Caminho da Geira Romana – Caminhos de Santiago

Caminho da Geira Romana

Braga, Prado, Redufe, Caldelas, Terras de Bouro, Gerês, Albergaria e Portela do Homem, Lóbios, Entrimo, Ameixoeira, Castro Laboreiro, S. Gregório, Melgaço.

Bracara Augusta, capital do Conventus Bracarum (séc.I) vê-se, com o Imperador Diocleciano (séc.III) e com a constituição da GALLAECIA, elevada a um importante pólo económico regional.

Daqui partiam e confluíam as vias que estabeleciam comunicação com as mais importantes cidades do Ocidente Peninsular, todas elas referidas no Itenerarium de Antonini:

1 – Via XVI – Bracara / Olisipo (estabelecia a ligação de Braga com Lisboa por Porto e Conímbriga);

2 – Via IIAX – Bracara / Asturica (ligava Braga a Astorga pela Póvoa de Lanhoso e Chaves);

3 – Via XVIII – Bracara / Asturica (ligação a Astorga por Amares, Terras de Bouro, Portela do Homem e Orense), incluindo a Geira com os seus marcos miliários;

4 – Via XIX – Bracara / Lucus (ligava Braga a Lugo por Prado, Ponte de Lima, Paredes de Coura, Valença e Tuy);

5 – Via XX Bracara / Lucus por loca marítima (ligação de Braga a Lugo pelo litoral).

Braga, a Bracara Augusta

Braga, hoje, nos Caminhos de Santiago, no Caminho do Românico, tendo como referência a sua Sé Catedral, enquanto monumento – padrão influenciador de todo “românico bracarense“. Depois, S. Frutuoso de Montélios;

Prado, Rendufe – com o seu Mosteiro já mencionado em documento de 1090, mandado coutar pelo Conde D. Henrique e D. Teresa, remodelado no tempo do mandatário D. Henrique de Sousa (1551). No século XVIII, transformado num dos mais importantes núcleos para a história do barroco rocócó (retábulo da capela mor, da nave e do cruzeiro);

Caldelas, com a Igreja Matriz de frontaria joanina onde se rasga um nicho com a imagem do padroeiro Santiago;

Terras de Bouro 

A «Terra de Boiro» serrana que D. Manuel consagra dando-lhe foral em 1514.

De fortes raízes comunitárias, o castro da Calcedónia que os romanos fortificaram, a via militar que ligaria Braga a Astorga, a multidão de marcos miliários, o forno do povo, as eiras, os espigueiros e as alminhas do Canhoto, far-nos-ão recordar sempre esta região de contrastes na entrada do Parque Nacional da Peneda Gerês.

E seguimos para a aldeia de Chamoim com lgreja Matriz de duas torres.

Dedicada ao apóstolo Santiago Peregrino, cuja imagem de pedra não dispensa o respectivo bordão na mão, onde tem dependurada a popular cabaça, na cabeça o famoso chapéu de abas largas incrustado de vieiras. Dentro da Matriz e, no tecto, uma pintura de Santiago Matamouros de rara e excepcional beleza.

A Geira na minha XVI

Depois, vem Chorense e a Geira (milha XVI) com a visita à capelinha de S. Sebastião. E logo a seguir Covide, S. João do Campo (local onde decorrem escavações arqueológicas realizadas pelo PNPG [Parque Nacional da Peneda-Gerês] com vista à descoberta de uma antiga Vila Romana, possivelmente uma «Pausat» (pousada ou albergaria).

Barragem de Vilarinho das Furnas, memória já uma antiga Vila «afundada» de uma vida comunitária sacrificada ao progresso; a Geira Romana com os seus marcos miliários, a mata de Albergaria, Ponte Feia, Mata de S. Miguel, Portela do Homem, Lóbios, Entrimo.

E se não quiser seguir por Ourense, entre na fronteira da Ameixoeira, junto a Castro Laboreiro, também Caminho de Santiago, com a sua «vieira» e a sua Reitoria.

Passa por Ponte do Bago, Ponte de Cava Velha, Veiga de S. Brás, Ponte das Laceiras, Carvalhal, Portela de Vila ou, Ameixoeira, Bago de Baixo, Bago de Cima, Barreiro, Lareiras, Castro Laboreiro, Travassos, Portelinha, Fiães, Cristobal, S. Gregório, Terras de Melgaço.

in “Santiago – Caminhos do Minho” da autoria de Francisco Sampaio e editado pela ADETURN (Associação para o Desenvolvimento do Turismo da Região Norte) adaptado | Imagem (meramente ilustrativa) de larahcv