Santo António de Lisboa celebra-se a 13 de Junho

A Igreja Católica celebra a memória litúrgica de Santo António de Lisboa no dia 13 de Junho, data do seu falecimento em Arcela, subúrbios de Pádua (Itália).

Retrato de Santo António de Lisboa

A Primeira Legenda limita-se a dizer que Santo António, no último quartel da sua vida, se tornou hidrópico e, por isso mesmo, corpulento.

Sicco Polentone, que escreveu em 1433, fundado na tradição e em documentos, deu-nos mais alguns traços.

Diz que a sua cor era bronzeada, a sua estatura menos que mediana, mas corpulento e hidrópico, de fisionomia tão delicada e expressão tão piedosa que, ao vê-lo, se adivinhava que era homem bom e santo.

Boaventura Berlinghieri, ou algum seu discípulo, representou-o em fins do século XIII, num quadro que se conserva na Academia das Belas Artes de Florença, jovem, nutrido e imberbe, olhos doces e largos, nariz curto, cor clara, aspecto doce e sorridente.

Era, todavia, de constituição débil.

Os biógrafos falam muitas vezes das suas enfermidades. Parece que sofreu muito no último quartel da sua vida.

Compreende-se, se atendermos às muitas penitências, austeridades, vigílias, jejuns e labores apostólicos a que voluntariamente se entregava.

No Agiológio Lusitano, Jorge Cardoso escreve:

Ele era de mediana estatura, avultado em carnes, rosto macilento, cor pálida, nariz grosso, olhos alegres e boca rubicunda: a voz clara, sonora e inteligível, tão alta que a todos chegava e tão branda que a todos enternecia”.

 

Sugestão:

Conheça como Santo António livrou o seu pai da forca, usando um dos seus dons mais extraordinários: a faculdade de surgir simultaneamente em lugares diferentes e distantes, a chamada bilocação.

 

Síntese cronológica da vida de Santo António

Do nascimento a 1221

– Cerca de 1190, em dia e més que não constam (embora fixados no século XVII a 15 de Agosto de 1195), nasce em Lisboa, em casa situada defronte da Sé, em cuja pia baptismal recebe o nome de Fernando

– Até aos 15 anos, vive em casa dos pais, e frequenta a escola catedralícia desde os 7/8 anos de idade.

– Por dois a cinco anos, crise da adolescência, de que existe vestígio iconográfico em forma de cruz nas escadas que sobem da Sé de Lisboa para o coro.

– Cerca de 1209/1210, entra na Canónica/Mosteiro de São Vicente de Fora e faz-se Cónego Regrante de Santo Agostinho.

– Cerca de 1218/1219, recebe a ordenação sacerdotal em Santa Cruz de Coimbra e realiza (provavelmente) algum trabalho pastoral nas redondezas.

– Em 1219, tem um possível e provável contacto com os futuros protomártires da Ordem dos Frades Menores, os cinco Mártires de Marrocos.

– Em 16 de Janeiro de 1220 dá-se o martírio em Marrocos de cinco Frades Menores, cujos restos mortais chegam a Santa Cruz de Coimbra breves meses depois.

– Na primavera de 1220, Fernando Martins de Bulhões faz-se Frade Menor e toma o nome de Frei António.

– No Outono de 1220, embarca para Marrocos, onde permanece doente todo o Inverno de 1220/1221.

– Na primavera de 1221, deixa Marrocos e uma tempestade no Mediterrâneo lança-o na Sicília, onde se acolhe no eremitério dos Frades Menores de Messina.

De 1221 a 1226

– No fim de Maio de 1221, participa no Capítulo Geral das Esteiras, reunido em Assis e presidido pelo fundador da Ordem dos Frades Menores.

– De Junho de 1221 a Setembro de 1222 vive recolhido no eremitério de Monte Paulo (Emília), numa espécie de Noviciado não canónico.

– No dia 24 de Setembro de 1222 (com alguma probabilidade), revela o seu génio oratório e sabedoria em Forli (a 8 km de Monte Paulo), por ocasião de ordenações eclesiásticas.

– No final de 1222, inicia a vida apostólica, de que ficaram ecos fortes em Rimini.

– No final de 1223 ou começos de 1224, Frei Francisco de Assis pede-lhe que ensine Teologia aos confrades de Bolonha.

– Em 1224, encontra-se (por alguns dias?) com o Abade Tomás de Galo em Vercelli.

– De 1224/1225 a 1227, desenvolve apostolado intenso no Sul e Centro da França: ministério da pregação (em muita parte) e magistério (Montpellier e Toulouse).

– No Capítulo de São Miguel de 1225 (?), é nomeado Guardião de Puy-en-Valley.

– A 30 de Novembro de 1225 (?), prega no Capítulo Nacional de Bourges e nele interpela com veemência o Arcebispo D. Simão de Sully.

– No Capítulo de Arles de 1226, é eleito Custódio de Limoges.

– Em 1226 funda o convento de Brive.

– Ao fim da tarde de 3 de Outubro de 1226, morre em Assis o fundador da Ordem dos Frades Menores, Frei Francisco de Assis.

 De 1227 a 1231

– No Capítulo Geral do Pentecostes de 1227, em que participa, é eleito Ministro Provincial da Romanha-Emília (Lombardia).

– Em 1227, participa a redacção definitiva de seu Opus Evangeliorum ou Sermones Dominicales, a partir de apontamentos tomados para as suas pregações e para as suas aulas em Bolonha, Montpellier e Toulouse.

– Na Páscoa de 1228, prega em Roma perante o Papa, os Cardeais e muito povo. Gregório IX qualifica-o, então, de Arca do Testamento.

– No Capítulo Geral do Pentecostes de 1230 sai nomeado membro da delegação que em Roma obterá do Papa a bula Quo elongati acerca da interpretação da Regra e do Testamento de São Francisco.

Terá passado parte do Verão desse ano na Corte Pontifícia e inspirado os termos da citada bula, que data de 28 de Setembro de 1230.

– Em 1230/1231, redige Sermões Festivos, a pedido do Bispo de Ostia, Arnaldo de Jene, que leva do Natal à festa de São Pedro e São Paulo (este já concluído).

– A 15 de Março de 1231, o Município de Pádua assina um decreto de libertação de presos por dívidas, a pedido de Frei António (como vem expresso no texto).

– Na Quaresma de 1231, prega e confessa diariamente, o que lhe provoca cansaço e agrava o estado de saúde.

– Em Maio e Junho de 1231, passa uma espécie de férias em Camposampiero (a 19 km de Pádua).

– Em fins de Maio de 1231 (?), desloca-se a Verona, junto de Ezzelino III da Romanha, a pedir a libertação de prisioneiros guelfos, encabeçados por Ricardo, Conde de São Bonifácio.

Morte em Arcela (Pádua)

– A 13 de Junho de 1231, adoece, no fim do almoço, em Camposampiero e morre, ao fim da tarde, em Arcela (subúrbios de Pádua) e ali é sepultado.

– A 17 de Junho de 1231, terça-feira, fazem-lhe solenes exéquias e é definitivamente tumulado na igreja de Santa Maria de Pádua, realizando então os primeiros milagres, a comprovarem-lhe as virtudes que o adornavam e a fama de santidade de que gozava.

Após a morte de Santo António

– A 30 de Maio de 1232, o Papa Gregório IX, que fora seu amigo pessoal, coloca-o no catálogo dos Santos, tendo decorrido a cerimónia na catedral de Espoleto.

– A 8 de Abril de 1263, o Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, o célebre teólogo São Boaventura da Bagnoregio, ao proceder à trasladação do seu corpo para a Basílica do Santo, encontra-lhe a língua incorrupta e manda colocá-la em relicário.

– A 14 de Junho de 1310, mudou-se o túmulo para outro lugar da basílica.

– A 15 de Fevereiro de 1350, o Cardeal Guy de Bologne mandou colocar o queixo em relicário.

Na época começaram a distribuir-se relíquias do Santo: parte de um braço, uma das mãos, um dente, parte da túnica e dos cabelos. Fala-se, em ulteriores inventários, também em rádio, em dedo e em pele da cabeça. Parte do rádio veio parar em 1968 à Catedral de Lisboa.

– De 6 de Janeiro a 15 de Fevereiro de 1981, realiza-se um segundo reconhecimento dos restos mortais do Santo e verifica-se que as cartilagens do aparelho fonador continuam incorruptas.

 

Sobre este Santo, tão venerado em todo o mundo, disseram

São Francisco de Assis

O fundador dos Franciscanos comprazia-se em chamar a frei António seu Bispo.

Ao receber a notícia da sua revelação oratoria, exclamou: Eis que, enfim, a minha Ordem tem também um bispo!

Tomás de Celano diz que S. Francisco assim lhe endereçou a carta-diploma em que o nomeava primeiro lente de teologia dos seus religiosos: Frati Antonio Episcopo meo (a frei António meu Bispo).

O Papa Gregório IX

António expunha tão sábia, profunda e eloquentemente a Sagrada Escritura que o Papa Gregório IX o cognominou Arca do Testamento e Escrínio das Escrituras.

E ao canonizá-lo em Spoleto, entoou-lhe solenemente a antífona:

Ó exímio Doutor, bem-aventurado António, luminar da Santa Igreja e profundíssimo na Lei Divina!

São Boaventura

“O senhor marcou o bem-aventurado António com três brilhantes sinais:

o primeiro foi a excelência da santidade, que abrasava o interior da sua alma;

o segundo, o desprezo do mundo e o amor das humilhações, que se revelam em todos os actos da sua vida;

o terceiro, a celebridade que lhe nimba o nome e o tornou famoso em todos os povos.

Estas três coisas reunidas constituem o ideal da perfeição”.

Bartolomeu Platina

Santo António exaltou de tal maneira a Ordem de S. Francisco, que justamente lhe chamam seu segundo fundador“.

O Papa Sisto X

António foi qual chuva do céu que, regando a terra, lhe fez produzir imensos frutos“.

S. Tomás Gallo

“O amor penetra até onde não atingem as ciências naturais (…). Eu próprio o experimentei na pessoa de um santo com que me relacionei intimamente – o irmão António, da Ordem dos Frades Menores (…).

Era sem rival nas diferentes partes da teologia mística. Homem verdadeiramente extraordinário (…), do qual bem pode dizer-se, como de S. João Baptista: era um astro ardente e luminosíssimo.”

Frei Bartolomeu de Trento (O.P.)

“António, que eu próprio vi e conheci, era de estirpe hibérica.

Primeiro professou a regra de Santo Agostinho; depois entrou na Ordem dos Frades Menores; e, com a palavra e o exemplo, a muitos arrancou do caminho de erro.

Anelava, porém, ir pregar aos sarracenos e receber deles a palma do martírio.

Era eloquente orador e ganhou muitas almas para Cristo.

Num congresso de irmãos, pregando ele, um dos presentes viu S. Francisco na atitude de os abençoar.

Pregou, por fim, aos paduanos, levando muitos usurários a restituir o alheio e ai compilou bons discursos.”

 

Como Santo António foi visto com o Menino Jesus

Quando certa vez Santo António entrou numa cidade em serviço de pregação, o senhor fidalgo que lhe deu poisada, assinou-lhe aposentos retirados, a fim de não o perturbarem no estudo e oração.

Ora, estava o Santo recolhido e só em seus aposentos, estando o senhor fidalgo, discorrendo pela casa a tratar da sua vida, adregou passar perto, e levado por devota curiosidade espreitou para dentro, a escondidas, por uma fresta que abria mesmo no lugar onde o Santo descansava.

E o que haviam de ver seus olhos! Um Menino mui formoso e alegre nos braços de Santo António, e o Santo a contemplar-lhe o rosto, a apertá-lo ao peito e a cobri-lo de beijos.

Ficou maravilhado o fidalgo com a formosura do Menino, e todo se espantava não atinando como explicar donde teria vindo para ali criança tão graciosa e bela.

E o Menino que outro não era senão o Senhor Jesus, revelou a Santo António que seu hospedeiro o estava espreitando.

Pelo que Santo António depois de findar a longa oração, chamando o senhor fidalgo humildemente lhe pediu e instou que, enquanto ele vivo fosse, a ninguém descobrisse a visão que espreitara.

E só depois da morte do Santo, o senhor fidalgo com lágrimas santas contou o milagre que seus olhos indiscretos haviam contemplado. Em louvor de Cristo. Amen.” (Florilégio Antoniano)

Fonte: Almanaque de Santo António – 2008 | Imagem

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