Destruição de bibliotecas na antiguidade

Biblioteca (do grego βιβλιοϑήκη, composto de βιβλίον, biblion — “livro”, e ϑήκη theca — “depósito”), na definição tradicional do termo, é um local em que são guardados livros, documentos tridimensionais, e demais publicações para o público estudar, ler, e consultar tais obras. (Wikipédia)

Infelizmente, ao longo dos tempos, houve quem tenha considerado a existência dos livros, papiros, pergaminhos, etc., ou melhor, o que neles estava escrito, um “mal” que era preciso destruir.

Babilónia

Nabonasar, imperador da Babilónia, destruiu no século VIII a.C. todos os livros que registavam a história dos monarcas que o precederam.

Contudo, muitos outros livros dessa época e de outras anteriores ainda foram encontrados em palácios e templos e nos túmulos dos faraós.

Egipto

Era costume entre os egípcios deixar nos túmulos os rolos de papiro – livros – preferidos pelo defunto.

Estes livros salvaram-se porque estavam ocultos em lugares sagrados; porém muitos dos livros que se encontravam ao alcance da mão foram destruídos pelos persas, que odiavam a religião dos egípcios e dos fenícios.

China

No século III a.C. o imperador chinês Chi Hoang-Ti mandou queimar todos os livros do império.

Éfeso

Sabe-se que os judeus queimaram todos os livros cristãos, assim como os neófitos queimaram, por sua vez, todos os livros dos judeus durante a permanência de São Paulo em Éfeso.

Alexandria

A célebre biblioteca de Alexandria guardava 500.000 volumes e dispunha do serviço de 5.000 empregados.

Fundada por Ptolomeu (323-04 a.C.), foi queimada quando César entrou triunfalmente na cidade (48 a.C.).

Foi restaurada posteriormente e destruída de novo no ano de 390 por Amru, lugar-tenente do califa Omar, que distribuiu os volumes pelas 4.000 casas de banhos térmicos de Alexandria, nas quais foram utilizados como combustível para aquecer a água durante seis meses.

Pérgamo

O rei de Pérgamo, Eumenes ou Atalos (197-59 a.C.) pretendeu superar a grande biblioteca de Alexandria e conseguiu reunir 250.000 volumes escritos em pergaminho em substituição ao papiro e às pequenas lousas de argila.

Marco António ordenou depois a transferência desta biblioteca para Alexandria.

Cairo e Constantinopla

No século XI, os turcos saquearam a biblioteca dos Califas no Cairo, a qual continha 1.600.000 volumes e era a mais importante do mundo muçulmano.

Em 1453, quando tomaram Constantinopla, os turcos destruíram também um milhão de exemplares, muitos deles relativos ao catolicismo.

Grécia

Na Grécia houve bibliotecas notáveis, como as de Eurípedes, Aristóteles e Teofrasto.

E foi aí que existiu a primeira biblioteca pública de que se tem noticia: reunia 250.000 volumes e havia sido formada por Psístrato.

Mas também manifestou-se na Grécia a sanha destruidora: os discípulos de Hipócrates queimaram a biblioteca de Cnido.

Roma

Em Roma as bibliotecas não aparecem senão nos fins da República e mais como exposições de troféus de guerra do que como centros de cultura.

Paulo Emílio transferiu para Roma a de Perseu da Macedônia (157 a.C.) e Silas a do sábio grego Assistenas (98 a.C.), que o gramático Tiranion aumentou até reunir 30.000 volumes.

Em Roma, por ideia de César, apareceu a primeira biblioteca circulante que houve no mundo, instalada no Atrium Libertatis, perto do Forum.

Otávio fundou no Campo de Marte a Bibliotheca Importicu Octaviae.

Tibério criou a Bibliotheca Templi Augusti e a Bibliotheca Padis, e Ulpiano Trajano a Bibliotheca Ultria.

A que foi fundada por Tibério, em seu próprio palácio, ficou destruída quando Nero incendiou a cidade e a do Capitólio incendiou-se durante o reinado de Cómodo.

Em Roma existiram também algumas bibliotecas particulares de importância: Cícero, na sua quinta Tusculum, possuía uma composta por 60.000 volumes; Terêncio Varrão possuía outra com 30.000.

Constantino montou em Bizâncio uma biblioteca com as obras cristãs que foram salvas das perseguições movidas por Diocleciano.

Fonte. Almanaque mundial – 1977 (texto editado e adaptado) | Imagem