Dr. José Inácio Guillotin deu o nome à guilhotina!

Dr. José Inácio Guillotin

O Doutor José Inácio Guillotin nasceu em Saintes, a 28 de maio de 1783, e faleceu em Paris, em 26 de março de 1814. Era, naquele ano de 1789, um dos membros da Assembleia Nacional Francesa, onde se discutiam os mais variados assuntos.

No dia 10 de outubro, o doutor ergueu-se da sua confortável poltrona e caminhou majestosamente para a tribuna, como convinha a um ilustre deputado. Iria fazer um discurso e apresentar uma proposta.

O doutor pigarreou, depois tossiu francamente e finalmente começou o seu discurso.

Pretendia ele que todos os criminosos sofressem a mesma pena, sem qualquer distinção. A forca era considerada infamante, o machado era privilégio dos nobres.

Ora, a Revolução não deveria tolerar distinções, nem mesmo na maneira de dar a morte, na forma de morrer, pois todos deveriam ser absolutamente iguais… ou não estariam realizados os ideais da Revolução Francesa

A 1 de dezembro seguinte, o doutor voltou a falar.

Mais inflamado do que nunca, bateu na velha tecla: a Revolução não poderia distinguir entre os cidadãos, que deveriam ser iguais na morte.

Então apresentou o projeto que concebera, que acarinhara durante noites inteiras que passara em claro, pensando no assunto: os criminosos, os condenados, seriam decapitados com o auxílio de uma máquina.

Só mais tarde, porém, a 3 de junho de 1791, o representante do povo Lepeletier conseguia a votação de uma lei determinando que “todo o condenado à morte tivesse a cabeça cortada“.

Mas cortada, como, de que maneira? Por um mecanismo. Muito bem: mas onde estava o dito mecanismo, que mecanismo era esse?

A invenção do mecanismo

O secretário da Academia de Cirurgia, doutor António Luís, foi convocado com urgência.

Provavelmente, ter-se-á recordado de que já existiam máquinas de degolar, em uso na Boémia, no século XIV. Provavelmente, também se lembrou de que a Holanda possuíra uma máquina de matar, no século XVI; talvez se tenha recordado de que a Itália tivera um instrumento semelhante…

Depois de profundas reflexões, resolveu o doutor que a França precisava de algo novo, mais moderno, mais eficiente, mais sugestivo.

Chamou o seu querido amigo Tobias Schmidt, fabricante de pianos, e expôs o grave problema.

Os dois passaram a trabalhar em grande segredo, a portas fechadas, com sentinela e todas as garantias, até que um belo dia anunciaram haver descoberto a solução do problema.

A primeira experiência com a máquina que inventaram foi realizada com um morto, no dia 17 de abril de 1792, no Hospital de Bicetre.

O carrasco Sanson colocou o corpo que deveria ser executado sobre a tábua, apertou a mola e a lâmina desceu, separando a cabeça do tronco, rapidamente.

Estava aprovada a máquina que serviu pela primeira vez na execução do salteador Nicolau Pelletier, no dia 25 de abril de 1792, com pleno êxito e geral satisfação da Justiça, enquanto por toda a parte se faziam elogios à grande preocupação de humanidade revelada pela justiça francesa, que se mostrava tão adiantada na arte de cortar cabeças com o mínimo possível de sofrimento…

Outros nomes até chegarem a guilhotina!

O povo deu àquele instrumento os mais variados nomes. Primeiramente chamaram no de Mirabelle. Depois, lembraram-se do doutor Luis e passou a ser a Luisete.

Mas houve quem recordasse que o doutor Guillotin fora o primeiro a propor a sua adoção. E o bom povo resolveu reparar a injustiça que vinha sendo praticada para com o doutor, dando o nome de guilhotina o aparelho aperfeiçoado de matar, que recebeu, igualmente, a designação mais pitoresca de “a viúva“.

Durante os trágicos tempos da Revolução, especialmente durante a fase denominada O Terror, a guilhotina ou “viúva” funcionou intensamente, várias vezes ao dia.

À  volta da guilhotina reunia-se o povo, comendo os seus pães e os seus salames, esperando o carro que conduzia os condenados, sempre detestados nobres ou burgueses que não pensavam da forma que desejavam que pensassem os homens que mandavam na Franca daqueles dias: os Danton, os Robespierre, os Marat, que foram, na verdade, autênticas hienas jamais empanturradas.

Rufavam os tambores, a lâmina descia, uma cabeça saltava, enquanto o sangue jorrava.

O povo aplaudia, mordia os pães com salame ou chouriço e aguardava a chegada do próximo condenado que não se esquecia de mimosear com os mais puros palavrões do idioma.

O Terror na Revolução Francesa

O Terror foi uma das fases mais tristes de toda a História da Franca e o período negro da Revolução, devido, principalmente, a Robespierre. Este foi um verdadeiro sádico que parecia sentir imenso prazer com o cheiro e o gosto do sangue humano.

Nunca, em parte alguma, em tempo algum, se matou tanto como nesses dias trágicos que viveu a França.

Para ser condenado não era necessária grande coisa. Bastava não pensar da maneira pela qual pensavam os membros do Comité de Salvação Pública. Bastava uma simples critica a qualquer ato ou decisão dos ilustres senhores, bastava uma simples suspeita.

In “Histórias da História do Mundo” (texto editado e adaptado)