Valença veste-se de flores na Mostra de Maias

 

Durante a Festa das Maias, entre os dias 30 de abril e 6 de maio, Valença veste-se de flores campestres, com destaque para as giestas. Nesse período, vinte e cinco coletividades, a par do comércio, dos serviços e moradores, vão encher de flores a cidade de Valença.

7 dias de cidade florida

Durante sete dias, Valença vai apresentar-se muito colorida, cheia de flores campestres, revivendo, assim, uma tradição secular.

Nas lojas de comércio, edifícios públicos, rotundas, jardins e portas da Fortaleza, as Maias (coroas de flores), com os mais diversos tamanhos e arranjos artísticos, vão dar uma alegria e um colorido especial à cidade.

Flores campestres espalhadas pela cidade

As giestas, os verdes, diversas flores campestres e alguns materiais recicláveis vão dar uma cor primaveril às principais ruas de Valença. Por todo o concelho, muitas outras Maias e raminhos de giesta vão enfeitar as varandas, os portões e as viaturas.

Culto Pré-Cristão da Primavera

Com as “Maias”, Valença revive, assim, e desde há já alguns anos, a mais antiga festa de celebração da Primavera e do novo ano agrícola. Uma expressão viva da tradição e cultura popular que Valença tem vindo a recuperar nos últimos anos, e que serve para se pedir um ano farto nos campos das nossas aldeias.

Uma iniciativa da Câmara Municipal que envolve, não só o comércio local, mas toda a comunidade.

Os Maios e as Maias

Maias em Valença

“Com a entrada do mês de Maio, enfeitam-se de giestas floridas as janelas das casas nas vilas e aldeias do Minho anunciando a chegada da Primavera em todo o seu esplendor e, com ela as flores que contribuem para alegrar a nossa existência, perfumar e dar colorido ao ambiente que nos rodeia. São as maias feitas de ramos de giestas com as suas flores amarelas as quais, por tradição, são colocadas nas portas e carros agrícolas, constituindo este costume uma forma de celebrar o renascimento da vida vegetal. No concelho de Caminha, em pleno Alto Minho, uma das localidades onde a festa é vivida com mais intensidade, as giestas floridas aparecem em todos os sítios, incluindo nos veículos que transitam na via pública.

Actualmente pouco divulgada, a festa das maias foi noutras épocas celebrada em todo o país, tendo caído em desuso devido a sucessivas proibições devidas a rixas originadas pelo despique entre localidades ou ainda por motivos religiosos, como sucedeu em 1402 por imposição régia a qual determinava “nõ cantassem mayas, ne Janeiras, e outras cousas q eram contra a ley de deus”. A sua origem perde-se nos tempos e corresponde às Florálias celebradas entre os romanos e dedicadas a Flora, deusa das flores e da Primavera, a quem consagravam os jogos florais. Durante três dias consecutivos, as mulheres dançavam ao som de trombetas, sendo coroadas de flores as que logravam ganhar os jogos, adornando-se desse modo à semelhança da própria divindade a que prestavam culto. Aliás, é precisamente aos romanos que se atribui a implantação de tal costume na Península Ibérica, tendo a mesma alcançado especial aceitação na região do Algarve.” (Continuar a ler)