Rio Douro: o coração vinícola de Portugal 

O Rio Douro é um dos mais importantes e icónicos rios de Portugal, estendendo-se por aproximadamente 897 km, dos quais 213 km percorrem território português.

Nasce na Serra de Urbión, em Espanha, e desagua no Oceano Atlântico, junto à cidade do Porto. Este rio é vital para a agricultura, o turismo e a cultura da região que atravessa. 

Importância económica e social 

O Douro é essencial para a economia das regiões que atravessa, especialmente devido à sua relação com a viticultura.

O Vale do Douro é uma das mais antigas regiões vinícolas demarcadas do mundo e é famosa pela produção do Vinho do Porto, um dos produtos de exportação mais renomados de Portugal.

O rio Douro perto de Meão Frio.

As encostas íngremes e os socalcos do vale criam um cenário único onde são cultivadas as vinhas que dão origem a este vinho. 

Além da viticultura, o Douro é importante para a navegação e o turismo.

Os cruzeiros pelo Douro são uma atração turística significativa, oferecendo vistas deslumbrantes das paisagens vinícolas e das aldeias pitorescas ao longo do rio. 

O comboio na Linha do Douro, perto do Pinhão.

Importância cultural e histórica 

Culturalmente, o Douro é um símbolo de tradição e herança.  A região vinícola do Douro foi declarada Património Mundial pela UNESCO, reconhecendo a sua importância histórica e cultural.

As margens do rio Douro cheias de vinhas em socalcos

As quintas e adegas ao longo do rio preservam métodos tradicionais de produção de vinho, passados de geração em geração. 

A cidade do Porto, situada na margem direita da foz do Douro, é uma das mais antigas cidades da Europa e desempenhou um papel crucial na história marítima e comercial de Portugal.  

O rio Douro era a principal via de transporte para os barcos rabelos, que transportavam barris de vinho do Porto desde as quintas do Douro até às caves em Vila Nova de Gaia. 

Rio Douro perto da foz, no Porto: a ponte D. Luis e os barcos rabelos

Os barcos rabelos puxados à sirga

Os barcos rabelos são embarcações tradicionais portuguesas, historicamente usadas para o transporte das pipas de vinho do Porto pelo rio Douro, desde as quintas na Região Demarcada do Douro até às caves em Vila Nova de Gaia.

Estes barcos são caracterizados por terem um fundo chato, uma vela quadrada e uma construção robusta, necessária para navegar nas águas rápidas e muitas vezes traiçoeiras do rio Douro.

Puxar os barcos rabelos à sirga era uma prática comum antes da construção das barragens e eclusas no rio Douro, que regularam o fluxo de água e facilitaram a navegação.

À sirga” refere-se ao método de rebocar os barcos ao longo do rio, utilizando a força humana ou animal, caminhando pelas margens.

Barco rabelo à sirga, puxado por bois

Este método era particularmente necessário nas zonas onde as correntes eram fortes ou o rio era mais estreito, dificultando a navegação a vela ou a remos.

Grupos de homens, conhecidos como “sirgueiros“, ou até mesmo animais, como mulas ou bois/vacas, eram utilizados para puxar os barcos com cordas grossas, muitas vezes em condições difíceis.

Os sirgueiros caminhavam por trilhos junto ao rio, puxando com grande esforço e coordenação, para garantir que os barcos não encalhassem ou virassem. Este trabalho era exaustivo e perigoso, exigindo grande força física e resistência.

Com o tempo, as infraestruturas do Douro foram modernizadas, e o transporte de vinho passou a ser feito por outros meios, como camiões, e pelo caminho-de-ferro (Linha do Douro).

Hoje, os barcos rabelos são mais uma atração turística, utilizados para cruzeiros no rio Douro, em festivais e eventos, celebrando a rica história e cultura vinícola da região do Douro.

Ecologia e biodiversidade 

O Rio Douro e as suas margens são habitat de várias espécies de peixes e aves.  Entre as espécies de peixes, destacam-se a truta, a boga, o barbo e o sável.

As margens do Douro também suportam uma rica diversidade de fauna e flora, incluindo várias espécies de aves aquáticas e mamíferos. 

Curiosidades sobre o Rio Douro 

Vinho do Porto: O Vinho do Porto é produzido exclusivamente a partir de uvas cultivadas na região do Douro e é envelhecido em caves na cidade do Porto e em Vila Nova de Gaia. – Barragem de Carrapatelo: A barragem de Carrapatelo, no Douro, possui uma das maiores eclusas do mundo, com um desnível de 35 metros. 

Barragem de Carrapatelo
Barragem de Carrapatelo a descarregar água

– Cruzeiros no Douro: Os cruzeiros fluviais pelo Douro são uma experiência única, oferecendo uma perspetiva inigualável das paisagens vinícolas e das quintas. 

– Ponte D. Luís I: Esta icónica ponte metálica, inaugurada em 1886 e projetada por um discípulo de Gustave Eiffel, liga o Porto a Vila Nova de Gaia, oferecendo vistas espetaculares sobre o Douro. 

Rio Douro, um barco rabelo, a ponte D. Luís I e o Mosteiro da Serra do Pilar (Vila Nova de Gaia)

Desafios ambientais 

O Douro enfrenta desafios ambientais, incluindo a poluição e os efeitos das alterações climáticas, que podem afetar o regime de caudais e a qualidade da água.  A construção de barragens e outras infraestruturas também tem impacto sobre o ecossistema do rio. Esforços de conservação e gestão sustentável são fundamentais para preservar a saúde ecológica do Douro e garantir a sua continuidade como recurso vital para a região. 

Rio Douro e o Vale Abraão

Rio Douro 1

Rio de portugueses e de uma região que com ele se confunde, o Douro é, no entanto, mais espanhol do que lusitano. A sua bacia hidrográfica é uma das duas maiores da Península Ibérica, mas só um terço se situa em Portugal.

Nem sempre é um rio de curso plácido. Nasce a 1600 m de altitude, nos montes Cantábricos. Atravessa Castela, num percurso que alterna a calmaria com os momentos de quase fúria, recebendo afluentes pelo caminho. São mais de cinquenta, só em Espanha.

A água era muita e precisava de ser domada. As barragens vieram pôr ordem nesta loucura e tornaram-no navegável em quase toda a sua extensão.

As barragens

No total há cinco barragens no chamado Douro Internacional: Miranda do Douro (1960), Picote (1958) e Bemposta (1964), em Portugal, e Aldeadávila e Saucelle, em Espanha.

Seguem-se, já no curso português, Pocinho (1983), Valeira (1976), Régua (1973), Carrapatelo (1971) e Crestuma-Lever (1985), todas com eclusas.

Com a navegabilidade veio o turismo.

Os cruzeiros permitem agora tomar contacto com trechos do vale que eram antes exclusivo do caminho-de-ferro.

De início ficavam-se as viagens pelo percurso do Porto à Régua, com regresso de comboio, Hoje já é possível efetuar uma viagem de uma semana, até Barca de Alva.

A navegabilidade do Douro foi sempre uma questão de grande importância, sobretudo por razões económicas.

Havia necessidade de transportar o vinho para Gaia e, daí, surgiu uma embarcação única, o rabelo, especialmente adaptada a este rio acidentado, cheio de rápidos e meandros.

No Porto, sucedem-se as pontes: Freixo (a mais recente), São João (que substitui a ponte ferroviária D. Maria Pia, de Eiffel), D. Luís e Arrábida.

As pontes de São João e do Freixo

Os melhores panoramas sobre o Douro são o miradouro da Cruzinha (Lagoaça), São Salvador do Mundo (São João da Pesqueira), a descida de Vila Flor para o rio (via Vilarinho da Castanheira), São Leonardo da Galafura (entre Vila Real e a Régua) e Barrô (Lamego).

Indicações úteis

Nascente

– Serra de Urbion (Espanha)

Foz – Porto

Extensão – 927 km (um terço em Portugal)

Bacia Hidrográfica – 99.000 km² (19.000 km em Portugal)

Afluentes em Portugal: Sabor, Tua, Pinhão, Corgo, Tâmega, Sousa (margem direita) e Águeda, Côa, Teja, Torto, Távora, Paiva, Arda (margem esquerda)

Caudal – 900 m²/s (na foz)

Declive – 0,05%

Conclusão 

O Rio Douro é mais do que uma via fluvial; é um elemento central da identidade e da economia de Portugal.  A sua importância para a viticultura, a cultura, o turismo e a biodiversidade torna-o essencial para a vida e a sustentabilidade das comunidades ao longo das suas margens.  Preservar o Douro é garantir que continue a ser uma fonte de riqueza, inspiração e beleza para as gerações futuras. 1

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