20 de Maio de 1498 – Vasco da Gama chegou à Índia

Vasco da Gama, capitão-mor da armada

Vasco da Gama, capitão-mor da armada que finalizou o descobrimento do caminho marítimo para a Índia, nasceu em Sines, cerca de 1468, e morreu em Cochim, Índia, a 24 de Dezembro de 1524.

Filho ilegítimo de Estêvão da Gama, chegou a pensar na carreira eclesiástica, recebendo por isso a tonsura clerical a 5.11.1480.

Tem sido considerado como «perito em navegação» e como empenhado em secretas viagens no Índico, por ordem de D. João II, anteriores à viagem decisiva.

Se os seus conhecimentos de navegação estão confirmados pelas instruções que redigiu para a viagem de Pedro Álvares Cabral, as suas explorações índicas anteriores à viagem de 1497-1498 devem ser consideradas fantasiosas, enquanto qualquer documento (já bastante improvável de encontrar) no-las não afirma de modo categórico.

D. Manuel confiou-lhe o comando da expedição que descobriu o caminho marítimo para a Índia. Compunha-se ela de três naus e de um navio velho com mantimentos. Este estava destinado a ser queimado, em momento oportuno.

Saiu de Lisboa no dia 8 de Julho de 1497

No início de Agosto estava em Cabo Verde, e, em 8 de Novembro, ancorava na baía de Santa Helena, depois de descrever uma rota em arco, no Atlântico Sul, a fim de contornar os ventos contrários.

Esta hábil manobra tem levado alguns autores a pensar que essa área marítima teria sido explorada anteriormente. No entanto, não há qualquer informação fidedigna acerca de viagem ou viagens pelo largo do Atlântico Sul antes de 1497.

Dobrado o cabo da Boa Esperança, foi seguindo para norte, tendo estado

– na foz do Zambeze (rio dos Bons Sinais),

– em Moçambique, onde aportou em 2 de Março de 1498,

– também em Mombaça e

– em Melinde.

A caminho de Calecut

Em Melinde conseguiu captar as simpatias do sultão local, que acabou por lhe fornecer piloto, que facilmente os conduziu à Índia.

É habitual, mas erradamente, identificar este com o célebre navegador árabe Ahmad ibn Madjid, pois este concluiu a sua carreira de piloto em 1468.

Deixou o continente africano em 24 de Abril de 1498, tendo chegado à vista de Calecut, na Índia, em 17 de Maio de 1498.

Calecut era o lugar de destino, e aí se esforçou Gama por estabelecer boas relações comerciais, sem qualquer êxito.

Devido a intrigas dos mercadores árabes, o rei local iludiu-o sempre e colocou-o mesmo numa situação de sequestrado. Deste, só por acaso, e também pelo apoio que do mar recebia de seu irmão Paulo da Gama, conseguiu desenvencilhar-se, com calma e coragem.

Não dispondo de meios militares para se impor às autoridades indianas, iniciou o regresso em 5 de Outubro de 1498, durante o qual o escorbuto dizimou as tripulações.

Em 10 de Julho de 1499 a nau Bérrio chegou a Lisboa com a nova do descobrimento há tantas décadas pretendido. No entanto, Vasco da Gama só entrou na capital a 18 de Setembro de 1499.

Ao chegar a Lisboa, esperavam-no as recompensas de D. Manuel I:

– foi nomeado almirante-mor do mar das Índias,

– teve o direito ao título de «Dom», extensivo à família,

– e receberia várias outras mercês de carácter pecuniário, que os seus descendentes conservavam

Em meados do século XVI, ainda o conde da Vidigueira, que lhe sucedera, procurava receber os impostos de ancoragem nos portos da Índia, a que tinha direito.

Regresso à Índia

Vasco da Gama voltaria à Índia em 1502, comandando uma armada de 20 velas. Esta é uma viagem pouco conhecida, embora dela exista um relato ainda mal estudado.

Fez tributário o rei de Quíloa, castigou o rei de Calecut, firmou aliança com os reis de Cochim e Cananor, e, tendo assegurado a hegemonia portuguesa no oceano Índico, carregou especiarias e regressou a Portugal em 1504.

D. João III recorreu a ele para pôr cobro a abusos e desordens que comprometiam a presença portuguesa na Índia. Investido do cargo de vice-rei e com latos poderes, deixou Lisboa em 9 de Abril de 1524, e em Setembro seguinte chegou à Índia.

Exerceu o mandato por escassos meses, já que foi surpreendido pela morte, vitimado por um antraz na região cervical. No entanto, conseguiu estabelecer a ordem, fazendo justiça com mão de ferro.

Vasco da Gama foi, ainda, 1.° conde da Vidigueira, 6.° governador e 2.° vice-rei da Índia.

O seu nome, unido ao do Infante D. Henrique, ficou para sempre gravado na história universal pelas incidências que teve para a humanidade o descobrimento do caminho marítimo para a Índia.

Fontes: “Dicionário Enciclopédico da História de Portugal” (vol.1) e “O Grande Livro dos Portugueses” (textos fundidos, editados e adaptados)

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