Martim Gonçalves de Macedo, herói de Aljubarrota

O solar é conhecido na terra por «Casa do Mouro», uma alusão ao referido busto que, pelo estilo com que foi esculpido, lembra um guerreiro árabe, mas que, como se referiu, apresenta  entre a base do busto e o cimo das quadras do brasão, menos visível, um braço e mão de um guerreiro empunhando um maço de guerra, ou seja o registo do que caracterizou a imagem do herói.

Martim Gonçalves de Macedo, herói de Aljubarrota

Vinhais

Quanto a Vinhais o registo da ligação deste herói a esta vila é seguro e basta transcrever um trecho da «Predatura Lusitana» um livro de linhagens de autoria de Cristóvão de Morais do século XVII que, ao referir-se à linhagem dos Macedos, indica que tinham solar em Vinhais.

Transcrevo um pouco desse texto – «Martim Gonçalves de Macedo, 1º filho de Gonçalo Eanes de Macedo e este se acha nos registos de el-Rei D. Fernando, com 1500 libras, que lhe deu a cada mês de quantia…».

Ou seja, Vinhais foi a povoação de naturalidade de seu pai.

Curiosamente, Vinhais nunca demonstrou muito interesse por esta enorme figura histórica e em meu entender é a localidade com maior probabilidade de ser o berço deste herói.

Macedo de Cavaleiros

Quanto a Macedo de Cavaleiros, também há registos da presença de Martim e das suas «tropas» na zona de Macedo e de todo o território raiano do nordeste bragançano aquando de alguns motins contra os castelhanos, no rescaldo das lutas pela manutenção da independência nessa época da crise de 1383/85.

Além disso o nome «Macedo» constitui outro grande trunfo dos macedenses nesta disputa e são de facto os macedenses os que mais assumem a naturalidade deste herói, havendo imagens iconográficas a ele alusivas em diversos locais da povoação, actualmente com estatuto de cidade.

Há um painel a esta figura dedicado e bem ilustrado no museu da cidade onde se pode ver uma figura mais próxima do que seria a sua verdadeira imagem como guerreiro medieval, figura essa que também se anexa a este texto. Ficando a dúvida de qual seria a naturalidade deste grande herói, uma realidade é certa e de que nos podemos todos orgulhar: foi um grande herói transmontano!

Nota final – a placa identificadora existente no túmulo em Aljubarrota com o seu nome foi alterada recentemente, pois na placa antiga estava o nome Martim Gonçalves de Maçada e actualmente, e bem, está o seu nome correcto, pois «de Maçada» era uma alcunha que ao tempo lhe era atribuída pelo facto de se ter celebrizado com o maço de guerra e a o seu  acertivo uso no decorrer da decisiva e histórica batalha de Aljubarrota.

José Alves Ribeiro – crónica inserida no livro «Crónicas da Nossa Freguesia», edição de autor de 2015.