Almeida Garrett morreu em Lisboa a 9.12.1854

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett

Escritor e político (Porto, 4.2.1799 – Lisboa, 9.12.1854)

Devido à invasão de Soult (1809), seus pais refugiaram-se em Angra, onde recebeu a influência benéfica de seu tio paterno, o bispo D. Frei Alexandre da Sagrada Família.

Recebeu ordens menores e aos 15 anos subiu ao púlpito, numa igreja da Graciosa, em substituição do pregador.

Matriculado em 1816 na Faculdade de Direito de Coimbra, em breve domina a academia, agitada pelas novas ideias e trabalhada pelas associações secretas, dedicando-se a actividades dramáticas imbuídas de intenções políticas.

Concluído o curso em 1821 (ano em que publica o Retrato de Vénus), vem para Lisboa, onde imediatamente acumula triunfos:

– literários, com a representação do Catão (29.11.1821);

– afectivos, com o casamento precipitado com Luísa Midosi (de quem viria a separar-se em 1836),

– e políticos, com a oração fúnebre a Manuel Fernandes Tomás.

Exilado como liberal em 1823, viveu na Inglaterra e em França até 1826.

Regressado à Pátria, dirige os jornais O Português e O Cronista.

Conhece novo exílio de 1828 a 1832, voltando a Portugal com os bravos do Mindelo.

Político e escritor

De 1833 a 1836 é nomeado encarregado de negócios e cônsul-geral na Bélgica.

Encarregado por Passos Manuel, na chefia do governo após a revolução de Setembro de 1836, dedica-se à restauração do Teatro: cria o Conservatório de Arte Dramática, a Inspecção-Geral dos Teatros e o Teatro Nacional.

Foi Deputado (1837), cronista-mor (1838) e par do reino (1851).

Em 1852, num ministério presidido por Saldanha, sobraçou por alguns meses a pasta dos Negócios Estrangeiros. D. Pedro V agraciou-o, em 25.6.1854, com o título de Visconde de Almeida Garrett.

A edição das Obras Completas de Almeida Garrett, 1908, constam de 28 volumes, que abrangem poesias, novelas, peças de teatro, romances, ensaios literários e políticos, discursos e recolhas folclóricas que constituíram os três volumes do Romanceiro e Cancioneiro, 1843-1851.

Com os poemas Camões, 1925, e Dona Branca, 1826, inaugura em Portugal o romantismo, de que viria a ser o expoente pela sua polifacetada obra de ficcionista e poeta, folclorista e orador, dramaturgo e pedagogo.

A tragédia Frei Luís de Sousa, 1844, é a sua obra-prima, justamente considerada «a obra mais
brilhante que o teatro romântico produziu
».

Numa economia perfeita soube exprimir a máxima densidade do patético na máxima simplicidade de acção e de diálogo na máxima verdade de psicologia, ao transpor a sua problemática pessoal para um episódio de fundo histórico num ambiente de grande tragédia cristã.

É autor ainda de duas obras que, cada uma no seu género, assumiram fundamental importância:

– as Viagens na Minha Terra, 1846, que renovou a prosa portuguesa,

– e o livro de poemas Folhas Caídas, 1853, uma das mais perfeitas expressões, em língua portuguesa, do lirismo confessional romântico. (1)

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett - Escritor e político

Almeida Garrett teve uma vida agitada e prazenteira

Poucos terão como ele levado vida a um tempo tão agitada e prazenteira: apaixonado incorrigível, revolucionário e conspirador, poeta e prosador notabilíssimo, conseguiu ser isto tudo através de uma elegância de atitudes, rara entre nós.

Experimentou as desventuras do amor, mas estas não lhe secaram o coração

Conheceu o frio das masmorras, mas não guardou o rancor das masmorras.

Poeta romântico, sofreu muito, mas não deixou que esse sofrimento o alijasse do convívio social.

Levou do mundo, nas boas e más horas, o melhor que o mundo dá: diplomata, escritor, político, homem de corte, pertenceu ele a uma geração literária em que a pena e a espada (ou a espingarda) eram usadas com igual desenvoltura.

Foi, todavia, a sua obra literária que lhe garantiu a sobrevivência histórica.

Nela operou uma tal clarificação de linguagem que o seu estilo se assemelha muito mais ao de António Nobre – que escreveu cinquenta anos depois – ou ao dos escritores modernos que ao dos seus contemporâneos – José Agostinho de Macedo, por exemplo. A sua prosa é como a sua vida – elegante, fácil, limpa. (2)

Fontes

(1) “O Grande Livros dos Portugueses” (texto editado e adaptado)

(2) “Almanaque” – Grupo de Publicações Periódicas, ed. com.; Magalhães, J. A. de Figueiredo, dir publ. – Dez. 1959 (texto editado e adaptado) | Imagem