Arquitectura em Portugal ao longo dos tempos

As grandes catedrais e a pequenas igrejas lado a lado

Ainda dentro da arquitectura românica, ao lado das grandes catedrais, pulularam as pequenas igrejas, sobretudo no norte do país, onde o desenvolvimento das ordens religiosas provocou a construção de inúmeros edifícios conventuais, (…) da maior parte das quais apenas chegaram até nós as igrejas, transformadas em paróquias.

Estas igrejas são, na sua maior parte, de factura rude e simples. A decoração concentra-se nos portais, (…) nas janelas e nos capitéis (…). Nos capitéis dos portais é usual existir uma temática decorativa característica, em que predominam os elementos vegetalistas e geométricos.

São raros os temas animais e as representações humanas. (…) No entanto, o portal da igreja de Bravães exibe uma Anunciação de grande rudeza de execução (…). Os tímpanos com representações humanas são igualmente raros (…) mas encontram-se na igreja de S. Pedro de Rates.

(…) Outros portais oferecem-nos uma enorme teoria de personagens, como acontece na antiga igreja de Vilar dos Frades. (…)

Sobre a planta e a cobertura

No que se refere à planta e cobertura destas pequenas igrejas, a maior parte possui apenas uma nave, coberta de telhado com travejamento de madeira. As absides apresentam-se, na sua maioria, de planta rectangular, e outras, em menor número, são semicirculares.

«A arquitectura civil do período românico está representada entre nós apenas por um monumento, a célebre Domus Municipalis de Bragança, que é dos raríssimos vestígios da arquitectura civil do séc. XIII existente no nosso país.

O bonito nome latino que lhe dão é uma fantasia dos eruditos românicos; o que o povo lhe chamava era “casa da água”. É possível que o edifício tivesse sido construído para servir de reservatório de água da povoação.

Este edifício compõe-se de uma sala de planta pentagonal, irregular, erguido sobre uma cisterna, com janelas de arcos redondos, por cima das quais corre uma cornija de granito, sustentada por uma cachorrada.

Mas essa cornija, aparentemente com função decorativa, contém a explicação do edifício: a pedra está desbastada por cima, e funciona como um grande algeroz a toda a volta do edifício, recolhendo as águas da chuva do telhado e depositando-a na cisterna.» (1)

A Arquitectura Gótica

Em Portugal, a arquitectura românica prolongou-se por todo o século XIII, e o estilo gótico só muito tardiamente consegue impôr as suas formas.

Embora com raízes desde o século XIII (D. Sancho II), só conhece o seu período de desenvolvimento a partir de D. Afonso III, e anda ligado ao estabelecimento, no nosso país, das ordens mendicantes.

É, principalmente, um gótico de grandes abadias, revestindo-se de uma grande simplicidade, quer na estrutura dos edifícios, quer na decoração.

O Mosteiro de Alcobaça é o primeiro monumento gótico português. A ausência de ornamentação, associada à brancura da pedra em que foi construído, cria aquele ambiente de austeridade tanto de acordo com as prescrições de S. Bernardo.

O claustro, a sala do capítulo, o dormitório, o refeitório, subordinam-se às mesmas regras. O claustro assume especial significado, pois é a partir dele que foram planeados os das grandes catedrais românicas de Coimbra, Lisboa e de Ávora. Mas foi esta, talvez, a única contribuição de Alcobaça para o gótico português.

O Mosteiro de Santa Maria da Vitória

O perfeito exemplar do gótico português é o Mosteiro da Batalha, dedicado a Santa Maria da Vitória, começado a construir em 1388, em consequência de um voto de D. João I e comemorando a batalha de Aljubarrota. É, em certos aspectos,  mais significativo do que Alcobaça, não só pela sua originalidade em relação à arquitectura estrangeira da época, como pelo influência que exerceu na arte portuguesa.

Na construção deste monumento podem distinguir-se diversas épocas.

A primeira deve-se ao arquitecto Afonso Domingues, cuja obra realizada é de estrita inspiração nacional e que se reflecte sobretudo no traçado. Sucede-lhe mestre Huguet ou Ougguete (inglês ou francês) que traz um espírito inteiramente diferente, denotando profundo conhecimento da arquitectura gótica de Inglaterra.

São trabalho seu as abóbadas do Claustro Real e da Sala do Capítulo; a fachada poente, a “Capela do Fundador” e as “Capelas Imperfeitas“, espécie de panteão inacabado da dinastia de Avis e que denunciam já uma fase avançada, a do gótico flamejante.

Ao ciclo da Batalha ligam-se: a Igreja do Carmo, em Lisboa, a Sé da Guarda e São Francisco de Guimarães.