O essencial sobre os tempos litúrgicos na Igreja Católica

 

 Tempo do Advento | Tempo do Natal | Tempo Comum antes da Quaresma | Tempo da Quaresma | 

 Quarta-feira de Cinzas | Semana Santa | Domingo de Ramos na Paixão do Senhor | 

 Quinta-feira da Semana Santa | Tríduo Pascal | Quinta-feira da Semana Santa à tarde |

 Sexta-feira da Paixão do Senhor | Sábado Santo | Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor

Tempo Pascal | Tempo Comum após o Tempo Pascal

 

7.- O lava-pés, que segundo a tradição deste dia se faz a alguns homens escolhidos, manifesta o serviço e a caridade de Cristo, que não veio para ser servido, mas para servir. É conveniente conservar esta tradição e explicar o seu sentido genuíno.

8.- Na procissão dos dons é muito de aconselhar que se levem ao altar bens para os pobres, especialmente aqueles que, no Tempo da Quaresma, foram recolhidos como fruto da penitência. Durante a procissão canta-se o hino Onde haja caridade.

9.- Terminada a oração depois da Comunhão, organiza-se uma procissão através da igreja com incenso e velas, na qual se leva a Eucaristia para a capela da reposição.

10.- Terminada a celebração deste dia, procede-se à desnudação privada dos altares e, sendo possível, retiram-se as cruzes da igreja. Convém que as cruzes, que por qualquer razão permaneçam na igreja, sejam cobertas.

11.- Exortem-se os fiéis a fazer adoração diante do Santíssimo Sacramento, durante um conveniente tempo nocturno, segundo as circunstâncias locais, mas de modo que, após a meia-noite, essa adoração seja feita sem solenidade.

12.- A procissão e a reposição do Santíssimo não se fazem nas igrejas em que não se celebra a Acção litúrgica da Paixão do Senhor, na Sexta-feira seguinte.

Sexta-feira da Paixão do Senhor

1.- Neste dia, em que Cristo, nossa Páscoa, foi imolado, A Igreja olha para a cruz do seu Senhor e Esposo e adora-a, comemora o seu nascimento do lado de Cristo adormecido na cruz, e intercede pela salvação do mundo inteiro.

2.- Por antiquíssima tradição, a Igreja, neste dia, não celebra a Eucaristia. A sagrada comunhão é distribuída aos fiéis apenas dentro da celebração da Paixão do Senhor; mas aos doentes que não podem participar nessa celebração, pode levar-se a qualquer hora do dia.

3.- Além da Penitência e da Unção dos enfermos, não se devem celebrar outros sacramentos. As exéquias devem realizar-se sem canto, sem órgão e sem toque de sinos.

4.- A Sexta-feira da Paixão do Senhor é dia de penitência em toda a Igreja, e deve realizar-se com jejum e abstinência de carne.

5.- Recomenda-se muito a celebração comum, com o povo, do Ofício de Leitura e Laudes deste dia.

6.- A celebração da Paixão do Senhor deve fazer-se depois do meio-dia, cerca das três horas da tarde; se verdadeiras razões pastorais o aconselharem, pode escolher-se uma hora mais conveniente a partir do meio-dia, mas não depois das nove horas da noite.

7.- Toda a Acção Litúrgica deve ser realizada de acordo com o que prescrevem os livros litúrgicos. Ninguém, por sua livre iniciativa, lhe deve introduzir alterações.

8.- O altar deve estar desnudado: sem toalhas, sem cruz, sem candelabros.

9.- Para a leitura da Paixão, veja-se o que foi dito para o Domingo de Ramos (nº7).

10.- A cruz que se mostra ao povoe se apresenta à adoração deve ser suficientemente grande e esculpida à mão, com elegância. A fórmula para mostrar a cruz e a resposta do povo devem ser proferidas com canto. Em razão da verdade do sinal, deve apresentar-se à adoração uma só cruz. Hão-de, pois, tomar-se providências para que cada um dos fiéis possa adorar a cruz, o que é muito importante na celebração deste dia. O rito em que a cruz é adorada simultaneamente por todos, em silêncio, deve utilizar-se apenas quando os fiéis que participam na celebração forem deveras muito numerosos.

11.- Depois da celebração da Paixão do Senhor, leva-se a Santíssima Eucaristia, de forma simples, para o lugar da reserva, e aí se guarda, junto da lâmpada acesa. E desnuda-se o altar de forma privada, deixando sobre ele a cruz e os candelabros.

É conveniente preparar um local apropriado (v.g. a capela onde se fez a reposição do Santíssimo no dia anterior), que facilite a oração e a meditação, e onde se coloque a cruz a adorar pelos fiéis.

12.- Hoje, depois da desnudação da cruz e amanhã, até à Vigília pascal exclusive, genuflecte-se à cruz.

13.- Devem fazer-se também aqueles exercícios de piedade popular que têm, por si mesmos, grande importância pastoral, v.g. a «Via-Sacra», e as procissões da Paixão do Senhor, a memória das dores da Santíssima Virgem Maria. Os seus textos e cantos devem estar de acordo com a liturgia e mostrar que esta, por sua natureza, é superior a esses exercícios de piedade.

bado Santo

Hoje, antes da Vigília Pascal, a sagrada comunhão só pode ser levada como Viático.

As Completas são omitidas por aqueles que participam na Vigília Pascal.

1.- No Sábado Santo a Igreja detém-se junto do sepulcro do Senhor, meditando na sua paixão e morte e na sua descida á mansão dos mortos e aguardando, no jejum e nas orações, a sua ressurreição.

Recomenda-se muito a celebração do Ofício de Leitura e Laudes com participação do povo. Se não for possível, faça-se uma celebração da Palavra de Deus ou outro exercício de piedade que esteja de acordo com o mistério desse dia.

2.- Na igreja pode propor-se à veneração dos fiéis uma imagem de Cristo crucificado, ou depositado no sepulcro, ou descendo á mansão dos mortos, que torne claro o mistério do Sábado Santo, ou também uma imagem das dores da Santíssima Virgem.

3.- Neste dia a Igreja abstém-se por completo da celebração da Eucaristia. A sagrada comunhão apenas pode ser dada como Viático. Não deve fazer-se a celebração do Matrimónio nem de outros sacramentos, com excepção da Penitência e da Unção dos enfermos.

4.- Esclareçam-se os fiéis acerca da natureza peculiar deste dia. As tradições festivas intimamente ligadas à celebração da Páscoa, outrora antecipadas para o Sábado Santo, sejam reservadas para a noite e para o dia de Páscoa.

Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor

Hoje, o Ofício de Leitura é omitido por aqueles que participam na Vigília Pascal.

1.- Segundo antiquíssima tradição, esta noite é admirável para o Senhor, e a Vigília que nela se celebra, para comemorar a noite santa em que o Senhor ressuscitou, é tida como a “mãe de todas as santas vigílias”. Nela, com efeito, a Igreja aguarda, em expectativa vigilante, a ressurreição do Senhor, e celebra os sacramentos da iniciação cristã. Além disso, a tradição cristã sempre reconheceu, nesta Vigília, uma característica de expectativa pela vinda do Senhor nos últimos tempos.

2.- A celebração da Vigília Pascal realiza-se toda de noite, de tal modo que ou não comece antes do início da noite, ou acabe antes do raiar do dia do domingo. Deve reprovar-se o hábito de celebrar a Vigília Pascal à hora em que as Missas vespertinas do domingo costumam antecipar-se para o sábado. Além disso, toda a celebração deve ser ordenada de modo a favorecer a sua natureza de vigília prolongada.

3.- Não é permitida a celebração só da Missa sem os ritos da Vigília Pascal.

4.- A Vigília Pascal pode celebrar-se também nas igrejas e oratórios onde não se realizaram as acções litúrgicas de Quinta e Sexta-feira, e omitir-se onde aquelas acções sagradas se celebraram. Deve celebrar-se onde exista fonte baptismal.

5.- Para toda a acção litúrgica os ministros sagrados revestem-se, como para a Missa, de paramentos brancos.

6.- A Vigília desta noite está ordenada de tal modo que, após breve lucernário (primeira parte desta Vigília), a Igreja santa medita nas maravilhas que o Senhor Deus realizou, desde o princípio, em favor do seu povo, confiando-lhe a sua palavra e a promessa (segunda parte ou liturgia da palavra), até ao momento em que, ao aproximar-se o dia da ressurreição, juntamente com os novos membros renascidos no baptismo (terceira parte), os convida para a mesa que o Senhor Jesus, pela sua morte e ressurreição, preparou para o seu povo (quarta parte).

Toda a Vigília Pascal é enriquecida por símbolos e ritos, a realizar com amplitude e a dignidade que se harmonizem com eles, para que os fiéis lhes descubram o sentido, insinuado também nas admonições e orações.

É conveniente sobretudo levar os fiéis, por meio de breve admonição, a compreenderem o sentido tipológico das leituras do Antigo Testamento que se fazem na Vigília.

7.- Para a bênção do lume deve preparar-se, na medida do possível, uma fogueira, num lugar conveniente fora da igreja, cuja chama consiga, de facto, dissipar as trevas e iluminar a noite.

8.- Para ser mantida a verdade do símbolo, o círio pascal deve ser inteiramente feito de cera, ter grandes dimensões, e renovar-se todos os anos. Efectivamente, ele deve exprimir a figura de Cristo que, como verdadeira luz, ilumina o mundo. Deve ser benzido com os sinais e as palavras que vêm nos livros litúrgicos.

9.- O precónio pascal pode ser anunciado, de for necessário, por um cantor que não seja diácono, o qual não recebe a bênção do celebrante e omite uma parte do invitatório (Quapropter…) e a saudação O Senhor esteja convosco.

Pode cantar-se na forma longa ou na forma breve.

10.- Devem ler-se pelo menos três leituras do Antigo Testamento, e em casos mais urgentes ao menos duas; nunca se deve omitir a leitura do livro do Êxodo.

L 1 – Gen 1, 1 – 2, 2 ou Gen 1, 1. 26-31ª

L 2 – Gen 22, 1-18 ou Gen 11, 1-2 9ª 10-13. 15-18

L 3 – Ex. 14, 15 – 15, 1

L 4 – Is 54, 5-14

L 5 – Is 55, 1-11

L 6 – Bar 3, 9-15. 32 – 4, 4

L 7 – Ez 36, 16-17ª 18-28

L 8 – Rom 6, 3-11

Ev  – Mc 16, 1-8

11.- A liturgia baptismal da Vigília Pascal atinge a sua plenitude quando se celebra o baptismo de adultos, ou pelo menos de crianças. Todavia, mesmo quando não se celebra o baptismo, deve fazer-se, nas igrejas paroquiais, a bênção da água baptismal. Nos lugares onde a fonte não deve ser benzida, para recordar o baptismo deve fazer-se a bênção da água, com a qual, depois da renovação das promessas baptismais, o povo é aspergido.