Extinção da Ordem dos Templários – 22.03.1312

Em meados do século XIV, perante este impasse, o rei de França Filipe, o Belo, suprime a Ordem em França e congela o seu gigantesco património. A 13 de maio de 1307 Jacques de Molay é mesmo preso.

Em 1312, sob pressão de Filipe, o Belo, o papa Clemente V, na segunda sessão do concílio de Vienne (1311-1312), pronuncia a dissolução da Ordem do Templo a 22 de Março, confirmada em bula de 3 de Abril desse ano. Os bens dos Templários são também transferidos para os Hospitalários.

Num ambiente de perseguição e acusações, os Templários são perseguidos por toda a Cristandade, principalmente em França, assistindo-se a atos brutais de crueldade.

Recorde-se, por exemplo, que a 19 de Março de 1314, Jacques de Molay e Geoffrey de Charnay, figuras cimeiras dos Templários, irredutíveis na defesa intransigente da ordem, foram queimados vivos depois de terem recusado comprovar as acusações – um tanto absurdas e infundadas – levantadas contra eles.

O processo e a herança deixada

O processo de extinção dos Templários constitui um dos “casos por resolver” da História e envolto em brumas e enigmas. Estes, muitas vezes, conduzem à ideia, por provar, de que os Templários

– terão sido ou alvo de cobiça devido ao seu espantoso património,

– ou “bodes expiatórios” de uma certa decadência da Cristandade e da luta entre o seu poder e o dos Estados em fase de afirmação política.

Actualmente alguns grupos de cidadãos reclamam a herança espiritual e mística dos Templários, tentando um ressurgimento da Ordem.

Os Templários em Portugal

Em Portugal, a primeira notícia referente aos Templários é uma doação feita por D. Teresa em 19 de Março de 1128. Trata-se do castelo e terras de Soure. Esta doação é a primeira de muitas com os reis portugueses brindaram os Templários, muito importantes no apoio à Reconquista Cristã e formação do reino de Portugal.

Estabeleceram-se em Tomar em 1160, aí iniciando a construção de um castelo e respectivas dependências conventuais.

Os Templários eram detentores de um vasto senhorio com inúmeros benefícios e terras na região entre Tomar e o Tejo, em cujo rio construíram o Castelo de Almourol, outro dos seus emblemas no nosso País. Até à sua extinção em Portugal, em 1312, em pleno reinado de D. Dinis.

No entanto, ao contrário de além-Pirenéus, os bens dos Templários na Península Ibérica – graças às pressões dos monarcas peninsulares – não estavam abrangidos pela imposição papal de serem transferidos para os Hospitalários.

D. Dinis conseguiu, depois de sete anos de negociações com a Santa Sé, que esta autorizasse a fundação de uma milícia portuguesa a partir dos bens dos extintos Templários.

Foi esta milícia denominada Ordem de Cristo, e confirmada pela bula Ad ea ex quibus, de 14 de Março de 1319, emitida em Avinhão por João XXII.

Muitos dos Templários portugueses, segundo a tradição, terão passado para a Ordem de Cristo. Esta, a partir de 1356, teve como sede a antiga fortificação-convento templária de Tomar.

A mais conhecida das figuras da ordem de Cristo em Portugal foi o Infante D. Henrique.

Fontes: Ordem dos Templários. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013 (exto editado e adaptado) | Imagem de Ruth Archer