O que é a Semana Santa para os Cristãos!

Sexta‑feira Santa da Paixão do Senhor

A liturgia da Sexta‑Feira Santa tem a sua origem em Jerusalém.

No Diário de Viagem de uma cristã chamada Egéria, conta‑se como decorria lá este dia em finais do século V.

Depois de uma noite de vigília no monte das Oliveiras, de manhã muito cedo, descia‑se para o Getsémani para ler o relato da prisão de Jesus. Dali ia‑se até ao Gólgota.

Depois da leitura dos textos sobre a comparência de Jesus diante de Pilatos, cada um ia para sua casa para descansar um pouco, passando antes pelo monte Sião para venerar a colunada flagelação.

Pelo meio‑dia, havia novo encontro no Gólgota para venerar o madeiro da Cruz: leitura durante três horas dos textos do Antigo e do Novo Testamento, alternando com salmos e orações. O dia acabava finalmente na Igreja da Ressurreição, Anastasis, onde se lia o Evangelho da deposição de Jesus no sepulcro.

Os primeiros testemunhos

Os primeiros testemunhos da liturgia de Sexta‑Feira Santa em Roma datam do século VII.

O Papa dirigia‑se à Basílica da Santa Cruz, onde se lia o Evangelho da Paixão segundo São João, seguido de uma ladainha de intenções universais. Nas igrejas situadas fora da cidade e assistidas por sacerdotes havia uma celebração mais popular:

– exposição da cruz sobre o altar;

– liturgia da Palavra como na Basílica da Santa Cruz;

– depois do Pai Nosso, adoração da cruz e comunhão do pão e do vinho consagrados no dia anterior.

No século VIII, introduziu‑se na liturgia papal a adoração da cruz, mas sem comunhão.

No século X, uniram‑se os dois modos de celebrar.

No século XIII, decidiu‑se que só comungava o celebrante e, no século XVI, que a celebração se fizesse de manhã. Mas nem por isso se deixou de «santificar» o resto do dia: na maioria das igrejas, o povo reunia‑se, frequentemente em maior número do que de manhã, para a Via‑Sacra e o «sermão da Paixão».

Assim, se fez até 1955; a partir desta data, a Igreja romana celebra a liturgia da Paixão na tarde de Sexta‑Feira Santa.

A celebração após 1955

A celebração começa com um momento de oração silenciosa e uma “oração” pronunciada pelo celebrante. Tem três partes:

– a liturgia da Palavra com a oração universal,

– a adoração da cruz e a

– liturgia da comunhão.

A liturgia da Palavra forma como que uma espécie de tríptico.

A primeira leitura apresenta o rosto de uma personagem misteriosa, um justo submetido aos piores sofrimentos e vítima das mais odiosas perseguições, desprezado pelos homens e, aparentemente, abandonado pelo próprio Deus. Na realidade, oferece‑Se em sacrifício de expiação pelo pecado dos homens e o Senhor torná-lo‑á chefe de um povo incontável de justificados.

Qualquer que seja a identidade do «servo de Deus» no Livro de Isaías (52,13-53,12), faz pensar, sobretudo na Sexta‑Feira Santa, em Cristo, o Justo ultrajado, cuja morte salvou todos os homens do pecado e que Deus exaltou na glória do Céu.

Na segunda leitura pode ver-Se Jesus, o Cristo, entronizado junto de Deus como «um grande Sumo sacerdote» que, pela Sua obediência, «Se tornou, para todos aqueles que Lhe obedecem, causa de salvação eterna» (Hb 4,14‑16;5,7‑9).

Estas duas leituras, escritas à distância de vários séculos, introduzem‑nos admiravelmente na compreensão da Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo que ocupa o centro do tríptico (Jo 18,1‑‑19,42).

O Evangelho, a oração universal e a Comunhão

O evangelista João quis oferecer o sentido profundo dos acontecimentos de que foi testemunha. Paradoxalmente, é na Cruz que Jesus Se manifesta como o Vivente que dá vida abundante a todos os que «olham para Ele».

Então, surge espontaneamente da assembleia a oração universal, para que a Paixão do Senhor produza os seus frutos para todos, até aos confins da terra. Depois, vem a adoração da cruz que tem evidente acentuação pascal, porque nunca se podem dissociar a morte e a ressurreição de Cristo.

A comunhão do pão consagrado no dia anterior encerra esta celebração austera e, ao mesmo tempo, vibrante de esperança. Todos se retiram em silêncio, não para chorar a morte de Cristo, mas para meditar no seu mistério e se preparar, no recolhimento, para a alegria do Aleluia que ecoará na Vigília Pascal.

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