Sobre os cães na Roma Antiga

Na Roma Antiga, os cães desempenhavam um papel importante tanto na vida quotidiana como na cultura e nas crenças da sociedade romana. Mais do que simples animais de companhia, eram valorizados pela sua utilidade, lealdade e pelo forte vínculo emocional que estabeleciam com os humanos.

Os romanos utilizavam cães principalmente como guardiões de casas e propriedades. Era comum encontrar mosaicos à entrada das habitações com a inscrição “Cave Canem” (“Cuidado com o cão”), sinal claro da sua função protetora. No meio rural, os cães eram indispensáveis na pastorícia, protegendo rebanhos e auxiliando no trabalho agrícola, como referido por autores clássicos como Virgílio e Columela.

No contexto militar, os cães eram usados para vigiar acampamentos, acompanhar tropas e, por vezes, participar em ações de intimidação. A sua capacidade de alerta e fidelidade tornava-os aliados valiosos na defesa e na segurança do exército romano.

Epitáfios funerários

Para além dessas funções práticas, muitos cães eram tratados como verdadeiros animais de estimação, sobretudo nas cidades. O afeto que os romanos sentiam por eles é comprovado pelos numerosos epitáfios funerários dedicados a cães falecidos, encontrados em lápides e inscrições. Esses textos revelam sentimentos de carinho, saudade e gratidão, semelhantes aos expressos para entes humanos.

Um exemplo conhecido é o epitáfio do cão Margarita, que diz: “Aqui jaz Margarita, minha alegria e minha companheira fiel.”

Outro epitáfio romano refere-se a um cão chamado Helena, lamentando a sua perda com palavras de ternura e destacando a sua lealdade. Há ainda inscrições que exaltam a vigilância, a coragem e a doçura dos cães, demonstrando que eram lembrados não apenas pela utilidade, mas também pelo vínculo emocional que criavam com os seus donos.

No plano religioso e simbólico, os cães estavam associados à proteção, à vigilância e ao mundo espiritual. Surgem ligados a divindades e rituais, sendo vistos como guardiões entre o mundo dos vivos e o dos mortos, o que ajuda a explicar a importância atribuída à sua memória após a morte.

Deste modo, os cães na Roma Antiga ocuparam um lugar multifacetado: guardiões, trabalhadores, companheiros e até sujeitos de homenagem funerária. Os epitáfios dedicados a cães falecidos demonstram que, para muitos romanos, estes animais eram mais do que auxiliares — eram amigos leais, dignos de recordação e respeito.