Robalo – Três receitas bem saborosas e fáceis!

Robalo no forno com azeitonas

Ingredientes

2 chávenas de mix de azeitonas temperadas

3 dentes de alho

1 colher de chá de pimentão-doce

azeite q.b.

1 colher de sopa de vinagre

tomilho fresco q.b.

1 robalo amanhado

sal grosso q.b.

12 chávena de vinho branco

Confecção

Numa taça, misture as azeitonas com um fio generoso de azeite, os dentes de alho picados, tomilho, o pimentão-doce e o vinagre.

Coloque o robalo num tabuleiro de forno e tempere-o com sal grosso.

Cubra-o com a mistura de azeitonas e azeite e regue-o com o vinho branco.

Leve-o ao forno pré-aquecido a 200°C por cerca de 30 minutos, coberto com papel vegetal.

Ceviche de Robalo

Ingredientes

1 cebola roxa

6 limas (sumo)

2 lombos de robalo fresco

1 alperce

cebolinho q.b.

sal e pimenta q.b.

Confecção

Coloque a cebola numa taça cortada em rodelas finas.

Regue-a com o sumo das limas e deixe-a marinar por cerca de uma hora num local fresco,

Arranje os lombos de robalo, retirando-lhes a pele e cortando os em cubos pequenos.

Junte os cubos à cebola marinada e envolva bem.

Deixe repousar por alguns minutos e sirva com o alperce por cima cortado em fatias finas.

Polvilhe tudo com cebolinho picado e tempere com sal e pimenta,

Robalos com massa de sal e claras

Ingredientes

1,5 kg de sal marinho

1 colher de sopa de pimenta-preta moída

2 robalos médios amanhados com escamas

1 clara de ovo

1 colher de sopa de alho em pó

15 ml de óleo

1 colher de sopa de ervas finas

1 limão

15 ml de óleo

1 tomate

alecrim q.b.

Confecção

Numa taça, misture o sal com a pimenta, o alho e as ervas finas até estarem completamente incorporados.

Junte a clara de ovo e o óleo e amasse com as mãos, até obter uma areia molhada macia.

Abra a barriga dos peixes e recheie-as com rodelas de limão e de tomate e raminhos de alecrim.

Num tabuleiro, faça uma cama com parte da mistura de sal que preparou e coloque os peixes por cima.

Cubra os peixes na totalidade com a restante mistura e leve-os ao forno pré-aquecido a 180°C por cerca de 40 minutos.

Antes de servir, parta a carapaça de sal com um martelo.

Fonte: Continente Magazine

O robalo é um peixe saboroso e multifacetado

O robalo

Muito apreciado na gastronomia portuguesa, o robalo é um peixe multifacetado a nível culinário: vai à mesa preparado de mil e uma maneiras, sempre deliciosas, sempre irresistíveis.

Além disso, é também um alimento saudável.

Saiba, pois, mais sobre este pescado.

O melhor peixe do mundo é português

Portugal é o terceiro consumidor mundial de peixe (apenas ultrapassado pela Islândia e Japão) e o maior consumidor da União Europeia.

Adoramos este alimento, não há dúvida, talvez porque o nosso é “o melhor peixe do mundo“.

Podemos dizê-lo sem peneiras ou mania de grandezas, até porque as palavras vieram de terceiros:

– chefs de renome internacional como Ferran Adriá admitiram o facto;

– um dos melhores restaurantes de Nova Iorque, o Per Se, abastece-se de peixe português, que lá chega transportado de avião.

Não admira, por isso, que o nosso robalo, da espécie Dicentrarchus labrax, um dos mais nobres habitantes da costa marítima portuguesa, faça as delícias de qualquer um, com a sua carne branca, delicada, firme, mas leve e com poucas espinhas.

Privilegiados pelo oceano Atlântico

A frota portuguesa opera quase exclusivamente na zona costeira, principalmente até às seis milhas.

Nestas áreas de pesca, essa frota, composta sobretudo por embarcações de pequeno porte, opera com diversas artes que têm passado de geração em geração como, por exemplo,

– as redes de emalhar e de tresmalho,

– as armadilhas

– e as artes de pesca a linha.

Há robalo noutros pontos, é certo, desde o canal da Mancha até ao Senegal, passando pela Noruega e pelo Mediterrâneo.

Mas, oceanógrafos e biólogos marinhos, dos Açores e não só, concordam que as condições naturais do nosso mar (que conjuga planura, profundidade, temperatura e biodiversidade) explicam a qualidade do pescado português.

Somos um povo privilegiado com o que o nosso Atlântico nos oferece.

Versatilidade económica

Sabemos tirar partido deste peixe que em algumas zonas de França foi apelidado de “lobo-do-mar”, devido à sua grande voracidade.

Gostamos dele simplesmente grelhado (escalado ou não), ao sal, assado no forno, cozido, a vapor, em ceviche, em sushi, em filetes, em caldeiradas, em massadas, em sopas…

Há limite para o seu uso culinário?

Possivelmente não, desde que haja imaginação.

Sugestão de leitura: Robalo: três receitas bem saborosas e fáceis!

Características

O robalo, em adulto, vive em águas costeiras, até uma profundidade de 100 metros, bem como em águas de baixa salinidade junto aos estuários e lagoas costeiras (no verão), podendo, ocasionalmente, ser encontrado em rios.

Os exemplares juvenis formam cardumes em conjunto com outras espécies e os adultos vivem solitários.

Reproduz-se de janeiro a abril e é um predador voraz, alimentando-se de crustáceos, moluscos e peixes.

Benefícios para o organismo

Este peixe fornece diferentes vitaminas do complexo B, nomeadamente tiamina, niacina, vitaminas B6 e B12.

Estas vitaminas têm diversos papéis no organismo e o seu aporte adequado é importante

– para manter o normal funcionamento dos sistemas nervoso e imunitário,

– para uma adequada função cardíaca e psicológica

– e para o normal metabolismo de produção de energia,

promovendo, ainda, a redução do cansaço e fadiga.

Curiosidades sobre o robalo

– É a terceira espécie mais produzida por aquicultura em Portugal, depois do pregado e da dourada.

– Sendo um peixe predador, o robalo tem sentidos muito apurados, sobretudo a visão: consegue distinguir a maioria das cores e tem uma perceção muito sensível no que diz respeito a captar pequenos movimentos.

Esta capacidade indica-lhe quando há uma presa para atacar.

– É um peixe solitário, mas quando se trata da defesa do território, junta-se em grandes cardumes para afastar os intrusos.

Em especial os juvenis, são vistos a nadar em conjunto com outras espécies.

Como escolher

Quando for comprar robalo, tenha em conta os seguintes aspetos:

Olhos: brilhantes, convexos e translúcidos.

Brânquias ou guelras: rosa-avermelhado e sem muco.

Corpo: alongado, rijo.

Escamas: finas e brilhantes.

Cor: pigmentação branca prateada.

Odor: a mar.

Nota: o robalo está disponível para consumo ao longo de todo o ano.

Como conservar

O peixe deve ser o último produto a adquirir no supermercado, pois é um alimento muito perecível.

Ao transportá-lo, não deve sobrepor-se sobre o mesmo nenhum outro produto.

Em casa, coloque o robalo de imediato no frigorífico até ao momento da sua confeção.

Como consumir

Muito apreciado na culinária portuguesa, o robalo é um peixe multifacetado a nível culinário.

Pode ser consumido inteiro, escalado, em posta ou filetes.

Quanto ao modo de confeção, recomenda-se grelhá-lo ou fazê-lo ao sal, pois são opções mais saudáveis.

Informação nutricional (composição por cada 100 g de parte edível de robalo)

Energia: 145 kcal | Água: 71,8 g | Proteína: 18,5 g | Gordura total: 7,9 g | Ácidos gordos saturados: 1,8 g | Ácidos gordos monoinsaturados: 2,0 g | Ácidos gordos polinsaturados: 1,7 g | Ácido linoleico: 0,4 g | Colesterol: 52 mg | Vitamina A: 36 ug | Vitamina D: 5,0 ug | A-Tocoferol: 0,17 mg | Tiamina: 0,26 mg | Riboflavina: 0,084 mg | Niacina: 2,7 mg | Vitamina B6: 0,49 mg | Vitamina B12: 1.3 ug | Vitamina C: 0 mg | Sódio: 95 mg | Potássio: 346 mg | Cálcio: 52 mg | Fósforo: 234 mg | Magnésio: 38 mg | Ferro: 0,4 mg | Zinco: 1,2 mg

(Tabela do Composição dos Alimentos, Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge)

Fonte: Continente Magazine | Imagem

Beldroegas | Plantas bravias comestíveis

Beldroega

Portulaca oleracea L.

PORTULACACEAE.

As beldroegas são uma pequena erva infestante semi-carnuda, vulgar em hortas, campos cultivados e regadios.

Surge na primavera-verão sendo de ciclo anual.

As suas folhinhas são boas, quer em salada, quer em sopa. Há também variedades cultivadas.

Receitas

Sopa de ervanços com beldroegas

Coza quatro decilitros de grão demolhado e a meio da cozedura retire cerca de metade e deixe de parte.

Na panela que ficou ao lume com o restante grão deite duas batatas descascadas e cortadas em pedaços pequenos, um pouco de azeite, sal, pimenta e trinta gramas de chouriço cortado às rodelas.

Deixe cozer e esmague com um garfo os ingredientes.

Acrescente as folhas de beldroegas bem lavadas e o grão que tinha posto de parte.

Deixe ferver novamente e leve à mesa.

Caldo de beldroegas à moda antiga

Leve cerca de oitenta gramas de manteiga e uma pitada de azeite ao lume num tacho com duas cebolas médias cortadas às rodelas, quatro dentes de alho e um ramo de salsa picada.

Assim que a cebola esteja transparente, junte-lhe os raminhos de beldroegas bem lavadas. Refogue-as e adicione-lhe água suficiente para o caldo.

Misture meio quilo de batatas cortadas às rodelas ou em pequenos cubos e tempere de sal, pimenta e colorau.

Quando estiver pronto, adicione três ovos previamente batidos.

Deixe cozer e deite o caldo numa terrina sobre o pão já cortado em fatias.

Beldroegas com ovos

Num tacho aloure a cebola picada e uns dentes de alho, em azeite ou em banha de porco.

Junte-lhes as folhas de beldroegas e tempere com sal.

Adicione os ovos batidos e leve ao lume até cozer, mexendo sempre.

Tempere com um pouco de manteiga.

Salada de beldroegas

Lave bem as folhas e os olhos das beldroegas e, em seguida, escorra-os.

Tempere com azeite, cebola picada e sumo de limão.

Fonte: “Etnobotânica – Plantas bravias, comestíveis, condimentares e medicinais“, José Alves Ribeiro, António Monteiro e Maria de Lurdes Fonseca da Silva (texto editado e adaptado) | Imagem

Plantas bravias comestíveis e plantas condimentares

Plantas bravias comestíveis e outras condimentares

Não é pequena a lista de plantas bravias que podem ser utilizadas na alimentação humana, tanto directamente, como utilizadas como condimento.

A muitas dessas plantas não tem sido reconhecido o seu verdadeiro mérito e utilidade. Algumas delas são mesmo ervas daninhas de culturas, mas que também possuem o seu lado positivo e útil.

Nesta listagem, iremos abordar

– num primeiro sub-capítulo algumas espécies bravias directamente comestíveis pelas suas folhas, talos ou rebentos e

– numa segunda listagem outras de frutos comestíveis, sendo estas últimas geneticamente correlacionadas com as fruteiras dos nossos pomares.

Também abordaremos o uso de plantas bravias como condimentares, chamando a atenção para o facto de algumas espécies serem em simultâneo

– comestíveis

– e condimentares

– e até medicinais.

De qualquer modo nesta resenha iremos abordar cada uma dessas espécies autóctones ou naturalizadas e os habitats em que estão inseridas. Ficam de fora as exóticas recentes, dado que estas últimas não têm obviamente o mesmo valor etnobotânico.

O saber tradicional sobre estes recursos está em risco de se perder e em paralelo vão-se alterando os hábitos alimentares.

É no sentido de recuperar um pouco esse tão valioso património, tanto botânico e ecológico como antropológico, que aqui deixamos este testemunho sobre a temática das plantas bravias comestíveis que nos propusemos abordar.

Não é uma lista exaustiva e algumas outras existirão, mas pelo menos esperamos que fique como um primeiro inventário útil para o comum das pessoas e para as mais dedicadas à etnobotânica em particular.

Um pouco por todo o país

Assim, far-se-á uma abordagem simples a cada uma dessas espécies, através da sinonímia popular e científica, dos habitats em que estão inseridas, circunscrevendo-nos essencialmente à região de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Ficam de fora algumas outras espécies tradicionalmente utilizadas noutras regiões do país, como é o caso

– das camarinhas (Corema album) um arbusto das dunas de bagas brancas comestíveis usadas nas regiões litorais;

– das tengarrinhasScolymus hispanicus – e das almeiroas ou xicórias bravas (Chichorium intybus) aparentadas com as leitugas muito apreciadas no Alentejo;

– e das acelgas bravas (Beta maritima), também vulgares nas regiões litorais;

– ou do tomatinho de capuz (Physallis peruviana) uma Solanácea de bagas comestíveis boas para compotas. É também uma planta usada em jardins como ornamental pela beleza das suas flores de vivas cores escarlates.

Igualmente usadas em jardins e de folhas comestíveis são as conhecidas chagas (Tropaeolum majus) espécie de origem exótica, como a anterior.

Há também plantas de flores comestíveis, como por exemplo as madressilvas e as violetas, embora não seja muito habitual esse tipo de utilização, aspecto esse que é mais recente e mais ligado a sociedades urbanas.

Outras ainda como as rabaças ou aipos bravos (Apium nodiflorum) são abundantes na nossa região como aliás em todo o país, nos mesmos habitats aquáticos onde se inserem os agriões e as meruges, embora não sendo habitualmente utilizadas pelo menos na nossa região, são igualmente comestíveis.

Outras contudo são comestíveis pelas suas raízes, como é o caso das bardanas (Arctium minus) uma bela planta da família das compostas, semelhante a um cardo sem espinhos, também utilizada e também pelas raízes para fins medicinais.

Recolher, preservar e divulgar o saber tradicional

O saber tradicional sobre estes recursos florísticos ainda remanescente no nosso mundo rural corre o risco de se ir perdendo.

É no sentido dessa recuperação que realizámos esta resenha, chamando à atenção para o facto de muitas destas plantas bravias comestíveis serem, em simultâneo, usadas como condimentares, como medicinais e até como ornamentais.

Chamamos ainda a atenção para o facto das fruteiras selvagens de frutos comestíveis serem aparentadas geneticamente com as fruteiras dos nossos pomares, não nos podendo dar ao luxo de menosprezar esse tão valioso património.

Fonte: “Etnobotânica – Plantas bravias, comestíveis, condimentares e medicinais“, José Alves Ribeiro, António Monteiro e Maria de Lurdes Fonseca da Silva (texto editado e adaptado) | Imagem

A Sinonímia relacionada com o património vegetal

A Sinonímia e o património vegetal

Longe da cientificidade universalista de Lineu e demais discípulos da Botânica, a atribuição dos nomes às plantas sofre uma diversificação consoante as populações.

Consultando bibliografia especializada aprendemos que alguns nomes populares eram atribuídos de acordo com as propriedades medicinais das plantas.

É do conhecimento de todos, por exemplo, que a noz, devido às semelhanças que o fruto mantém com o cérebro, era aconselhada para situações de amnésia e fadiga intelectual.

pulmonária  (Pulmonaria officinalis), devido às características das folhas seria benéfica para os pulmões e a quelidónia (Chelidonium majus), é também denominada por erva-das-verrugas pelo facto do látex ser usado como tintura para os cravos, ou verrugas.

É, ainda, interessante considerar aqueles endemismos precisos de sub-denominações regionais que aqui encontramos.

Vejamos: o género Plantago é conhecido comumente por tantagem ou tentage, mas nalguns locais estes nomes parecem desconhecidos, chamando-lhe xinchais  (Plantago major).

alecrim  (Rosmarinus officinalis) é conhecido na região da Beira Transmontana por alicrizeiro.

Aproveitamos para lembrar que o nome vulgar rosmaninho atribuído a outra espécie (Lavandula pedunculata) anda trocado com o nome botânico do alecrim. Razão têm os bragançanos de lhe chamar arçã.

Encontrar as razões de origem para esta atribuição dos nomes populares dados às plantas é com certeza um nobre objectivo para a Etnobotânica.

O mesmo poderemos dizer das derivações toponímicas de lugares, ou sítios, associadas às plantas.

Verificamos que as mais significativas derivações toponímicas se relacionam com aspectos geológicos marcados pela abundância de rochas ou linhas de água, porém, encontramos muitos exemplos figurativos de relação com o mundo vegetal.

Nomes de localidades e ralação com plantas

As aldeias de Nagosa e Nagoselo viram nascer o seu nome do étimo latino Nux que significa Noz, pela abundância de nogueiras existente naquelas paragens.

Também Soutosa, berço do grande Aquilino Ribeiro, mantém relação com os soutos de castanheiros, aliás abundantes em todo o concelho de Moimenta da Beira.

Muitos outros nomes de povoações têm origem em nomes de plantas como por exemplo,

– Codeçoso (codeço),

– Ervedosa e Ervedeiro (érvedo, êrvodo ou medronheiro),

– Sanguinhedo (sanguinho),

– Teixeira (teixo),

– Soutêlo (souto),

– Rebordelo, Rebordosa e Rebordaínhos (roble ou carvalho – Quercus robur),

– Címbres (zimbres ou zimbreiro),

– Alecreira (alecrim),

– Estevaninhas (esteva),

– Abrunhões (abrunheiro),

– Solveira (sorveira),

– Arruda (ruda),

– Loureiro (louro), etc.

E já em tempos antigos…

Podemos, ainda, referir a origem da Granja do Tedo, Granja Nova, Granja do Paiva e Granjinha.

Estas denominações derivam de “Granja“, do francês “Granje“, termo introduzido pelos Monges de Cister que aqui se instalaram edificando magníficos Mosteiros como são os casos de Salzedas e de S. João de Tarouca.

A palavra “granje” vem do étimo latino “granum“, que deu também grão e que significa exploração rural pertencente a um mosteiro.

De resto, o saber conventual, representou, desde sempre, uma mais-valia na expansão dos conhecimentos que a humanidade vem permutando sobre a hortifloricultura e em especial sobre a utilização das plantas como elementos fitoterápicos.

Também “Cever“, hoje escrito “Sever“, diz-se poder derivar de “Cibaria“, que significa um nome de um produto granulado parecido com cevada.

Bento da Guia, estudioso da região da Beira Transmontana, adianta-nos ainda que Sarzedo pode ter relação com “cerejas“, de acordo com a abundância deste fruto, apesar de não nos dar o percurso dessa derivação.

Existe um lugar em pleno planalto serrano da Nave na mesma região da Beira Transmontana, denominado Orca das Carquejas que faz a mistura toponímica entre a Geologia e a Botânica.

Orca, ou Arca, significa amontoado de pedras que fazem marco, ou marcação de um local, instalado em sítio baldio ditado pela expressividade da Carqueja ainda hoje utilizada para lenha, para a “cama” dos animais e ainda para fazer o famoso e calmante “Chá de Carqueja“.

A “Orca das Carquejas“, integra um circuito megalítico, implantado no Planalto da Nave, de extremo interesse cultural e de esmagadora beleza natural.

Fonte: “Etnobotânica – Plantas bravias, comestíveis, condimentares e medicinais“, José Alves Ribeiro, António Monteiro e Maria de Lurdes Fonseca da Silva (texto editado e adaptado)

O património vegetal à disposição da humanidade

O património vegetal

O uso dos recursos vegetais é tão antigo como a humanidade.

Desde muito cedo, a espécie humana soube retirar do meio, produtos ou bens, que contribuíssem para o seu bem-estar físico e ou espiritual.

O Homem recolector brindou-nos com uma espectacular relação simbiótica com o meio, onde os ciclos de vida se complementavam em interacção.

Com a tecnocratização esse mesmo Homem, agora mais evoluído, foi perdendo este sentido de relação com a Terra, encaminhando-se por vias de banalização e de desrespeito pelos Ecossistemas.

Se em zonas mais urbanizadas assistimos a um revivalismo em expansão, muitas vezes forçado, porém encarado como única “tábua de salvação“, também é certo que em zonas mais desfavorecidas e isoladas, é possível apreciar ainda este vínculo primordial, que para nós está revestido de uma riqueza antropologia indiscutível.

Mais uma vez queremos reforçar a importância do entendimento do Todo: o Património Vegetal, arriscamos dizê-lo, não se resume à simples utilização dos recursos naturais (vegetais) pelo gesto do seu aproveitamento.

Os vegetais integram o Ser Humano e ao mesmo tempo tornam-se vias preferenciais na ligação que este mantém com a Terra e com o Universo.

O Divino, muitas vezes é tangenciado por expressões rituais que assentam na utilização das plantas. Estas plantas estabelecem a ponte entre o real e o simbólico, entre o logos e a praxis, entre o homem, as crenças e o sonho.

Sugestões de leitura complementar

As utilidades do imenso património vegetal existente

Para além das plantas de cultivo, propriamente ditas, associadas ao aproveitamento agrícola e que servem de “sustento” às populações locais como a cultura da batata, milho, couves, nabos, castanha, centeio, vinha e mais recentemente a maçã, existe uma lista enorme de plantas bravias ou “aculturadas” que integram, também elas, a riqueza gastronómica da região [de Trás-os-Montes e Alto Douro]. Ler+

A Sinonímia relacionada com o património vegetal

Longe da cientificidade universalista de Lineu e demais discípulos da Botânica, a atribuição dos nomes às plantas sofre uma diversificação consoante as populações.

Consultando bibliografia especializada aprendemos que alguns nomes populares eram atribuídos de acordo com as propriedades medicinais das plantas. Ler+

Fonte: “Etnobotânica – Plantas bravias, comestíveis, condimentares e medicinais“, José Alves Ribeiro, António Monteiro e Maria de Lurdes Fonseca da Silva (texto editado e adaptado) | Imagem

As utilidades do imenso património vegetal existente

Propriedades aromáticas, condimentares e medicinais das plantas bravias

Para além das plantas de cultivo, propriamente ditas, associadas ao aproveitamento agrícola e que servem de “sustento” às populações locais como a cultura da batata, milho, couves, nabos, castanha, centeio, vinha e mais recentemente a maçã, existe uma lista enorme de plantas bravias ou “aculturadas” que integram, também elas, a riqueza gastronómica da região [de Trás-os-Montes e Alto Douro].

Estas plantas são comumente usadas como condimentares, aromáticas ou medicinais.

Da mesma forma que parte das pessoas consegue diferenciar as várias espécies de cogumelos de forma a usá-los como complementos alimentares, também algumas plantas bravias comestíveis, integram o vasto roteiro gastronómico local.

morugem d’água – Calitriche stagnalis – encontrada em regatos, poços e outros locais aquosos é usada pelas pessoas do campo em sopas e saladas.

Um outro exemplo, com utilização idêntica, são as azedasRumex induratus bem conhecidas dos pastores locais.

labrestoBrassica barrelieri e a leitugaChondrilla juncea são também utilizadas.

Depois não podemos deixar de referir as mentas, genericamente chamadas de hortelãs e os tomilhos  (Thymus zygis e Thymus pulegioides), que constituem suporte condimentar de muitos pratos típicos da Região.

Os orégãos  (Origanum virens), o louro ou loureiro  (Laurus nobilis), parecem também ser indispensáveis.

Temos ainda referência da utilização do medronheiro  (Arbutus unedo), para destilação alcoólica e consumo de frutos.

E, ainda para além das utilizações propriamente alimentares e medicinais, há todo um imenso património de saberes ligado com o uso dos recursos vegetais silvestres de cada região.

É o caso do artesanato onde abundam exemplos de sábias utilizações de madeiras de certos arbustos para instrumentos utilitários, e musicais, assim como a tradicional cestaria à base de madeira, junco, palha, vime e até de cascas de silvas.

Fonte: “Etnobotânica – Plantas bravias, comestíveis, condimentares e medicinais“, José Alves Ribeiro, António Monteiro e Maria de Lurdes Fonseca da Silva (texto editado e adaptado) | Imagem

Plantas medicinais em Trás-os-Montes e Alto Douro

Plantas medicinais

Dentro das espécies bravias tradicionalmente utilizadas, as mais representativas são, sem dúvida, as medicinais.

Nesta listagem, que é extensa, as mais usadas em fitoterapia são comuns em todo o Norte Peninsular. O que mais varia são as denominações regionalizadas e, quase sempre, resultantes da deturpação linguística, escrita e falada.

As plantas, de acordo com os seus princípios activos, podem ser usadas por via farmacológica industrial onde se faz o seu aproveitamento para o fabrico de medicamentos genéricos e outros, utilizando-se também na cosmética, na indústria alimentar, na tinturaria, na elaboração de aromatizantes, etc.

De forma ancestral e directa os princípios activos são utilizados de forma intuitiva, recorrendo-se à edificação de uma farmacologia natural, quase alquímica e quase sempre associada ao poder da crença, da fé e da superstição.

No uso popular das plantas, embora seja mais frequente a sua utilização de forma isolada – uma planta, um mal – podemos verificar que também são usadas algumas receitas de misturas, constituindo “fórmulas galénicas” muito interessantes.

Nesta listagem vamo-nos circunscrever (…) às espécies autóctones ou naturalizadas mais usadas na região transmontano-duriense.

Espécies medicinais de origem exótica são também cultivadas em hortas e quintais, como o caso do limonete ou lúcia-lima (Lippia citriodora ou Aloysia triphylla) e do chá do México ou erva-formigueira (Chenopodium ambrosioides) e de muitas outras, mas sobre essas existe bastante bibliografia disponível em todos os manuais relativos a esta matéria, até porque são plantas cultivadas um pouco por toda a parte.

Saiba mais sobre…

Alecrim ou alecrinzeiro

Aparece espontânea nas charnecas e matagais do Centro e do Sul de Portugal, sendo sub-espontânea e cultivada no Norte. Abunda no litoral mediterrânico. Encontra-se em altitudes até aos 1500 metros. Ler+

Fonte: “Etnobotânica – Plantas bravias, comestíveis, condimentares e medicinais“, José Alves Ribeiro, António Monteiro e Maria de Lurdes Fonseca da Silva (texto editado e adaptado) | Imagem

Alecrim ou Alecrinzeiro | Plantas medicinais

Alecrim ou Alecrinzeiro

Rosmarinus officinalis L.

LAMIACEAE ou LABIATAE.

Origem/ Habitat

Aparece espontânea nas charnecas e matagais do Centro e do Sul de Portugal, sendo sub-espontânea e cultivada no Norte.

Abunda no litoral mediterrânico.

Encontra-se em altitudes até aos 1500 metros.

Breve descrição botânica

A altura do alecrim pode variar entre os 50 cm e os 150 cm.

É um arbusto, com caules lenhosos e folhosos.

As folhas, de um verde vivo escuro, são persistentes, estreitas e com os bordos enrolados.

A floração ocorre durante todo o ano, as flores dispõem-se ao longo dos caules nas axilas das folhas. Estas flores são azul claras e esbranquiçadas.

O alecrim tem um aroma muito agradável, parecido com o do incenso e da cânfora, mas o seu sabor é amargo.

Partes utilizadas

Planta florida e folhas.

Indicações

O alecrim é utilizado essencialmente pelo seu valor aromático e como condimento culinário, sendo também usado em defumações de casas.

[Sugestão de leitura: Guia para plantar aromáticas e legumes em casa]

Outras aplicações

Em infusão de sumidades floridas, o alecrim é tomado em casos de nervosismo, insónias e depressões.

A infusão de alecrim adicionada à água dos banhos proporciona banhos revigorantes e desodorizantes.

Para os asmáticos, as folhas secas do alecrim são usadas em cigarro.

O “vinho de alecrim” é aconselhado para controlar o colesterol e para os problemas de coração (no primeiro caso são as sumidades floridas as utilizadas, no segundo caso são as folhas frescas).

Em decocção, o alecrim, toma-se para problemas de fígado.

Outros nomes vulgares

alecrim-da-terra, alicrizeiro, rosmaninho.

Fonte: “Etnobotânica – Plantas bravias, comestíveis, condimentares e medicinais“, José Alves Ribeiro, António Monteiro e Maria de Lurdes Fonseca da Silva (texto editado e adaptado) | Imagem

Agrião-bravo | Plantas bravias comestíveis

Agrião-bravo ou Agrião-dos-ribeiros

Nasturtium officinale R.Br.

CRUCIFERAE OU BRASSICACEAE

O agrião-bravo ou agrião-dos-ribeiros é vulgar em regatos, poços e outros locais aquosos.

Apesar de também cultivada, é uma planta bravia e até infestante aquática.

É uma erva rica em vitaminas e sais minerais, e boa para sopas e saladas.

Usos medicinais e cosméticos

O agrião é a “erva para todos os fins“, visto pelo nosso povo como um dos melhores estimulantes e espectorantes, até com virtudes afrodisíacas e não menos utilizado como tónico (o seu sumo) contra a queda de cabelo ou misturado com mel para as manchas e sardas.

Xarope de agrião para a tosse e bronquite

Num litro de água deite mais ou menos duzentos gramas de agrião (folhas e talos) e deixe ferver cerca de um quarto de hora.

Coe enquanto estiver quente e quando ficar morno, misture-lhe uns trezentos gramas de mel.

Dá para a tomar uma colher de sopa duas vezes ao dia.

Receitas com agriões

Salada de maçãs e agriões

Corte duas maçãs amarelas, depois de limpas de sementes, em pequenas lâminas e borrife-as com algumas gotas de sumo de limão.

Numa saladeira, disponha uns cubos de lombo de porco, previamente assado e cortado em cubinhos, as folhas de um molho de agrião, os quartos de quatro rabanetes e as lâminas de maçã.

Num frasco de vidro, faça um molho que fique bem ligado de azeite com mel, mostarda, sal, vinagre e pimenta preta moída na altura.

Deite o molho na saladeira e misture os ingredientes, temperando com um pouco mais de vinagre e azeite.

Molho de agriões

Bata com uma “varinha mágica” duas gemas, um quarto de uma chávena de azeite, três quartos de leite a ferver e duas chávenas de folhas de agrião.

Sopa de agriões

Numa panela, coloque a água, o sal, o azeite, as batatas e a cebola picada; quando tudo estiver bem cozido, com a “varinha mágica” (ou com um garfo) desfaça as batatas; deixe ferver novamente e junte os agriões que devem cozer apenas um pouco.

Depois, bata muito bem os ovos e deite-os em fio na sopa, servindo de seguida.

Fonte: “Etnobotânica – Plantas bravias, comestíveis, condimentares e medicinais“, José Alves Ribeiro, António Monteiro e Maria de Lurdes Fonseca da Silva (texto editado e adaptado) | Imagem

Nota: Com um gosto ligeiramente picante, o agrião é uma das ervas preferidas pelos médicos, pelas suas propriedades terapêuticas.
Conheça os seus principais benefícios para a saúde:
1.- Protege do cancro da mama
2 – Revitaliza a pele
3.- Produz anticorpos
4.- Combate a osteoporose
5.- Torna o cabelo brilhante
6.- Reduz as rugas
7.- Melhora problemas com a tiróide
8.- Aumenta o metabolismo
9.- Alivia as queimaduras solares
10. Cura a ressaca 

6 ervas aromáticas para usar nos cozinhados!

Ervas aromáticas

As ervas aromáticas dão um toque especial e perfumado aos mais variados pratos, das entradas às sobremesas, realçando o sabor dos alimentos.

Além disso, são saudáveis e permitem a redução do uso do sal na confeção das receitas.

Erva a erva

Manjericão

Conhecido também por basílico, possui um aroma apelativo e um sabor forte.

É utilizado na cozinha italiana, sobretudo pela sua compatibilidade com o tomate.

Ingrediente principal do famoso pesto, pode ser também utilizado para temperar sopas, saladas, molhos e massas.

Acrescente-o só no último momento do cozinhado, pois o calor retira-lhe o sabor.

Cebolinho

É um tipo de cebola – com um sabor semelhante ao desta, mas menos intenso – que cresce a partir da folhagem não a partir do bolbo.

Com uma coloração verde-vivo, usa-se para temperar sopas, pratos de peixe, de frango e ovos.

Tomilho

Faz parte da família da menta e as suas folhas são pequenas, verde-acinzentadas, com um aroma delicado e seco e um ligeiro sabor a menta.

É perfeito para sopas, guisados, cozidos e pratos de carne e peixe.

Utiliza-se fresco ou seco, sobretudo em refeições cozinhadas, mas pode também ser usado em saladas ou molhos.

Orégãos

Têm um sabor ligeiramente apimentado, mais intenso quando secos do que em frescos.

Utilizados na cozinha italiana, conjugam na perfeição com massas, legumes e carnes brancas. Ficam bem em estufados, por serem um intensificador de sabor.

Experimente lavar os orégãos frescos e esmagar as folhas, para que libertem o seu aroma, de forma a utilizá-los em saladas, molhos ou chá.

Devem ser adicionados no início da confeção, uma vez que o seu sabor se vai intensificando ao cozinhar.

Alecrim

Possui um aroma fantástico e um sabor picante, com uma leve combinação de menta e gengibre.

Muito versátil, utiliza-se fresco ou seco, combinando na perfeição com carnes, essencialmente de porco e de borrego, batatas, manteigas aromatizadas, saladas, molhos ou chá.

A beleza dos ramos torna o alecrim também uma planta decorativa.

Hortelã-pimenta

Consiste num cruzamento entre a hortelã e a hortelã-verde.

A hortelã contém um óleo conhecido como óleo de menta, que proporciona uma sensação de frescura e purificação.

Ideal para adicionar frescura a bebidas, pratos e sobremesas, como um chá, gelados ou chocolate.

Benefícios das ervas aromáticas

As ervas aromáticas podem ter vários benefícios, pois cada uma possui um perfil nutricional distinto.

Contudo, como são utilizadas em pequena quantidade em cada confeção, o grande benefício da sua aplicação está no aporte de características organoléticas, intensificando quer os aromas como o sabor, o que permite a redução do uso de sal.

Várias entidades de saúde recomendam a sua utilização exatamente por este motivo.

Como escolher

Escolha ervas frescas, sem sinal de desidratação e sem folhas amarelas ou com manchas.

Como conservar

Refrigeração: coloque as ervas a uma temperatura entre os 4°C e os 6°C.

Não devem ser armazenadas por longos períodos de tempo.

Secagem ao ar: faça pequenos molhos, enrole-os em papel absorvente ou num pano fino, para protegê-los das poeiras e da luz, e pendure-os pelo pé num lugar quente, seco e arejado.

As ervas estarão secas quando as folhas e os caules se apresentarem quebradiços.

Secagem no forno: regule o forno no mínimo. Utilize a grelha, coberta com papel de cozinha ou um pano macio e fino.

Lave as ervas em água corrente e escorra-as bem.

Coloque-as sobre a grelha e leve-as do forno, deixando a porta ligeiramente entreaberta.

Vire as ervas ao fim de 30 minutos para garantir uma secagem regular.

Deixe-as no forno até as folhas estarem quebradiças (cerca de 1 hora).

Como consumir

As ervas aromáticas utilizam-se em sopas, molhos, condimentos, pratos de peixe e de carne, saladas, massas, pizas e muitos outros pratos.

São excelentes também para aromatizar azeite e vinagre.

Fonte: Continente Magazine | Imagem