatro, ensaios e textos doutrinários.

Em 1934, ao publicar o ensaio intitulado A terceira voz, o médico Adolfo Rocha adota expressamente o nome de Miguel Torga. Associando o fitónimo “torga” – evocativo de resistência e de pertinaz ligação à terra, propriedades de um pequeno arbusto do mesmo nome- a “Miguel”- nome de escritores ibéricos (Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno), de artista visionário e genial (Miguel Ângelo) e de Arcanjo com forte motivação semântica (“Quem como Deus”), o poeta (então, com apenas 27 anos) escolhe um programa ético e estético centrado no confessionalismo e na busca de autenticidade.

A dominante autobiográfica é, de resto, uma marca geracional. Não pode esquecer-se que Torga viria a participar, por pouco tempo, no movimento da Presença, vindo a demarcar-se dele, não tanto por força de divergências substantivas mas em virtude de um fortíssimo impulso individualista. Continuar a ler na fonte

Virgílio Ferreira

Vergílio Ferreira iniciou a sua actividade literária na década de quarenta do século XX.

Seduzido pela força do neorealismo, sofrerá uma sensível mudança que o tornou marginal à ideologia marxista, mas que o afastará também do catolicismo. O que essencialmente o fez mudar, como ele próprio escreveu, não foi a aspiração ao humanismo e à justiça, mas um conceito prático de justiça e de humanismo, pois que se os modos de concretização de um sonho podem sofrer correcção, não o sofreu neste caso, a aspiração que visava concretizar. Transparecia seguramente nesta mudança.

O que seja esse equilíbrio ele no-lo diz, remetendo-o para o insondável e incognoscível de nós, um substrato gerado ao longo dos infinitos acidentes, encontros e desencontros e que nos surge como anterioridade radical às nossas escolhas e opções. Por isso “o impensável e o indiscutível subjaz a todo o pensar, e para lá dele, ao sentir”, sendo sobre esse impensável que se nos organiza a harmonia do pensar, que ulteriormente tentamos explicar ou demonstrar com a disciplina da razão. Este é um dos temas mais recorrentes no pensamento de VF, a que já se referira na sua mais importante obra filosófica, a Invocação ao meu Corpo, ao considerar que “há duas zonas no homem que são a das origens e a da concretização, a do indizível e a do dizível, a do absoluto e a da redutibilidade”. Continuar a ler na fonte