Estâncias termais: Termas e Caldas em Portugal

Termas e Caldas em Portugal

«Os registos arqueológicos mais antigos que se conhecem em Portugal e que confirmam o culto dos povos ancestrais pela água, localizam-se no distrito de Braga, sendo anteriores ao período céltico.

Como exemplo de explorações de águas nos tempos proto-históricos podemos citar os vestígios encontrados em Vizela.

A utilização das águas termais no território português é pois muito anterior à fundação da nacionalidade. Povoados construídos nas imediações de fontes ou de nascentes termais tomaram a designação de “caldas”, “caldelas”, “termas” ou simplesmente “banhos”, de acordo com o período histórico em que tal designação se estabeleceu.

Desde o Império Romano

Com o Império Romano, muitas fontes já existentes foram aproveitadas e melhoradas.

Ainda hoje se podem encontrar restos arqueológicos desta época junto às termas actualmente mais frequentadas de Portugal:

– Chaves (antiga Aquae Flaviae),

– Canavezes,

– Caldas da Saúde,

– Cabeço de Vide,

– Caldelas,

– S. Vicente,

– S. Jorge,

– S. Pedro do Sul (antigas Caldas de Alafões),

– Monchique, Arêgos,

– Caldas da Rainha,

– Caldelas

– ou Taipas, entre outras.

São igualmente bem conhecidas de todos nós as ruínas de Conímbriga (próximas de Coimbra).

A história do desenvolvimento dos estabelecimentos balneares e da utilização das águas em Portugal está pois frequentemente associada à cultura romana. São particulares testemunhos os aquedutos construídos para o transporte das águas e as reminiscências de elementos arquitectónicos nos antigos balneários romanos.

A cultura romana marca a utilização das águas por uma acrescida vertente de carácter social que assim se junta à anterior componente essencialmente de saúde, decorrente da cultura grega.

Roma consagra uma perspectiva multidimensional ao termalismo, simultaneamente de saúde e de lazer, em que a interacção social desempenha um importante papel como factor sinergicamente lúdico e terapêutico. (…)

Termalismo em Portugal

O verdadeiro “boom” do Termalismo em Portugal vai ocorrer já nos séculos XIX e XX, em sintonia com o resto da Europa. A aristocracia e a burguesia urbanas de então não dispensavam no final do Verão uma ida às Termas.

Era modas instalarem-se, por vezes famílias inteiras, nos sumptuosos hotéis que no princípio do século passado povoavam estâncias termais como o Luso, Vidago, S. Pedro do Sul ou Pedras Salgadas.

A este período de autêntica prosperidade do Termalismo nacional e europeu seguiu-se o declínio; uma longa travessia no deserto. Surge a era da terapêutica farmacológica. A guerra também não havia ajudado. A moda da praia ocupa a dimensão lúdica da procura termal.» Fonte