Verde e maduro: já cheira a vinho novo!

 

Após as vindimas é tempo do vinho novo!

Em outubro, as adegas cheiram a vinho novo. É o mês das fermentações, ou seja, da transformação dos mostos em vinho. São as leveduras, similares às que se usam na cozinha, que irão transformar os açúcares contidos no sumo das uvas, o mosto, em álcoois, entre os quais se destaca o etanol.

Evidentemente que nas regiões mais quentes, o teor de açúcares nos bagos de uva é maior. Inversamente, no nosso litoral centro e norte, mais fresco e húmido, em particular na região dos Vinhos Verdes, as uvas amadurecem menos do que nas regiões quentes do sul de Portugal.

Na altura da fermentação, nos lagares de pedra, cubas metálicas, depósitos em cimento ou em toneis e barricas de madeira, a diferença de açúcar num mosto que vai originar um vinho com a Denominação de Origem Vinho Verde, com 11% do volume de álcool, é acentuada quando comparada com os açúcares contidos num mosto de um vinho, dito maduro, proveniente de qualquer outra das Denominações de Origem, Douro, Dão, Alentejo e todas as restantes regiões portuguesas, nas quais temos vinhos com 13% volume de álcool, ou mais.

Esta evidência está na base da tradicional separação entre vinho verde e vinhos maduros. Esta segregação não existe senão na tradição popular. De facto, a designação “vinho maduro” não faz parte da legislação. Pelo contrário, “vinho verde” é protegido internacionalmente enquanto designação de uma das mais famosas Denominações de Origem de vinho em Portugal.

Todos os vinhos de Portugal, mesmo os produzidos na região demarcada dos Vinhos Verdes, são elaborados com base em uvas bem maduras.

Outra chamada de atenção: verde não de vinho. Em qualquer região do mundo, as adegas só elaboram três cores de vinho. Por exemplo, no Dão os produtores elaboram Dão branco, Dão rosé e Dão tinto; tal como na região demarcada dos Vinhos Verdes onde se produz vinho verde branco, vinho verde rosé e vinho verde tinto.

Aníbal José Coutinho in Continente Magazine | Imagem de Photo Mix