Festa do Trânsito de São Bento – 21 de Março

Em 909, a fundação da Abadia de São Pedro, em Cluny, constitui um marco fundamental na história da ordem e, mais geralmente, na da vida monástica do Ocidente: o mosteiro, beneditino, vai fundando mais casas que, de acordo com o modelo feudal dominante, permanecem dependentes dele e a ele sujeitas.

A influência de Cluny contribui para a imposição da regra beneditina como regra dominante e então praticamente exclusiva em todos os mosteiros da Europa.

O sucesso cluniacense suscita, como reacção, movimentos de reformas que, por sua vez, levam à constituição de confederações de mosteiros que seguem a regra beneditina imprimindo-lhe a sua marca própria, no caso um maior rigor ascético:

– os camáldulos,

– as ordens de Vallombreuse,

– de Fontevrault

– e, sobretudo, a de Citeaux em finais do século XI.

Assim, a forma de vida beneditina, embora conservando a sua especificidade até aos nossos dias, vai subdividir-se em ramos extremamente diversos.

Constitui não tanto uma ordem propriamente dita, à semelhança do que serão mais tarde os franciscanos, os dominicanos ou os jesuítas, mas antes uma organização flexível, unida por um ideal de vida que mistura a oração e o trabalho.

Uma obra civilizadora

Consagrando uma parte da sua vida ao trabalho, os monges beneditinos desempenharam um papel decisivo na história da civilização ocidental.

Fechados no seu scriptorium – a oficina de escrita e iluminura – e nas bibliotecas dos conventos, livraram do total desaparecimento as obras da literatura da Antiguidade.

Pertenceram à ordem beneditina grandes pensadores da Idade Média, homens que desempenharam um papel político considerável. O mais célebre é São Bernardo, o fundador da Abadia de Clairvaux, de obediência cisterciense- o homem que lutou contra Abelardo e pregou a cruzada.

De grande importância é igualmente o papel dos mosteiros beneditinos no campo da arquitectura e da arte em geral.

As mais belas construções romanas, as obras-primas da escultura deste estilo têm por local de experimentação as grandes abadias do Ocidente.

Situadas fora das cidades, as casas beneditinas ou cistercienses tiveram também um papel essencial ao difundirem, nos campos, uma organização original e novas formas de cultura. O movimento monástico inaugurado por São Bento atravessou os séculos, sobrevivendo a crises sucessivas.

«Trabalho manual quotidiano»

«A ociosidade é inimiga da alma. Por isso, em momentos determinados, os monges devem dedicar-se a trabalhos manuais; e, a horas igualmente estabelecidas, à leitura divina.

Da Páscoa até começos de Outubro, saindo pela manhã, devem fazer os trabalhos necessários desde a primeira até cerca da quarta hora. Da quarta até à sexta hora, devem ocupar-se da leitura. A partir da sexta hora, depois de se levantarem da mesa, devem repousar no leito, em perfeito silêncio ou, se algum quiser ler, que o faça sem incomodar ninguém.

E que celebrem a nona [a nona hora] um pouco antes, a meio da oitava hora, depois devem voltar a trabalhar nas suas ocupações até às vésperas. Se a necessidade ou a pobreza o exigirem e tiverem de ocupar-se das colheitas, que não se entristeçam por isso; o verdadeiro monge vive do trabalho das suas mãos, como os nossos pais e os nossos apóstolos.»

Extracto da Regra de São Bento, cap. XLVII.

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