Dia Mundial da Dança – 29 de Abril

A dança: ritmo no espaço

«Nada é tão necessário ao homem como a dança. Quando alguém opta por uma conduta errada, dizemos que deu um mau passo…

E dar um mau passo acaso não estará associado ao facto de não se saber dançar?» Era esta a opinião do mestre de dança descrito por Molière em O Burguês Gentil-Homem.

Em todas as sociedades a dança desempenha um papel importante, ligado geralmente à religião, pois a dança é a vida em movimento.

Por outro lado, a sua importância não se limita ao campo exclusivamente humano. Os animais oferecem-nos espectáculos de dança tão assombrosos como paradas nupciais.

Alguns, inclusivamente, comparam os fenómenos naturais com uma grande dança cósmica: ao ritmo das estações, do dia e da noite, das nuvens, das ondas, da própria vida e dos astros, pensam descobrir uma harmonia, um ritmo e uma ordem inspirados por uma forma superior.

Tempo, espaço, ritmo

A dança diferencia-se de artes similares ou complementares como o teatro, a mímica ou a música: faz mover o corpo com um ritmo que une tempo e espaço.

Para o homem deveria ser completamente natural lançar-se em movimento, abandonando-se aos seus impulsos nervosos e musculares, e expressar os seus sentimentos por meio de passos e gestos. Alegria, cólera, entusiasmo, tristeza ou êxtase: o bailarino expressa o que está nele, mas revela igualmente os sentimentos latentes num público, numa comunidade.

Todos os grupos humanos tiveram e ainda têm as suas danças, mais ou menos codificadas: rituais e religiosas, mundanas e populares, e ainda danças de espectáculo. Os diferentes géneros estão, por vezes, misturados.

Danças rituais

Tanto entre as crenças primitivas como nas religiões mais evoluídas, a dança apareceu sempre como um meio directo de expressar os mistérios sagrados.

Os bailarinos de rituais estabelecem um contacto com as forças divinas cósmicas; os seus movimentos, geralmente repetidos com frenesim, provocam neles um estado de inconsciência, de êxtase.

É este o caso dos bailarinos derviches, confraria muçulmana ainda existente em vários pontos do Mediterrâneo, da Jugoslávia e do Egipto.

Girando freneticamente sobre si mesmos ao som de uma flauta, o derviche liberta-se das amarras terrestres e aproxima-se de Deus.

Podemos distinguir vários tipos de danças rituais. Umas consistem em sapateados, volteios, balanços, genuflexões, contorções do peito e da cabeça, fonte de uma verdadeira embriaguez provocada e mantida pelos ritmos poderosos das percussões.

Estas danças, de carácter extrovertido e erótico, são frequentes em África e na América (o ritual vudu, do Haiti, inclui danças que conduzem a um êxtase colectivo). O indivíduo que dança em êxtase está «possesso» pelos espíritos ou pela divindade.

Outras danças rituais consistem na imitação de acontecimentos desejados ou temidos: danças da fecundidade, danças guerreiras ou macabras, danças que simulam cenas de caça, etc.

Trata-se de diversas práticas mágicas, nas quais os trajes desempenham um papel importante; visam conjurar a desgraça (seca, por exemplo) ou a realização de um acontecimento feliz (caça abundante, etc.).

Danças sagradas mais evoluídas

Existem, por último, danças sagradas mais evoluídas, no decurso das quais o bailarino entra em comunicação mística com a divindade. O ritual costuma ser muito estrito: na Ásia, onde a dança está muito interiorizada, cada gesto, cada atitude, reveste-se de um significado concreto.

Nas danças hindus, por exemplo, o bailarino, um verdadeiro demiurgo (criador), cria o mundo e aniquila as forças maléficas utilizando uma linguagem de gestos cheia de símbolos.