Festa do Povo de Campo Maior | Festas Populares

Festa do Povo ou das Flores

A Festa do Povo de Campo Maior, também conhecida como a Festa das Flores em Campo Maior, não se realiza todos os anos!

Dedicada a São João Baptista, patrono de Campo Maior, é uma das festas mais extraordinárias de Portugal. É também chamada Festas dos Artistas ou do Povo.

Realiza-se no início de Setembro, quando o Povo muito bem entende, e transforma, literalmente da noite para o dia, uma vila inteira num oceano de flores de papel.

Milhares de rosas, cravos, tulipas, glicínias, papoilas

– nascem das casas,

– amarinham pelas paredes

– e passam de um lado para o outro das ruas transformando-as em túneis de mil cores.

A beleza toma conta desta original povoação raiana, as portas abrem-se e começa a festa de bem acolher.

São cântaros de água fresca sempre ao dispor do forasteiro que não há-de sair dali sem uma flor na lapela. São palavras que se soltam porque o movimento é de partilha e não de solidão.

E são as «Saias», feitas de quadras soltas, bem populares que se dançam ao ritmo alegre de pandeiretas e castanholas, é tudo o que faz a noite alentejana no seu melhor.

Os obreiros deste milagre são os moradores de cada rua. Guardam, ciosamente, de todos os outros o segredo da decoração do seu sítio. E dia a pós dia, durante meses a fio, roubam incontáveis horas de trabalho ao seu tempo de descanso e criam estas flores de papel.

É preciso ir ver. Quando, ainda não se sabe. (…)

Uma visita a Campo Maior

Mas não adie uma visita a Campo Maior (…).

Pelo contrário, quem não conhece esta vila só ganha em vê-la no dia-a-dia. É que vale por si e para melhor se aperceber da dimensão da sua metamorfose.

Em qualquer altura do ano é um prazer

– passear dentro da cerca muralhada onde, no século XVI, moravam 2.500 pessoas,

– ver as vistas do castelo que tem longa história bélica para contar,

– espreitar o pitoresco casario dos quartéis e

– descobrir, escondida na Igreja Matriz, a pequena Capela dos Ossos.

Esta capela foi construída em memória (e com ossadas) dos que morreram em 1732, quando um raio atingiu um paiol de pólvora, provocando uma explosão que arruinou a torre de menagem e as casas de mais de dois terços da população.

Na parte baixa, edificada a partir do séc. XVII, veja

– a Praça da República Portuguesa, sereno largo com um pelourinho coroado por uma estatueta simbolizando a justiça,

– e o belo edifício dos Paços do Concelho, cujo passadiço dá acesso a uma das muitas e pitorescas ruas de gosto andaluz, onde o ferro forjado marca a presença forte e a doçaria regional é uma tentação.

Uma visita aos arredores

Quem vai a Campo Maior e gosta de festas não poderá deixar de fazer mais uma escassa dezena de quilómetros, na companhia de extensos e bem tratados olivais. Pode subir à solitária Ouguela, sentinela de outros tempos, e, de regresso, atravessar o rio Xévora para visitar o Santuário de Nossa Senhora da Enxara, que está ligado a uma antiga lenda.

Aqui a animação é na Semana Santa:

– o povo do concelho desloca-se de armas e bagagens, monta acampamento durante dois ou três dias e faz a festa

– com missa, procissão campal, tourada, baile, comes e bebes e divertimentos de feira para entreter a pequenada.

Fonte: In GUIA Expresso “O melhor de Portugal” – 12 – Festas, Feiras, Romarias, Rituais (texto editado e adaptado)

As Festas do Povo estão inscritas no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial

Em comunicado enviado à imprensa, a Direção Geral do Património Cultural dá conta da “Inscrição das Festas do Povo de Campo Maior no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial”, que passamos a citar:

«As “Festas do Povo de Campo Maior” passam a estar inscritas no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, na sequência de decisão favorável da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) ao pedido apresentado pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.

Um dos fundamentos para a classificação foi a importância de que se reveste esta manifestação do património cultural imaterial, enquanto reflexo da identidade da comunidade em que esta tradição se originou e se pratica.

Foram igualmente consideradas a produção e a reprodução efetivas que caraterizam esta manifestação do património cultural na atualidade, traduzida em práticas transmitidas intergeracionalmente no âmbito da comunidade de Campo Maior, com recurso privilegiado à oralidade.

Concluído o procedimento de inventariação das “Festas do Povo de Campo Maior”, a respetiva Ficha de inventário será oportunamente disponibilizada na página eletrónica de acesso ao Inventário Nacional do Património Cultural ImaterialFonte