Fertilização do solo através de composto orgânico

Factores a ter em conta na elaboração do composto

Mistura de materiais

Na construção de uma pilha de compostagem é frequente utilizar uma mistura de materiais ricos em carbono (materiais castanhos) com outros ricos em azoto (materiais verdes).

Os materiais ricos em carbono fornecem a matéria orgânica e a energia para a compostagem e os materiais azotados aceleram o processo de compostagem, porque o azoto é necessário para o crescimento dos microrganismos.

Genericamente, quanto mais baixa é a relação C/N mais rapidamente termina a compostagem.

A relação C/N (peso em peso) ideal para a compostagem é frequentemente considerada como 30.

Dois terços do carbono são libertados como dióxido de carbono que é utilizado pelos microrganismos para obter energia e o outro terço do carbono em conjunto com o azoto é utilizado para constituir as células microbianas.

Note-se que o protoplasma microbiano tem uma relação C/N próxima de 10 mas, para efectuar a síntese de 10 carbonos com um azoto, e assim constituir o seu protoplasma, os microrganismos necessitam de 20 carbonos, aproximadamente, para obter energia.

As perdas de azoto podem ser muito elevadas (por exemplo, de 50%) durante o processo de compostagem dos materiais orgânicos, particularmente quando faltam os materiais com elevada relação C/N.

Relação Carbono / Azoto

Por esta razão, Lampkin (1992) refere a necessidade de uma relação C/N de 25 a 35 para uma boa compostagem:

– Para relações C/N inferiores o azoto ficará em excesso e poderá ser perdido como amoníaco causando odores desagradáveis.

– Para relações C/N mais elevadas a falta de azoto irá limitar o crescimento microbiano e o carbono não será todo degradado conduzindo a que a temperatura não aumente, e a que a compostagem se processe mais lentamente.

Um volume de três partes de materiais ricos em carbono para uma parte de materiais ricos em azoto e uma mistura muitas vezes utilizada.

Com o aumento dos materiais ricos em carbono relativamente aos azotados o período de compostagem requerido aumenta.

Para calcular a relação C/N da mistura de materiais (material 1, material 2, etc.) pode ser utilizada a seguinte fórmula:

C/N final = P1 [C1 (100-H1)] + P2 [C2 (100-H2)] +… / P1 [N1 (100-H1)] + P2 [N2 (100-H2)]

O solo ajuda a manter a estabilidade da pilha e é utilizado como inoculo de microrganismos responsáveis pela compostagem.

O solo recolhido por baixo de uma pilha velha de compostagem, de um celeiro, ou de um curral é rico em azoto.

A quantidade de solo a utilizar numa pilha de compostagem não deve exceder um a dois centímetros por cada 30 cm de altura da pilha.

Demasiado solo torna a pilha pesada para revolver e pode criar condições de anaerobiose em clima chuvoso.

Arejamento (presença de oxigénio)

Os microrganismos precisam de oxigénio (O2) para poderem oxidar a matéria orgânica. Uma vez que deve ocorrer uma fermentação aeróbia. Na falta de O2, haverá uma fermentação anaeróbia, com desprendimento de mau cheiro.

A porosidade na pilha deve ser maior ou igual a 35% do volume total da pilha.

De forma a controlar a porosidade da pilha, (a presença de oxigénio), será ter, à partida, uma pilha constituída por pedaços ou partículas de matéria orgânica fresca. Deverão ter dimensões que assegurem uma boa circulação do ar, mas não demasiado grandes, pois isso não permitiria um suficiente contacto entre si.

Relativamente à dimensão da pilha, uma dimensão muito grande dificulta não só o manuseamento da pilha, mas também o arejamento do seu interior.

Em caso de défice de ar no seio da pilha, uma das estratégias é o reviramento. Isso irá não só introduzir ar, mas também torná-la mais porosa.

Humidade

A massa de água deve ser de 50-60% do peso total da pilha

Os microrganismos precisam de água para a sua actividade. Daí que a pilha tem de permanecer sempre húmida, com a matéria orgânica bem impregnada. No entanto, o excesso de água impede a circulação do ar.

Um modo prático de verificar a quantidade de água, consiste em apertar na mão um punhado retirado da pilha deve molhar a mão, não escorrendo mais que umas gotas entre os dedos.

Quando os materiais não absorvem a água facilmente, como por exemplo pedaços de madeira, mato pouco triturado, etc., há que os regar e calcar bem durante 2-3 semanas, para se impregnarem antes de os juntar na pilha.

Em princípio, será preciso proceder a várias regas durante a compostagem. A cobertura da pilha ajuda a manter a humidade.