A Idade Média – diversos períodos da História
A Idade Média
O período da História compreendido entre a Antiguidade e a Idade Moderna, desde a queda do Queda do Império Romano do Ocidente até à Queda de Constantinopla, é geralmente designado por Idade Média.
Este longo período, com cerca de mil anos, costuma dividir-se em três fases: Alta Idade Média (séculos V a X), Idade Média Central (séculos XI a XIII) e Baixa Idade Média (séculos XIV e XV), cada uma com características próprias.
Fragmentação política e formação de reinos
Após a queda de Roma, a Europa Ocidental sofreu uma profunda desorganização política. O desaparecimento de um poder central forte levou à fragmentação do território em múltiplos reinos germânicos, como os visigodos, francos ou lombardos. O poder passou a estar concentrado em senhores locais, frequentemente instalados em castelos fortificados, que controlavam territórios limitados e exerciam autoridade sobre as populações vizinhas.
Contudo, a partir do século XI, começou a verificar-se um processo gradual de centralização. Reis mais fortes foram consolidando o seu poder e dando origem a entidades políticas mais estáveis, que estão na base de alguns dos atuais Estados europeus, como França, Inglaterra ou Portugal.
O sistema feudal
Um dos pilares da organização medieval foi o feudalismo, um sistema baseado em relações de dependência pessoal e posse de terras. O rei concedia terras (feudos) a nobres (senhores feudais), que, em troca, lhe deviam fidelidade e apoio militar. Por sua vez, estes senhores podiam subdividir as suas terras e estabelecer relações semelhantes com outros nobres de menor estatuto.
Na base da sociedade encontravam-se os camponeses, muitos dos quais eram servos, ligados à terra e obrigados a prestar trabalho e pagar rendas ao senhor. Este sistema estruturava não apenas a economia, essencialmente agrícola, mas também a organização social e política.
A Igreja e a cultura
A Igreja teve um papel central na Idade Média. A Igreja Católica não só influenciava a vida espiritual, como também exercia grande poder político e económico. Os mosteiros foram importantes centros de conservação do saber antigo, onde monges copiavam manuscritos e preservavam obras da Antiguidade clássica.
Além disso, a Igreja promovia o ensino, dando origem às primeiras universidades europeias, como as de Bolonha, Paris e Oxford. Assim, apesar da ideia tradicional de “idade das trevas”, houve continuidade e até desenvolvimento do conhecimento em áreas como a filosofia, a teologia e o direito.
Crises e transformações
A Idade Média não foi um período estático. A partir do século XIV, a Europa enfrentou várias crises profundas, como a fome, as guerras e epidemias devastadoras, entre as quais se destaca a Peste Negra, que dizimou uma parte significativa da população europeia.
Estas crises contribuíram para o enfraquecimento do sistema feudal e para mudanças sociais importantes, incluindo o crescimento das cidades e de uma nova classe social: a burguesia, ligada ao comércio e ao artesanato.
O mundo para além da Europa
Embora durante muito tempo se tenha considerado a Idade Média europeia como um período de declínio, noutras regiões do mundo verificaram-se importantes desenvolvimentos. No Próximo Oriente e no Norte de África, o mundo islâmico conheceu um grande florescimento cultural e científico, especialmente durante o Idade de Ouro Islâmica, com avanços na medicina, matemática, astronomia e filosofia.
Na Ásia, civilizações como a chinesa e a indiana continuaram a desenvolver-se, enquanto nas Américas floresceram culturas como os maias, os astecas e os incas, com sistemas políticos e conhecimentos próprios.
Um período de transição
Apesar das dificuldades e crises, a Idade Média foi um período de profundas transformações que prepararam o mundo para a Idade Moderna. O renascimento urbano, o crescimento do comércio, o fortalecimento das monarquias e o desenvolvimento cultural criaram as condições para mudanças decisivas, como o Renascimento e a expansão europeia.
Assim, longe de ser apenas uma época de declínio, a Idade Média deve ser entendida como um período complexo e dinâmico, essencial para a formação da Europa e do mundo contemporâneo.
Algumas datas importantes, na Europa:
493 – Teodorico, rei dos Ostrogodos, torna-se rei da Itália.
584 – É fundando, em Inglaterra, o reino de Mércia.
590 – Eleição de Gregório, o Grande, como papa até 604.
597 – Santo Agostinho desembarca em Inglaterra.
620 – Os Viquingues começam a invadir a Irlanda.
664 – Realiza-se o Sínodo de Whitby.
669 – Teodoro de Tarso é enviado para Inglaterra.
732 – Carlos Martel derrota os Mouros em Tours.
756 – São fundados, em Itália, os Estados Papais, constituídos por um conjunto de territórios localizados, essencialmente, no centro da península Itálica, e que se mantiveram como um estado independente até 1870.
771 – Carlos Magno é rei dos Francos, até ao ano 814.
787 – Primeira invasão dinamarquesa a Islândia.
861 – Os Viquingues descobrem a Islândia.
871 – Alfredo, o Grande, rei de Wessex, até 899.
911 – Hrolf, o Capataz, recebe a Normandia.
936 – Otão, o Grande, rei da Alemanha.
962 – Ressurgimento do Sacro Império Romano do Ocidente.
A Idade Média nos séculos XI e XII
1016 – Os Dinamarqueses governam a Inglaterra até 1042.
1066 (14 de Out) – Dá-se a Batalha de Hastings, entre as tropas inglesas, do rei Haroldo II Godwinson, e o exército invasor de Guilherme II, Duque da Normandia. Guilherme II venceu e Haroldo II morreu durante a batalha. Na sequência desta batalha, concretiza-se a conquista normanda e o fim da dinastia de reis anglo-saxões na Inglaterra.
1075 – Disputa sobre a nomeação dos bispos, que durará até 1122.
1095 – Constituição do Condado Portucalense, com o conde D. Henrique de Borgonha e D. Teresa.
1143 – D. Afonso VII de Castela reconhece D. Afonso Henriques o título de Rei de Portugal.
1152 – Frederico I, imperador do Sacro Império Romano até 1190.
1170 (29 de Dez) – Assassínio de Thomas Becket, que foi arcebispo de Cantuária entre 1162 e 1170, por cavaleiros fiéis ao rei Henrique II de Inglaterra, na sequência de um conflito com o rei pelos direitos e privilégios da Igreja. É venerado como santo e mártir pela Igreja Católica e pela Igreja Anglicana.
1171 – Henrique II anexa a Irlanda.
A Idade Média nos séculos XIII a XV
1215 – É assinada a Magna Carta.
1240 – Dá-se a batalha do Neva.
1241 – Os Mongóis retiram da Europa.
1249 – Constituição do Parlamento de Paris.
1265 – Parlamento de Montfort.
1273 – Rudolfo I, Imperador do Sacro Império Romano, até 1291.
1295 – Parlamento de Eduardo I.
1305 – A sede papal em Avinhão, até 1378.
1306 – Roberto Bruce, rei da Escócia, até 1323.
1338 – Guerra dos Cem anos, até 1453.
1348 – A Peste Negra assola a Europa, até 1351.
1377 – O Grande Cisma, até 1471.
1385 – Dá-se a Batalha de Aljubarrota, com a vitória do Portugueses, ajudados por Ingleses, sobre os Castelhanos. Portugal mantém-se independente.
1431 – Joana d’Arc é queimada por bruxaria.
1434 – Gil Eanes dobra o cabo Bojador.
1453 – Fim da Guerra dos Cem anos.
Referências bibliográficas
- Jacques Le Goff – A Civilização do Ocidente Medieval. Lisboa: Editorial Estampa, 1984.
- Georges Duby – A Europa na Idade Média. Lisboa: Editorial Presença, 1997.
- Umberto Eco (org.) – Idade Média: Bárbaros, Cristãos e Muçulmanos. Lisboa: Dom Quixote, 2010.
- Chris Wickham – A Herança de Roma: História da Europa de 400 a 1000. Lisboa: Edições 70, 2010.
- Norman Davies – Europa: Uma História. Lisboa: Gradiva, 2001.
- Henri Pirenne – Maomé e Carlos Magno. Lisboa: Edições 70, 2005.
- Encyclopaedia Britannica – “Middle Ages”. Disponível em: https://www.britannica.com (consultado para enquadramento geral do período).
- UNESCO – Recursos educativos sobre História Medieval. Disponível em: https://www.unesco.org
- História – Resposta a tudo
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