14 de Agosto de 1385, dá-se a Batalha de Aljubarrota

A Batalha de Aljubarrota

A Batalha de Aljubarrota marca, como se sabe, o momento decisivo da guerra luso-castelhana de 1384-1397.

Depois de a invasão castelhana que cercou Lisboa ter retirado em virtude da peste, D. João I de Castela voltou a reunir as suas tropas para tentar de novo conquistar o nosso país. Contava, então, com o apoio de várias praças e castelos que ainda lhe obedeciam.

De facto, o rei de Portugal, recém-aclamado nas Cortes de Coimbra (Março/Abril de 1385), ainda em Julho tentava conquistar Torres Novas e Alenquer, enquanto os Castelhanos atravessaram a fronteira da Beira e se dirigiram sobre Coimbra, que não tentaram conquistar, prosseguindo depois para Lisboa.

Reunidos em Abrantes os exércitos de D. João I de Portugal e do condestável Nuno Álvares Pereira, decidiram, depois da hesitação de alguns, interceptar os invasores.

Avançaram, pois, até Tomar e Porto de Mós, ao mesmo tempo que os Castelhanos chegavam a Leiria.

O encontro acabou por se dar junto da posição escolhida pelos Portugueses, na estrada de Leiria para Lisboa, por Alcobaça, entre dois ribeiros a sul da Calvaria, no dia 14 de Agosto de 1385.

A preparação da batalha

Os Castelhanos, depois de terem avistado os nossos, hesitaram longamente antes de se decidirem finalmente a atacar, pelas seis da tarde.

Viram-se, porém, obrigados a contornar a nossa posição e a investir pelo lado sul, o único com uma vertente acessível a uma carga de cavalaria.

A este e oeste havia os vales onde corriam os dois ribeiros e a Norte o pendor era demasiado pronunciado.

Todavia, a estreiteza desta frente, e provavelmente as armadilhas e covas de lobo que os Portugueses, parece, ainda tiveram tempo de escavar numa parte do percurso da cavalaria inimiga, obrigou-a a concentrar-se excessivamente e a atacar nas piores condições.

Dá-se a batalha de Aljubarrota

Assim, embora os Castelhanos fossem muito mais numerosos, dispusessem de bocas de fogo, na verdade muito primitivas, e tivessem até conseguido, no primeiro embate, romper a defesa das lanças portuguesas, foram logo atacados pelos dois flancos e rapidamente desbaratados.

Não conseguindo retirar em ordem, devido igualmente à estreiteza da frente em que atacavam, desorganizaram-se completamente e fugiram em todas as direcções, perseguidos até às carruagens onde vinham os abastecimentos.

A batalha acabou ao cair da noite, depois de pouco mais de uma hora de combate. O rei de Castela teve de fugir de noite para Santarém, que lhe era fiel. Embarcou, pouco tempo depois, numa das galés que fundeavam junto de Lisboa para atacarem a cidade por mar, e seguindo daí para Sevilha.

Batalha de Aljubarrota
Batalha de Aljubarrota (Iluminura da Crónica de Inglaterra de Jean Wavrin, Museu Britânico)

Após a batalha

A enorme derrota desmoralizou fortemente o inimigo, e principalmente aqueles que ainda resistiam em cidades portuguesas. A partir dai, as operações militares se reduzissem quase só às zonas de fronteira.

É claro que o ambiente de contradição que ainda reinava no nosso país levava a que os partidários de D. João I acentuassem vivamente o triunfo e o considerassem como sinal da protecção divina, fazendo do acontecimento motivo de propaganda.

De facto, a descrição da batalha por Fernão Lopes e a construção do Mosteiro da Batalha mostram bem o aproveitamento ideológico que dele se fez.

A constante ameaça do imperialismo castelhano, que não deixou mais de pesar sobre Portugal, levou a sublinhar ainda mais, nas décadas e séculos seguintes, o significado nacional de Aljubarrota.

Também convidou os eruditos e historiadores, nas épocas de mais exaltado nacionalismo, a investigarem cuidadosamente os seus pormenores, unindo numa mesma admiração pelas glórias do passado nacional os adeptos de opções políticas opostas, como o tenente-coronel Botelho da Costa Veiga (1959) e o coronel Vasco Gonçalves (1983). [J. M.]

Fonte: Dicionário Enciclopédico da História de Portugal (texto editado)