Concurso Prémio Literário do Conto Nuno Nozelos

1.ª Edição do Concurso Prémio Literário do Conto Nuno Nozelos do Município de Mirandela

As candidaturas a este Prémio Literário podem ser apresentadas entre o dia 03 de fevereiro de 2020 e o dia 31 de março de 2020.

O género literário elegível para efeito de concurso é a ficção na variedade de conto.

Podem concorrer ao prémio

– cidadãos de nacionalidade portuguesa ou estrangeira,

– maiores de idade,

– que sejam naturais ou residentes na região de Trás-os-Montes e Alto Douro.

O “Prémio Literário do Conto Nuno Nozelos” terá um valor de 500€ e será entregue ao vencedor em cerimónia pública a anunciar pelo Município de Mirandela.

Os trabalhos a concurso deverão ser apresentados

– na Biblioteca Municipal de Mirandela

– ou enviados via postal para Município de Mirandela / Biblioteca Municipal, Complexo Cultural de Mirandela, Rua Sarmento Pimentel | 5370-325 Mirandela,

onde deve constar como remetente o pseudónimo do concorrente.

O Júri do concurso será constituído

– pela esposa do patrono ou por quem ela possa indicar,

– pela Presidente da Câmara Municipal de Mirandela ou por quem ela delegar

– e por uma personalidade da Sociedade Académica Local, indicada pelo Município de Mirandela.

Síntese biográfica de Nuno Nozelos

Nuno Álvares Pereira da Conceição Nozelos nasceu em Fradizela (concelho de Mirandela), em 15 de Novembro de 1931. Faleceu a 18 de Julho de 2017, em Torre de Dona Chama, após doença prolongada.

Foram seus pais Manuel António Nozelos e Esperança de Deus Gonçalo, que tiveram uma prole numerosa: nada menos de oito filhos. Nuno foi o primogénito.

Após o ensino primário na própria aldeia de Fradizela, frequentou o ensino dos Salesianos, primeiro em Poiares da Régua, depois em Mogofores e finalmente no Estoril, onde concluiu o curso de Filosofia.

Posteriormente frequentou o Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa. Fez, além disso, diversos cursos de índole profissional, virados para a área jurídico-administrativa e relacionados com a carreira que seguiu no Ministério da Saúde.

Paralelamente com a carreira administrativa, que naturalmente lhe coarctou um pouco a actividade literária, Nuno Nozelos esteve sempre virado para a escrita, sua grande vocação, quer enquanto escritor, quer enquanto jornalista e conferencista.

Actividade jornalística

No campo da actividade jornalística, é vasta a lista das publicações a que tem prestado colaboração: Ènié, Notícias de Mirandela, Notícias de Trás-os-Montes (jornal que se publicou em Lisboa, nos anos 60 do século passado, de que foi director-adjunto e cujo “Suplemento de Arte e Cultura” esteve a seu cargo).

Também o Mensageiro de Bragança, Gil Vicente, A Região, Boletim dos Amigos de Bragança, Boletim Informativo da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa, UNEARTA, A Torre, etc.

Foi também um dos fundadores e subdirector da Sílex – Revista de Letras e Artes.

Escritor – Poeta

Mas mais importante do que isso é a sua actividade de escritor. O seu primeiro livro, Iniciação, sai em 1963, assinado por Nuno Álvares. É um volume de versos, alguns deles escritos ainda na adolescência.

No ano imediato, publica Retrato, também poesia e também assinado Nuno Álvares. No campo da poesia publica ainda Canto Aberto, em 1973, e A cidade e eu, poeta, em 1978.

Para Vozes distantes, de 1987, aproveitará algum material dos dois primeiros livros – “ainda verdosos”, nas próprias palavras que o poeta escreve no prefácio.

Em 1996 sai o volume Delações poéticas e finalmente, em 2001, Musa preterida.

A poesia de Nuno Nozelos combina uma prosódia agradável com um conteúdo em que problematiza os grandes temas que preocupam os homens.

João de Araújo Correia, em carta ao Autor, escreve: “Li e reli os seus poemas [de Canto Aberto], que lograram encantar-me pela perfeita forma de poetar. (…) O seu sentir, rico de cambiantes, encontrou a imagem de si próprio no modo como verseja.”

Escritor – Contista

Mas a sua produção ficcional, em especial os contos, é geralmente considerada a sua mais festejada faceta de escritor.

Fernão de Magalhães Gonçalves, por exemplo, conhecido (e malogrado) escritor e crítico literário flaviense, considera Nuno Nozelos “o maior e o mais importante contista pós-torguiano”.

Ápio Garcia, conhecido publicista, por seu turno, escreve: “O seu livro [Gente da minha terra] – agora surgido em nova edição – merece mais do que ser lido. (…) Algo do Nordeste Transmontano está, ali, pujante de autenticidade como se de documentário projectado em panorâmico se tratasse.

E o romancista Fernando Namora: “Apreciei deveras o seu conto. Estilo sóbrio e eficaz, ritmo narrativo adequado ao tema e à ambiência, e, sem dúvida, grande comunicabilidade com o leitor.” E o mesmo Fernando Namora, noutro local: “Li, muito interessadamente, a sua narrativa. Tem desenvoltura, ritmo, comunicabilidade (…). A estória deste Luís Vicente, idêntica à de tantos outros, é autêntica, dramática (conheço o tema razoavelmente) e a solução encontrada para a desenvolver pareceu-me reveladora de um evidente domínio da arte de narrar.

Obra ficcional

A obra ficcional de Nuno Nozelos compreende os contos rurais de Gente da minha terra (1967; 2.ª ed., 1975; 3.ª ed., 1987) e Ecos do Nordeste (2000), e os volumes de temática urbana Ambos, afinal… (narrativas, 1973), Histórias ou algo mais (contos, 1985), Soçobrado (romance, 1992) e Relatos Nebulosos (contos, 2003).

Gente da minha terra, confessa o Autor no prefácio da 3.ª edição, “veio a lume (…) com a veleidade de ser uma tela, embora modesta, que retratasse as gentes nordestinas, relevando essencialmente a sua personalidade, os seus costumes, o seu linguajar e as suas carências. Tela que, como salientei na nota prefacial da segunda edição da obra, se inspirou em motivos colhidos ‘no alfobre da minha infância e juventude’”.

O próprio facto de a obra contar já três edições é significativo de que se trata de um dos mais flagrantes e conseguidos retratos da ruralidade de Trás-os-Montes jamais escritos. Fonte (texto editado)

 

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