As Páscoas Judaica e Cristã | História dos calendários

Os primeiros cristãos quiseram recordar a morte de Cristo celebrando-a anualmente. Para tal, puderam escolher entre dois caminhos:

– optar por fixar a data daquele acontecimento no calendário juliano – então vigente no império romano –

– ou continuar como até aí, ligando-o a um calendário com base lunar como o que tinham os judeus.

Escolheram esta última opção, talvez porque aquelas comunidades cristãs ainda não tinham sacralizado o calendário juliano, como depois vieram a fazer, ao associar-lhe as suas festas religiosas.

Não temos referências seguras sobre quando e onde começou a Igreja primitiva a celebrar a festividade pascal. Sabemos que para fixar a sua data se serviam do calendário que então utilizavam os judeus.

Primeira controvérsia pascal 

Desde que se começou a guardar a festa pascal – pelo menos desde os tempos do papa Sixto I, no começo do século II – surgiram vários critérios sobre quando celebrá-la. Isto deu lugar à primeira controvérsia pascal, começo de uma série de, pelo menos, cinco conflitos que causaram graves transtornos à Igreja.

O problema residia em que os cristãos da Ásia Menor celebravam a Páscoa no décimo quarto dia da Lua (e por isso chamados quartodecimanos) independentemente do seu dia semanal. Isto ao contrário do resto das Igrejas que sempre faziam coincidir a Páscoa com um Domingo.

Desde metade do século II que se tentou resolver esta diferença na celebração pascal.

No final desse século, o papa Victor I ordenou que se celebrassem sínodos e, toda a Igreja para suprimir os quartodecimanos.

O resultado desta primeira disputa pascal foi o gradual desaparecimento dos quartodecimanos que aceitaram o critério dos restantes cristãos de celebrar a Páscoa somente ao Domingo, qualquer que fosse o dia da semana em que calhasse o dia 14 de Nisan do calendário judaico.

A dependência dos cristãos em relação aos judeus

Como se tem assinalado, os cristãos dependiam da informação disponibilizada pela Sinagoga para celebrarem a sua Páscoa. Mas o calendário judaico era influenciado por um grande conjunto de factores. Alguns deles puramente religiosos e outros sociais e políticos, o que afectava indirectamente a celebração dos cristãos, pelo que estes continuavam ligados a uma religião da qual pretendiam emancipar-se.

Com a intenção de se tornarem independentes dos judeus, os cristãos começaram a desenvolver calendários lunisolares para determinar, pelos seus próprios meios, a data da celebração da Páscoa.

Em vez de optar por um calendário baseado na observação, que directamente poderiam herdar dos judeus, optaram antes por um calendário computacional, baseado no cálculo.

Obs: Retirado e traduzido, com a devida autorização do autor, de “Nuestro calendario – Una explicación científica, simple e complete del calendario lunisolar cristiano”, da autoria de Wenceslao Segura González.